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O Ouriço

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Segundo John Pilger, Hillary representa um sistema de gente que lucra com a guerra e as políticas do establishment criaram Trump e o Brexit. O facto é que a direita e a esquerda aliaram-se ao status quo financista e belicista e a classe jornalista, na sua maioria nada passa de um bando de mercenários.

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1- É verdade que no regime republicano todos os cargos públicos são elegíveis?

R: Não. Os membros do Conselho de Estado, o PGR, os juízes dos diversos Tribunais Supremos, o presidente do banco de Portugal, as chefias das Forças Armadas e das forças militarizadas, não são eleitos, obedecendo a nomeação, à confiança política da tutela

 

2- Porque razão a república portuguesa é mais dispendiosa para o contribuinte do que qualquer uma das monarquias europeias?

R: Porque a função política do presidente não pode corresponder exactamente a uma imparcialidade que devia ser a norma. O presidente da república depende em primeiro lugar, das forças políticas que patrocinaram a sua candidatura e depois, dos grandes interesses económicos que a subsidiaram. Torna-se normal a  necessidade de criar um núcleo de colaboradores da sua confiança política , nomeando-se dezenas de assessores que custam muito dinheiro ao Estado. Desta  forma cria-se uma rede de influências que se tornam num contrapoder ao governo em exercício. Os orçamentos para as casas reais europeias são mais baixos,  porque o pessoal que serve a Coroa é em número bastante reduzido, não dependendo do favor de qualquer partido no poder ou na oposição.

 

3- Porque razão a generalidade dos países monárquicos europeus beneficiam de mais estabilidade política do que as repúblicas?

R: Exactamente porque os reis não intervêm no jogo partidário, ajudando a resolver muitas das crises provocadas pela luta político-partidária. A Monarquia oferece  uma perspectiva de estabilidade e de segurança institucional que permite aos governos proceder no Parlamento, às reformas necessárias ou desejadas pela   maioria dos cidadãos num dado momento histórico.

 

4- Porque razão quase todas as monarquias europeias beneficiam da descentralização administrativa e as repúblicas tendem a ser maioritariamente unitárias como a  portuguesa?

R: Porque a existência da Coroa oferece uma total garantia da unidade territorial de um país que seja formado por diferentes grupos nacionais: na Europa, o caso da  Bélgica e da Espanha são bons exemplos da necessidade absoluta da manutenção da Monarquia para a própria existência do Estado.

 

5- Porque razão as existentes monarquias europeias contribuem muito para o prestígio dos países?

R: Devido sobretudo, à função suprapartidária do rei e da visibilidade que este aporta à comunidade. Internacionalmente, o rei é a primeira imagem que se tem de um determinado país, até porque representa a história e as tradições que caracterizam os povos onde reinam.

 

6- Costuma dizer-se que as monarquias europeias são como empresas lucrativas. Porquê?

R: Porque em geral estão associadas ao que de melhor um país produz. Tem a marca da qualidade e do bom gosto, sendo um excelente exemplo a apresentar  internacionalmente. Além disso, criou-se uma grande indústria de lembranças e colecções que dão trabalho a muita gente e que com as vendas, trazem aos cofres do estado importantes quantias em impostos, direitos de reprodução, etc. A indústria das louças, a ourivesaria, a indústria livreira, as marcas autorizadas a  usar o símbolo da casa real, consistem em alguns dos sectores que muito beneficiam com a existência da Monarquia.

 

7- Durante a  Segunda Guerra Mundial, os invasores pretendiam antes de tudo, aprisionar as famílias reais dos países conquistados. porquê?

R: Porque quando invadiam um país, tinham a perfeita consciência do que significava para a população a figura do rei. O rei representava o povo inteiro e a própria  soberania nacional. Partindo para o exílio, os monarcas conseguiam agrupar soldados, reforçar o espírito de resistência e principalmente, retiravam aos  invasores, a legitimidade política de poderem falar em nome de um determinado povo, mesmo que organizassem governos fantoches que os apoiavam. Em  Portugal, até temos o exemplo de D. João VI que ao mudar a capital de Portugal para o Rio de Janeiro, salvou a independência nacional, a unidade do império português e acabou por conseguir mobilizar a nossa população que derrotaria os exércitos de Napoleão. O mesmo não aconteceu com as repúblicas invadidas e ocupadas e temos o exemplo da França, onde se criou um vazio de poder que levou à constituição de um governo republicano colaboracionista, dividindo traumaticamente o país em múltiplas facções.

 

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"Quem governa o mundo?" Chomsky responde!

