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O Ouriço

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O Estado da Troika XIV: Conclusões

Paulino Brilhante Santos 10 Dez 12

 


Estou em crer que seria exagerado afirmar que a Troika poderá ser responsabilizada por este fenómeno que pode ocorrer de uma radicalização das lutas e conflitos sociais não mediados nem por sindicatos nem por partidos políticos moderados que poderia implicar movimentos  sociais inorgânicos de revolta social contra o governo e contra outras instituições. Mas também penso que as políticas impostas pela Troika adicionam petróelo a um fogo larvar que já há muito vem grassando pela sociedade portuguesa, fruto de uma sucessão de políticas e de medidas económicas e sociais de idêntica natureza dita “neo-liberal” aplicadas por ocasião das múltiplas crises que antecederam a atual.


Além disso, desta vez as políticas aplicadas são impostas de forma declarada e explícita pela Troika, ou seja, por uma entidade estrangeira que faz sentir aos portugueses a humilhação adicional da perda da independência e da soberania da Nação. Pior ainda, os portugueses sabem bem que atrás da Troikas esconde-se, em particular, um outro Estado, a Alemanha, eventualmente, acolitado pela França e um outro Estado mais.

 

Assim, os portugueses não ignoram que estão, desta forma indireta embora, a ser governados por uma nação ou, na versão mais benévola, por um reduzido número de nações estrangeiras o que agrava o seu sentimento de perda da independência nacional e de soberania da sua Pátria.

 

A deslegitimação técnica da Troika, a ocorrer em caso de grave falhanço das suas políticas, irá agravar em muito este sentimento, podendo então desencadear um fenómeno de ira popular cuja dimensão, forma, configuração operacional e nível de possível violência tenho alguma dificuldade em prever neste momento. Esta deslegitimação técnica da Troika poderia, como também já afirmei antes, ser decisiva para a definitiva descredibilização e deslegitimização política do governo, dos partidos que o apoiam e da oposição do PS.

 

    Assim, à falta de instâncias de mediação para as lutas laborais e sociais dada a crise dos sindicatos – e não apenas a dos filiados na UGT, quiçá agravada pelo Acordo de Capitulação Social – poderia juntar-se uma ausência de estruturas de mediação capazes de enquadar protestos políticos contra o falhanço das políticas da Troika de que o governo seria responsabilizado. Isto poderia gerar movimentos de contestação social e política inorgânicos que poderiam assumir formas violentas e descontroladas, mas ainda que tal não fosse o caso, dada a sua natureza, tais movimentos inorgânicos seriam sempre de difícil acompanhamento para efeitos de diálogo e tentativa de alcançar quaisquer compromissos políticos que porventura se viessem a revelar necessários para o combate à crise com novas políticas alternativas aquelas que têm vindo a ser seguidas pela Troika.  Esta dificuldade, já de si significatigva, poderia ainda ser agravada pela impossibilidade de criação de partidos políticos alternativos aos partidos do Grande Centrão que pudessem ser viáveis atendendo aos acima mencionados obstáculos à entrada de novos partidos colocados pelo nosso sistema político e constitucional.


Neste sentido do exacerbamento das dificuldades tremendas já sentidas por este inadequado sistema político-partidário da III República em que os partidos do Grande Centrão por um lado parecem ser de todo irreformáveis e, por outro, beneficiam de obstáculos à entrada de novos partidos viáveis no sistema quase insuperáveis, pode-se dizer que a Troika poderá dar a machadada final da já muito escassa capacidade do sistema para resolver os graves problemas nacionais.

 

Nesse sentido, sem a possibilidade de reforma dos atuais e sem hipótese de criação de novos partidos políticos viáveis, nunca será de excluir a possibilidade de derivas anti-democráticas, tanto mais que em Portugal a democracia tem menos de 40 anos e talvez nunca, nesta III República tenha sido sujeita ao tipo de tensões sociais ou mesmo de graves conflitos sociais com aqueles que ainda se poderão vir a viver em Portugal na sequência das medidas de “austeridade” impostas pela Troika. 

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