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O Ouriço

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Congregar, de novo, Nós.

Anabela Melão 13 Ago 15

A malta do PSD diz que aquilo já não é o PSD.
A malta do PS diz que aquilo já não é o PS.
E até a malta do CDS diz que o CDS se finou.
O Ribeiro e Castro explica isto. Diz que o óbito ocorreu logo a seguir ao 10 de Junho. A 11, foi apresentada à imprensa a Comissão Política Nacional da coligação Portugal à Frente. “A PàF tem uma CPN?” – foi a primeira dúvida. 'Onde estava ela prevista? E regulada? Como fora designada? Como foram escolhidos os 13 membros de cada partido, PSD e CDS, e como foram designadas as 6 personalidades independentes?
A dúvida não era para menos: as comissões políticas nacionais, CPN para os íntimos, são os órgãos máximos de direcção política dos partidos; são eleitas em Congresso; e têm alto relevo estatutário, onde estão estabelecidas e reguladas. E esta CPN da PàF? Não sendo brincadeira cosmética, vai substituir as CPN dos partidos da coligação? Os membros destas delegaram funções na da coligação? Ou como se articula tudo? E qual o seu instrumento regulamentar? Quem o aprovou? Quando? Como?'
Liminarmente, com mais umas explicações pelo meio, Ribeiro e Castro concluiu pela morte do CDS. Foi a apresentação pública de uma Comissão Política da coligação, superando órgãos eleitos em Congresso. Foi a nomeação deste órgão sem que ninguém saiba como ocorreu, em processo clandestino. Foi a constituição de uma Comissão Política conjunta com base estatutária ou regulamentar inteiramente desconhecida. Foi o facto de as normas que regerão a respectiva existência não terem, em momento algum, sido apresentadas e aprovadas no Conselho Nacional do CDS. E, mais foi o facto de ninguém esboçar uma crítica, nem sequer os membros da Comissão Política eleitos no Congresso do CDS e assim preteridos e distratados. 'Só numa organização defunta isto é possível.' conclui.
Já parecera a RC que o mesmo tinha acontecido nas eleições europeias de Maio 2014, em que o CDS coligado na Aliança Portugal, averbou uma derrota histórica (27,7%), quase 7 pontos abaixo mesmo dos piores resultados de 1975, com as eleições constituintes disputadas debaixo de coacção em pleno PREC. «Ninguém reagiu grande coisa a esse cataclismo, nem se interrogou sobre o que fazer para recuperar a confiança. O que me levou a comentar que só há uma explicação para um corpo levar uma estocada mortal e não esboçar a mais leve reacção: é já estar morto.»
O óbito do CDS estaria agora confirmado por dois factos recentes: a forma como os conselheiros nacionais do CDS protestaram contra a forma como o Presidente do CDS escolheu e ordenou todos os futuros deputados indicados pelo partido, mas aprovaram por esmagadora maioria (135 votos em 141) essas listas; e a ausência do CDS dos debates televisivos eleitorais e 'a triste forma, de algum modo autoinfligida, como aí se chegou.'
«É claro que existe o partido do Presidente do CDS-PP. Mas não é a associação política, não é uma instituição em sentido próprio, não é o CDS. O partido do Presidente que, blindado na coligação, tudo decide, tudo aprova, tudo escolhe é o sobrevivo. Que o CDS descanse em paz. Quando existiu, prestou grandes serviços a Portugal.» [entrevista ao Observador]
Convenhamos, uma parte significativa dos militantes dos partidos do bloco central opina exatamente o mesmo: que os partidos que militam faleceram. Parece que o tempo será o de os cidadãos se consciencializarem de que outras formas de agregação partidária, transversais, são necessárias. Porque se todos os grandes partidos declaram óbito, a Democracia pode mesmo correr o risco de, já tão ferida, vir a falecer, também.

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