Flávio Gonçalves 25 Nov 16

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 Noam Chomsky é um autor extremamente prolífico e, actualmente, uma presença incontornável que não pode ser ignorada por nenhum estudioso sério de Geopolítica e Relações Internacionais, a sua obra mais recente de estudos acerca dos efeitos globais das intervenções externas do imperialismo estadunidense já se encontra nas livrarias portuguesas: "Quem Governa o Mundo?" (352pp.; 17,50€; Editorial Presença, 2016).

Este minucioso volume não só reúne a sua análise mais recente, até finais de 2015, como documenta exaustivamente, nas suas notas de rodapé e bibliografia, a mentalidade, a doutrina e as acções que transformaram os Estados Unidos da América na única hiperpotência mundial.

Nesta obra Chomsky desenterra documentação e factos pouco conhecidos (ou mais correctamente, pouco noticiados) acerca do papel desempenhado pelos serviços secretos americanos um pouco por todo o mundo, com destaque para a América do Sul e para o Médio Oriente, mas sem olvidar o Laos, o Vietname e inclusivamente a Europa, alertando que mesmo algumas das personalidades que têm denunciado a ingerência global da política norte-americana, como Jimmy Carter, acabam por incluir nessa denúncia a sua "adesão a fabricações doutrinárias úteis" da doutrina que denunciam.

Chomsky, ainda professor emérito no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), rastreia muitos dos problemas do mundo actual ao triunfo da visão capitalista e neo-liberal que o império americano conseguiu impor desde o final da Segunda Guerra Mundial como "normal" e até, afirmamos nós, como sendo o único mundo possível, incluindo aqui até a mais recente descrença generalizada para com a democracia: "a debilitação da democracia em exercício é um dos contributos do ataque neo-liberal à população mundial durante a última geração. E isto não está a acontecer apenas nos EUA: na Europa, o impacto poderá ser ainda pior" referindo-se ao fenómeno Donald Trump e ao crescimento eleitoral dos populismos em solo europeu como sintomas mais recentes desta maleita.

O papel crucial que Israel ocupa em muitas das políticas dos vários governos do Tio Sam, sejam eles Democratas ou Republicanos, é também alvo de crítica minuciosamente documentada. A principal denúncia passa pelo incómodo facto de terem conseguido consolidar, junto da opinião publicada e da política mundial, que quando os seus inimigos agem o fazem por pura maldade e desejo de matar, mesmo quando se trata de algum acidente, já os EUA e Israel "enquanto sociedades democráticas que são, não o fazem por intenção", mesmo quando elegem intencionalmente alvos civis como escolas primárias, infantários ou hospitais, "não podem ser colocados no nível de depravação moral" dos seus adversários.

Uma obra de leitura obrigatória, principalmente nos dias que correm e em todo o lado já se ouve o ressoar dos tambores de guerra contra a Rússia.

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O novo sabor do império

Flávio Gonçalves 24 Nov 16

Ao contrário do que o mundo esperava (sempre julguei que perdesse por pouco), Donald Trump é o novo líder do "mundo livre". Tal demonstra, inequivocamente, que o eleitorado em todo o Ocidente se encontra enfastiado pelos candidatos habituais, aliás, eu iria mais longe, o neo-liberalismo e o capitalismo selvagem aos quais aderiram os políticos do centro-direita e do centro-esquerda tornaram a vida dos cidadãos num desespero tal que as opções apresentadas pela imprensa como "radicais" já parecerem preferíveis ao que temos agora, afinal, quão pior podem as coisas ficar?

Houve outro factor que aparentemente tem ficado de fora da maior parte das análises e pelo qual quase intitulei esta crónica de "a esquerda de Trump": a esmagadora maioria dos intelectuais de esquerda fizeram campanha contra Hillary Clinton ou, no caso de Slavoj Zizek, endorsaram mesmo a candidatura de Donald Trump como a menos nefasta. De todos os nomes pesados da intelectualidade de esquerda, após a derrota de Bernie Sanders (o candidato Democrata mais qualificado para bater Trump, uma vez que também ele nos chegava de fora do sistema) só Noam Chomsky veio em socorro de Clinton e sempre enfatizando que era meramente "o mal menor. 

Por limitações de espaço não vamos reproduzir as várias citações, mas quem tenha dúvidas por favor consulte as páginas oficiais dos seguintes autores: Michel Chossudovsky, John Pilger, Pepe Escobar, James Petras e Julian Assange. Certo, havia mais de uma centena de candidatos de outros partidos acerca dos quais nem ouvimos falar, o mais provável era que os supracitados, apelando ao não-voto em Clinton, esperassem também que Hillary perdesse por pouco e que esses votos fossem para os dois maiores partidos extra-parlamentares dos EUA, Os Verdes e o Partido Libertário. Trump ganhou, paciência.

