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O Ouriço

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A almofada do PS

John Wolf 26 Out 12

 

Um dos legados da Política encontra-se no seu acervo semântico, nas frases que sintetizam um regime, nos desabafos históricos que passam a fazer parte da posteridade e que são resgatados como alibis de um argumento, numa especie de reciclagem de afirmações sem precedentes. A palavra é a ferramenta de eleição dos políticos, sacada de um estojo que pouco mais carrega, que pouco mais comporta, mas que importa imenso. Seja pela via oral ou na redacção apressada  de um decreto-lei, a palavra escolhida com rigor é  plena e autosuficiente. A palavra ajuizada não exige extensões ou justificações - leituras alternativas para a amparar. E é disso que se trata. O encosto no sentido literal. A almofada resgatada de um depósito a prazo, de um banco que se encontra longe do jardim, do descanso e do chilrar dos pássaros. Quando o PS se serve da "almofada financeira" para exprimir um desejo, é como se fizesse a cama no sentido negativo que se conhece. Como se pusesse o dentinho cariado debaixo do travesseiro e formulasse o desejo de multiplicação de divisas.  A Almofada, genérica ou decorada pela fronha, não deixa de ser a indutora da preguiça. Soa a descanso eterno, a dolce vita. A palavra em causa foi mal escolhida. Foi a almofada que induziu o sonho perverso do esbanjamento. É a almofada que sufoca. É a sorte malfadada de quem já não sabe onde ir buscar qualquer coisa que faz falta, como tudo. Deixem lá estar o dinheirinho quieto no sono profundo das catacumbas do Banco de Portugal. Se lhe deitam a mão será mais um desastre a lamentar. Deixem lá a almofada descansar em paz.

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