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O Ouriço

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O contágio grego

Faust Von Goethe 16 Mai 12

(...)

Para além disto, como já vimos na semana passada, a saída da Grécia do euro irá provocar a falência do BCE e de todos os bancos centrais da zona do euro, em particular do Bundesbank. O desastre de Fukushima provocou uma comoção fortíssima no povo alemão, que o levou a desistir da energia nuclear. A falência do Bundesbank será o equivalente a um Fukushima monetário, que deverá conduzir a uma alteração drástica da atitude da Alemanha face ao euro.

(...)

Uma das consequências deste contágio deverá ser a fuga de depósitos dos países em risco, em particular de Portugal, havendo recomendações na imprensa internacional de fazer depósitos em euros em países seguros, como a Alemanha. Nada de mais imprudente. Se Portugal sair do euro há uma elevada probabilidade de esses depósitos no exterior serem transformados em novos escudos, valendo muito menos. Pior ainda, os bancos dos países fortes têm investimentos gigantescos em dívida dos países fracos, pelo que têm elevado risco de falir. Tendo em atenção todas as limitações de fazer previsões em tempos de turbulência excepcional, recomendo depósitos em outras moedas que não o euro, feitos em bancos de fora da zona do euro. 

Pedro Braz Teixeira em Cachimbo de Magritte 

 

Leitura(s) Complementar(s): Sequência de posts "fim do euro" por Pedro Braz Teixeira [também em Cachimbo de Magritte].

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Argentinazo Grego

Faust Von Goethe 15 Mai 12

 Gregos estão a retirar as suas poupanças da banca grega e a apostar em dívida alemã.

Afinal, o que os gregos estão a fazer, já as grandes famílias de magnatas gregos- os Onassis, os Niarchos os Livanos e os Latsis- o fizeram muito antes da Grécia pedir ajuda externa. 

 

Só os Latsis possuem também uma frota de petroleiros e contentores avaliados em 400 mil milhões de euros.

 São também donos da holding EFG Bank European Financial Group sediada no Luxemburgo, que opera em larga escala no MónacoReino Unido e Suíça-país que há bem pouco tempo teve de adoptar uma taxa de juro de -0,25% para fazer face à revalorização do franco suíço face ao euro.

 

Ou seja, pouco mais de metade dos 700 mil milhões que os gregos tiraram hoje dos seus bancos. Coisa pouca!

 

Na imagem: Spiro Latsis, número 51 na lista dos mais ricos elaborada pela revista Forbes em 2006 e o número 56 em 2007.

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     Segundo  no The Guardian, esta saída passará por:

 

1) Paralisação política;

2) BCE deixa de aceitar colateral e troika fecha a torneira, levando a que o país fique sem dinheiro;

3) Controlo de capitais e nacionalização dos bancos;

4) Imediato choque económico de grande dimensão provocando aumento do PIB, assim como um disparar das taxas de desemprego e emigração;

5) Default em larga escala. 

 

      Segundo Wolfgang Munchau em Financial Times, esta saída passará por:

 

1) Manter as actuais políticas o que deverá elevar o desastre político e económico;

2) Forçar equilíbrio da balança orçamental primária grega e fazer default total a toda a dívida privada e pública (incluindo FMI, BCE e UE);

3) Aliviar a austeridade, reverter o programa de ajustamento e fazer default unilateral.

4) Sair já do Euro de forma voluntária.

 

Leitura complementar: Desta vez a conversa da saída da Grécia é para levar a sério? no blogue Massa Monetária.

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A Marshalsea Grega

Faust Von Goethe 14 Mai 12

 

Averel: Temos de agradecer ao nosso Governo… Talvez estejamos a trabalhar como escravos por um simples naco de pão, mas pelo menos, evitamos a bancarrota!!!
Joe: Averel, cala-te!!!

 

Obs:na placa abaixo do guarda lê-se "sector privado". A segunda bandeira (ANT) é a do FMI.

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Eurodämmerung a.k.a Paul Krugman

Faust Von Goethe 13 Mai 12

 

1. Greek euro exit, very possibly next month.

2. Huge withdrawals from Spanish and Italian banks, as depositors try to move their money to Germany.

3a. Maybe, just possibly, de facto controls, with banks forbidden to transfer deposits out of country and limits on cash withdrawals.

3b. Alternatively, or maybe in tandem, huge draws on ECB credit to keep the banks from collapsing.