Mas como em História é notório que "algo tem que mudar para que tudo fique na mesma", ver Marine Le Pen no número mais recente da "Foreign Affairs" (a revista oficial do regime, por assim dizer) e Donald Trump na presidência dos EUA, demonstra que o Império tenta acompanhar os tempos para não se deixar ultrapassar pela Rússia, é a minha curta análise ainda a quente, os populismos europeus, que tinham a Rússia de Putin como preferência geopolítica e votam em bloco no Parlamento Europeu contra a NATO e contra as sanções à Rússia, fossem de esquerda (5 Estrelas, Podemos, Syriza) ou de direita (FN, UKIP, AfD), agora passam a ter uma opção populista na América de Trump...

Não querendo estragar a festa dos meus camaradas pró-russos que celebram a vitória de Trump, a verdade é que acompanho a política internacional há duas décadas e me tornei num convicto céptico, cínico e até paranóico quanto a esperançosas mudanças de fundo. Só espero estar errado!

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Bem-vindo à Área X

Flávio Gonçalves 23 Nov 16

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 Foi com algum receio que pegamos em "Aniquilação" de Jeff Vandermeer (224pp.; 16,90€; Saída de Emergência, 2016), não só o autor já não era traduzido em Portugal há uma década como as constantes comparações do ambiente da sua escrita ao universo criado por Howard Phillips Lovecraft nos deixou de pé atrás, afinal quantas vezes tal comparação não nos deixou já com um amargo de boca? Felizmente, após a sua leitura, compreendemos o porquê de Vandermeer ter sido já galardoado com um Nébula e sido finalista dos prémios Hugo, as principais referências da ficção científica e da fantasia.

Ora bem, logo nas primeiras páginas compreendemos estar perante um possível clássico instantâneo do género, tanto que devorámos o livro de um só folego (ou seja, em menos de 24 horas), o que complica um pouco a resenha é o facto da obra, como um todo, se sustentar de uma corrente de pequenos mistérios e de um suspense constante, o crítico que tenha a ousadia de revelar que adorou mais "a parte em que...", pode arruinar por completo a experiência do potencial leitor. Surpreendentemente, o autor consegue manter o ritmo e as revelações que vão surgindo, pouco a pouco, vão simultaneamente contribuindo para saciar a nossa curiosidade quanto às realidades da Área X e das personagens que a exploram, respondendo apenas pela sua função e não pelo seu nome - a antropóloga, a topógrafa, a bióloga e a psicóloga - revelando novos enigmas e mistérios que fazem com que leiamos sofregamente, página após página, à procura de novas respostas que trarão novas questões, sempre num ritmo que não se torna nem monótono nem enjoativo.

E o ambiente? Merece toda a descrição de lovecraftiano, sem qualquer risco de plágio conseguimos sentir na descrição do meio circundante e no desenvolver da personalidade das várias personagens - tanto na Área X como nos 'flashback' da personagem principal - toda a carga mítica e opressiva que reside no imaginário de todos os lovecraftianos. Ao longo de cinco capítulos acompanhamos os progressos e retrocessos das quatro personagens que tentam desvendar ao certo o que terá acontecido na Área X, uma zona devastada do planeta isolada do resto do mundo por uma fronteira de natureza invulgar e cuja existência é mantida em segredo pelas autoridades. Ali não é permitida qualquer tecnologia moderna nem a utilização de quaisquer nomes, com receio que o mal que ali habita possa de algum modo penetrar no mundo exterior ou, pior ainda, nas mentes daqueles que tentam desvendar a sua origem e reais efeitos numa paisagem devastada onde todos os vestígios de civilização se reduzem a ruínas e a escombros há muito corroídos pelo tempo. Bem-vindos à Área X, o quer, e onde quer, que seja.

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A verdade sobre Donald Trump

Artur de Oliveira 11 Nov 16

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Eis porque Donald Trump venceu: é o inimigo número 1 da austeridade e dos partidos do centrão de baixo, que mandam nos seus povos subordinados a interesses e clientelas corporativas. Não se trata de populismo, mas sim de cidadania.

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E Trump ganhou!

Flávio Gonçalves 9 Nov 16

Já liguei a televisão... nunca acreditei que Trump ganhasse as eleições... acho que só vou começar as entrevistas com os intelectuais de esquerda amanhã, já sei que Slavoj Zizek como socialista politicamente incorrecto apoiou Trump, o mesmo sucedeu com vários intelectuais da esquerda mais revolucionária (Michel Chussodovsky, John Pilger, Pepe Escobar, James Petras, o já mencionado Zizek, aliás, assim de repente, acho que só o Noam Chomsky apoiou a Clinton como "mal menor", a restante intelectualidade do socialismo mais ou menos democrático preferiu Trump) por pura aversão à Clinton. São tempos interessantes estes.

