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O Ouriço

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Os mercados financeiros europeus caem mais um pouco todos os dias. A Espanha caminha para o abismo do resgate. O certo é que se aproxima mais um momento de verdade da Europa amarrada ao bezerro de ouro. E quem anda a apregoar políticas  para salvar a Europa sem encarar o artº 123 do Tratado de Lisboa, anda a enganar-se a si mesmo e quem o escutar.

É neste contexto que a eleição de François Hollande e a “deseleição” do PASOK e da NEODEMOKRATIA têm um mesmo significado. Os dois países realizaram referendos sobre a estratégia económica europeia e o resultado foi “Não”. Não serve. Não presta.

Ouvem-se outras coisas . Os s governantes e media ao serviço dos mercados financeiros retratam o cauteloso François Hollande como uma ameaça. "Perigoso", segundo os neo-liberais do The Economist... Hollande " acredita genuinamente na necessidade de criar uma sociedade mais justa". Oh ! Que escândalo!

A vitória de Hollande e a derrota do Pasok e ND significa o fim de "Merkozy", o eixo franco-alemão que aplicou o regime de austeridade nos dois últimos anos. Os eleitores da Europa querem outra coisa. Querem emprego e crescimento. Cortar gastos em uma economia deprimida apenas aprofunda a depressão. E consumidores e empresas gastam cada vez menos, 50% menos se possível, como nos saldos do Pingo Doce.

Ouve-se que a Irlanda foi um bom aluno com a sua austeridade cada vez mais dura. Mas os custos de empréstimos pela Irlanda continuam muito mais altos que os de Espanha, Itália.  Ouve-se que a Alemanha recuperou desde 2000 mas não se diz que isso resultou de um enorme superávit comercial ante os outros países europeus - em particular, os PIIGS -   que tinham então uma expansão com alguma inflação, graças às baixas taxas de juros.

Alternativas? Os cínicos já falam do desmantelamento do euro que permitiria a médio prazo, a cada país recuperar a competitividade de custos e incrementar as exportações. Mas além de mau negócio, seria uma enorme derrota para o "projeto europeu", o esforço de longo prazo para promover a paz e a democracia mediante a integração.

Alternativas? O reforço do Banco Central Europeu com a anulação do artigo nº123 do Tratado de Lisboa e a possibilidade de o BCE emprestar aos Estados e seus organismos e não apenas à banca comercial. Mas isso exige uma atitude redistribucionista, à maneira de Lonergan, que parece fora do alcance das capacidades intelectuais e morais dos atuais mandantes da Europa, amarrados ao bezerro de ouro.

Uma dura batalha de sombras vai começar entre Hollande e Merkel, à sombra dos entendimentos entre Hollande e Sigmar Gabriel. Talvez Merkollande fique pelos eurobonds, como moeda de trodca de não mexer no BCE. Mas terá que se chegar ao artº 123 do Tratado de Lisboa. Talvez com outros protagonistas.

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