4a. Germany has a choice. Accept huge indirect public claims on Italy and Spain, plus a drastic revision of strategy — basically, to give Spain in particular any hope you need both guarantees on its debt to hold borrowing costs down and a higher eurozone inflation target to make relative price adjustment possible; or:

4b. End of the euro.

Fonte: Paul Krugman@NYTimes [e partilhado no tweeter por Nouriel Roubini]

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As duas grécias

Faust Von Goethe 12 Mai 12

 

Desfeitas as possibilidades de formação de um governo de unidade envolvendo os três partidos mais votados-Nova Democracia,Syriza e PASOK- a grécia vai [provavelmente] a votos [durante o próximo mês].

 

Num sentido lato, os gregos terão de decidir entre a continuação na zona euro ou a de abarcar com os custos de um default desordenado-o que poderá conduzir, tal como na Argentina em 2001, a uma falência política, institucional e moral.

 

Quem acompanha por perto a realidade grega, percebe que nesta Grécia existem na realidade duas grécias: uma grécia descontraída e relaxada, não particularmente ambiciosa que pretende empregos bem remunerados, mas em que se exige pouco, a que trata as leis como meras directrizes - segue-as quando lhes convém, ignora-as quando não. 

 

A outra grécia-a oprimida-glorifica a rebelião, teima em julgar, mas teme ser julgada. De acordo com os comentadores gregos, esta grécia é paranóica e vive de teorias da conspiração, tentando culpar os outros, mas não reconhecendo a culpa em si mesma. 

 

Actualmente, a Grécia é mais do que um simples país insular.É um país inseguro com a sua posição na Europa, inseguro sobre as suas reais valias para vencer a crise, e inseguro quanto ao seu real potencial para vir a ter sucesso e de dobrar esta crise com a perseverança dos bravos. 

 

Leituras complementares:


Documentário complementar:

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Há previsões felizes mas...

Faust Von Goethe 21 Abr 12

Logo desde início, quando comecei a escrever neste blogue, que a principal preocupação dos meus colegas de escrita, em especial do meu caro amigo João Jardine, eram as yields da dívida Portuguesa.

 

Na altura-em Janeiro-em vésperas da cimeira Europeia de 31 Janeiro, tive a oportunidade de lhe transmitir em surdina, assim como escrever no meu post mais longo e um dos mais sarcásticos de sempre, que Espanha e Itália estavam muito pior que Portugal em si.

 

A notícia de hoje do Expresso (alguns meses depois) veio confirmar a minha previsão. No entanto, fica a questão: "Se Espanha e Itália estão bem pior que Portugal, porque nós pedimos ajuda externa e os outros (ainda) não?"

 

Nos próximos tempos, o leitor irá começar a consciencializar-se de que a opção "resgate financeiro", que nos irá tentar ser vendida a partir de meados de Maio, irá por à tona todos os nossos problemas estruturais que, não são apenas nossos e muito menos de agora. Basta ler nas entrelinhas os últimos números da execução orçamental.

 

Os próximos tempos avizinham-se interessantes do ponto de vista geopolítico. Será importante que, em caso extremo, não se hostilize os partidos da oposição- nem o PS e muito menos CDU e BE, que decidiram por ideário ideológico, não assinar o memorando de entendimento.

 

A democracia está em xeque e criar fissões, neste momento, é de todo dispensável.

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O mesmo não se aplica a Comissão Europeia. Idem para o Governo Português ...

 

Adenda: Pedro Reis da AICEP, dromedários e afins também deveriam ler estes relatórios, antes de dizerem disparates tanto em conferências públicas como em entrevistas à RTP [a partir de Maputo].

 

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Portugal tem oito meses para impressionar mercados e a troika

Contrariariamente aos idiotas da comissão europeia e do governo, o FMI-que até está a fazer um óptimo trabalho, diga-se de passagem- parece estar bem mais optimista.

 

Pena é que o idiota-mor do costume tenha [com as entrevistas à Rádio Renascença e ao jornal alemão Die Welt] feito passar o ministro mais competente deste governo pelo ridículo, já para não falar que entregou o ouro aos especuladores financeiros, ao dizer abertamente que seria necessário um segundo pacote de ajuda externa. Este é daquele tipo de coisas que um primeiro-ministro não deveria ter dito de forma aberta a um jornal.

 

No caso deste programa de ajustamento financeiro correr mal, governo e comissão europeia apenas se terão de queixar da incompetência deles próprios, pois houve desde início um voto consensual dos partidos do governo e do maior partido da oposição, ao assinarem este memorando assim como um governo com maioria parlamentar que lhe permite ter condições políticas para aplicar de forma escrupulosa o memorando.

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