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Eu, o coerente?

Flávio Gonçalves 31 Out 16

No rescaldo de uma troca de missivas com um académico acerca do meu passado político fui dar uma vista de olhos a algumas entrevistas que dei há meia dúzia de anos e textos antigos, realmente como volta e meia afirma o meu actual camarada Filipe Barroso, "os valores base não mudam": ao longo do meu percurso sempre defendi o federalismo europeu, primeiro nas entrelinhas de alguns textos e, desde 2008, de modo explícito e aberto. Nem eu próprio me tinha apercebido dessa coerência (como sabem, por norma critico a "coerência", já a denunciei em vários textos, uma pessoa "coerente", a meu ver, só demonstra uma incapacidade de aprender, mudar e aperfeiçoar os seus ideais). Quem diria, afinal tenho sido coerente e consistente e muito o devo ao exemplo do meu falecido camarada e conterrâneo José Medeiros Ferreira.

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A revista “LOUD!” decidiu dedicar umas dezenas de edições aos discos mais emblemáticos do submundo musical português, do industrial ao punk passando pelo hardcore e pelas várias gradações - das mais suaves às mais extremas - do heavy metal passando até a por um cheirinho muito ligeiro de Oi!, pouco ficou de fora deste volume compilado e dado à estampa em Maio deste ano, eis “Quadro de Honra” (368pp.; 16,90€; Saída de Emergência, 2016).

Admito que foi um tanto ou quanto complicado manter-me neutro quanto aos conteúdos deste livro, não só o volume inclui entrevistas com muitos dos ídolos da minha adolescência e juventude mas também com muitos rostos conhecidos cujo rastro o tempo me fez perder e até alguns amigos que já partiram deste mundo (caso de João Ribas, dos Censurados), o cérebro invadiu-se com toda uma série de locais que já não existem, do Centro Comercial Portugália até ao V Imperium, do Boca do Inferno ao Limbo, do Meia Nota ao Jürgens, num Bairro Alto alternativo, rebelde e deliciosamente barulhento que já só existe na memória daqueles que, como eu, lá andaram a saltar, a pogar e a cantar os refrões.

Mais, fez-me recordar todo um frenesim de trocas de fanzines, folhas volante (a imortal “Thrash Publishing” do Mário Lino) e cassetes de fita, selos dos CTT cobertos com cola ou envernizados para serem eternamente reutilizados, os catálogos da Carbono e da Guardians Of Metal que nos chegavam (parecia) do outro lado do mundo quando ainda residia na minha cidade natal da Horta (Faial, Açores), a leitura quase devocional das revistas “Roadie Crew” e “Rock Brigade”, o nascimento e morte da “Riff” (por uma questão geracional, o meu irmão mais novo lia a “LOUD!”) e a alemã “Rock Hard”, que se utilizava essencialmente para recortar fotos das bandas favoritas com as quais se cobriam os cadernos e capas da escola, os discos comprados a meias com colegas de liceu, as encomendas conjuntas para poupar nos portes e os anúncios dos X-Acto no “Blitz”, todo um passado que a geração da Internet, do iTunes e do Facebook dificilmente entenderá ou julgará nunca ter existido.

O livro conta com uma introdução a cargo de José Luís Peixoto, dois textos de Fernando Ribeiro, recordando as gravações e o rescaldo de “Wolfheart” e “Irreligious”, que catapultaram os Moonspell para uma carreira no estrangeiro que ainda perdura, e 36 entrevistas efectuadas por Ricardo S. Amorim, José Miguel Rodrigues, Nelson Santos, José Carlos Santos, Nuno Costa, Ricardo Agostinho e José Almeida Ribeiro, tudo em bom português (ou seja, Sem Acordo Ortográfico, uma deliciosa anomalia por parte da Saída de Emergência). Deste underground notei apenas a ausência de duas sonoridades: o rockabilly (eu incluiria Capitão Fantasma e Lucky Duckies) e o neo-folk (Sangre Cavallum? Karnnos?), terão ficado para a promessa vaga de um segundo volume?

