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O Ouriço

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Relva de norte a sul do país.

John Wolf 28 Mai 12

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O tórrido caso do Relvas e o agente secreto será apenas a pontinha de um icebergue. Se todas as caixas de Pandora de Portugal se abrissem com uma chave mestra, seguramente cairiam vários santos e algumas trindades. Lamentavelmente, a decadência ética é a norma que impera. A falsa regra que substitui uma outra, a útil, a justa, a aceitável. Se os lobbies existissem e se instituisse um sistema de controlo de comportamentos, esta novela não ocuparia as mentes brilhantes deste mundo, as televisões e os jornais nacionais - o povo não seria distraído do verdadeiro drama nacional. De um modo transparente e declarado, os lobbies substituem a malandrice e o chico espertismo, tornam credível o exercício da influência e a recolha de informação. Por outro lado se um exame de consciência colectivo fosse feito, chegar-se-ia à conclusão que o tráfico de info-fluências é parte integrante da textura social do país. De um estrato económico social ao seguinte, atravessando todos os partidos sem excepção, no exercício de afectos e no desenvolvimento da profissão, ninguém ousa questionar as dimensões éticas de tais comportamentos. Não ousa, porque os pratica às claras ou às escuras. Em frente às câmaras ou no quarto escuro. É uma espécie de culto da apropriação indevida. São as facilidades concedidas por funcionários públicos, os passes dados para festivais de música com o nome Rio à mistura, a nomeação de membros de comissões de inquérito parlamentares, a dica dada em conselhos de administração  sobre determinados títulos ou acções que se movimentam em bolsa. Em suma, todos têm culpa no cartório. Todos praticam a mesma fé. São práticas quotidianas, socialmente atenuadas e que amolgam de um modo permanente a noção de mérito numa sociedade. Se por portas travessas e com as doses de malandrice que se conhecem, as tais vantagens são alcançadas, então não restará muita esperança na retoma, no reequilíbrio de um país. E não me venham com histórias. A relva cobre Portugal de norte a sul. Chamem-lhe outra coisa se desejarem. É algo que não gramo.

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