Satisfez-me encontrar os açorianos Morbid Death (teria apostado que se tinham esquecido deles, mas tal não sucedeu) e José Cid com o seu rock progressivo em “10.000 Anos Depois Entre Vênus e Marte”, a presença do hardcore – principalmente o vegetariano - parece-me um tanto ou quanto desproporcional, mas gostei de ouvir em discurso directo a realidade dos poucos submundos que não testemunhei em primeira mão. No Oi!, temos os sempre eternos e incontornáveis Mata-Ratos, o punk está entregue aos Censurados e aos Peste & Sida e o prato principal é heavy metal, muito heavy metal, death, grindcore, black, industrial, épico, neste campo o underground nacional dá cartas.

Para alguém que de algum modo viveu o “boom” do underground português na segunda década de 90 e primórdios do século XXI, este livro irá fazer com que vão à cave ou ao sótão sacudir o pó de discos e CDs aos quais há muito não voltavam – eu próprio, nos dias que demorei a digerir toda a nostalgia que esta monumental obra me causou, acabei por ouvir todos os álbuns de Heavenwood, a começar por “Swallow”, uma vez que a compra deste me fez recordar a minha primeira ida a Ponta Delgada (São Miguel), conhecer pessoalmente Mário Lino, uma ida à ilha de Santa Maria onde foi a banda sonora de uma excursão do Grupo de Jovens do Capelo e ainda a ida a um concerto de Morbid Death. Estou certo que todos nós, entre os 30 e os 50 anos a avaliar pelo meu regresso ao underground aquando da vinda de Obituary ao agora incontornável RCA Club, iremos recordar vários momentos à medida que percorremos as quase quarenta entrevistas e álbuns reunidos neste volume.

Para todos aqueles que não puderam testemunhar em primeira mão este submundo vivo que foi o eclodir das sonoridades mais extremas em Portugal a partir de 1993, têm aqui um autêntico documentário escrito para o que vivemos (sim, até eu tive uma banda de garagem, cabelos a meio das costas, muita roupa negra e pulseiras com espigões, por sorte a típica humidade açoriana parece ter varrido todos os indícios desse período) e estou certo de que hoje, algures, pulsa ainda um underground que vale a pena conhecer.

Para os nostálgicos, para os estudiosos e para os curiosos, neste volume encontram entrevistas com as bandas Mão Morta, Thormenthor, Ramp, Bizarra Locomotiva, Twentyinchburial, Grog, Desire, Sacred Sin, Evisceration, Heavenwood, Decayed, Genocide, Sirius, Shrine, Inhuman, X-Acto, Tarantula, Mata-Ratos, Disaffected, Blacksunrise, Holocausto Canibal, Censurados, Men Eater, Exiled, Gangrena, José Cid, In Solitude, Peste & Sida, Morbid Death, In Tha Umbra, The Temple, If Lucy Fell, New Winds, W.C. Noise, Corpus Christii e Process Of Guilt. Dica: quase todas elas anunciam o relançamento dos seus álbuns mais populares.

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João Branco Martins é consultor em antecipação política e económica, presidente da Associação para o Posicionamento Estratégico e Financeiro (APEFI), autor de três obras sobre economia – sendo que a mais recente (“A Economia lá de Casa, A melhor estratégia para fazer crescer o seu dinheiro e deixar a crise para trás”, Verbo, 2014) foi já alvo de duas edições - ex-radialista do Rádio Clube de Sintra e presença ocasional nas televisões portuguesas, pronunciou-se nas redes sociais acerca do tratamento que a comunicação social e a comunidade internacional estão a dar à Rússia.

Em dois textos publicados na sua página oficial no Facebook no passado dia 28 de Outubro, Branco Martins alertava o seguinte: “agora todos os ataques na Síria são culpa dos russos. De repente mostram-se crianças estropiadas e ensanguentadas no telejornal, apenas para dizer que foram vítimas dos bombardeamentos russos”, enfatizando que “estamos a ser condicionados para odiar os russos”.

Referindo-se ao desenlace da mais recente votação no Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), afirmava: “a Rússia é posta fora do Conselho (…) Quem mantém o seu lugar e liderança? A Arábia Saudita”, nação conhecida pelas contínuas violações dos Direitos Humanos, país que ainda possui a pena de morte e que, em 2015, executou 153 pessoas e, até Julho deste ano, já tinha executado 100 cidadãos – de acordo com os dados da Amnistia Internacional.

Encerrando o seu desabafo acerca da máquina de propaganda actualmente encetada contra a Federação Russa, João Branco Martins alertava, preocupado, que “dentro de uns anos todos nós, eu incluído, estaremos a odiar os russos. Estaremos dispostos a arriscar a nossa vida e a dos nossos filhos contra a Rússia. E digo eu incluído porque ninguém estará imune à lavagem cerebral que nos vão fazer.”

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