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O Ouriço

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Austeridade, vai-te lixar!

John Wolf 6 Out 12

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Publicado no Caleidoscópio, partilho o artigo com os ouriçados...

 

Aqui está o link:

 

Austeridade, vai-te lixar!

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Parabéns Super Mario!

Faust Von Goethe 3 Set 12

 

Há quase 1 ano atrás-pode ler-se em http://idp.somosportugueses.com/site/?p=5023- escrevi o perfil do [ainda] desconhecido Mario Draghi como tentativa de antecipar o que seria o seu mandato à frente do BCE.


Ao fim de quase 1 ano, mantenho ainda a minha convicção de então- de que será Draghi o salvador do euro.

 

Leitura Complementar: Parabéns Sr. Draghi!

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Zona Euro pelo Fio da Navalha-#2

Faust Von Goethe 9 Ago 12

DÍVIDA SOBERANA, sua relação com os BANCOS CREDORES E A URGENTE E  SENSATA NECESSIDADE DE PRUDENCIAL SUPERVISÃO BANCÁRIA

 

por Vilma Muniz de Farias, advogada no Brasil, ex-advogada do Sistema Financeiro, e ex-membro da comissão jurídica da FEBRABAN (Federação Brasileira dos Bancos ).

 

O primeiro artigo do debate do Ouriço, “Zona do Euro pelo fio da Navalha”, do jovem economista, Ricardo Gonçalves, sugere que a melhor solução para a crise do euro é a intervenção do BCE, já que só esta fará com que haja uma aproximação não artificial dos custos de endividamento, e nivelando os mesmos por baixo, já que praticamente aniquilam os riscos de não cumprimento.

 

Sem dúvida, o conselho parece sábio, mas tecnicamente a intervenção é nada mais do exercício de supervisão bancária prudencial,  necessária para o equilíbrio do sistema financeiro da zona do euro, bem como  para economia mundial.

 

Os bancos cumprem um papel importante na economia como  instituições financeiras que são, e  tem a função de rentabilizar às economias e poupanças das pessoas e empresas,  através do pagamento de juros, financiando-lhes o consumo e o investimento,  cobrando para tanto,  juros e comissões. Além dessa atividade, realizam serviços de pagamentos e recebimentos também para os clientes, pessoas físicas e jurídicas, mediante tarifas.

 

No entanto, a função básica de um banco é viabilizar o sistema  de pagamentos ou seja,  realizar as operações de mercado. O cidadão que trabalha, por exemplo,  tem sua produção paga pelo salário que é transferido, dentro da instituição financeira pelo seu empregador (pessoa privada ou pública) para a conta do empregado, que saca em dinheiro ou paga através de cheques,  os valores recebidos a seus credores,  fornecedores de produtos e serviços para sua sobrevivência, lazer, investimento, saúde, educação etc. Cada qual dos componentes dessa rede, fornecedores, empregadores, empregado, comerciantes, prestadores de serviço, realizam a operação de mercado.

 

Soma-se ao papel dos bancos a circulação da moeda.

 

O Banco também empresta aos consumidores finais mediante o pagamento de juros. Viabiliza créditos, mediante remuneração do capital. Mas, uma regra básica de manutenção da liquidez do sistema é que o montante global dos créditos concedidos deve representar, para segurança financeira da empresa bancária, uma porcentagem dos depósitos à vista, designados como “Depósitos compulsórios”.

 

Portanto, depósitos compulsórios representam a condição necessária para a regulação do mercado de reservas bancárias, onde a política monetária é, dinamicamente, executada, através das operações de mercado aberto, para a fixação da taxa de juros.

 

Já estamos a falar agora de política monetária, que é um conjunto de atos governamentais e normas que mantém o equilíbrio de pagamentos, as operações de mercado, a força da moeda, decidindo a sua criação, equivalência, encaixe,  uma verdadeira  arte que em tempos atuais, tem sido fator de desgaste para nações e governos.

 

Nesse passo, a  obrigatoriedade do Banco, enquanto integrante da política monetária,  de recolhimento (em espécie) de parcela dos depósitos que recebe  a um Banco Central demonstra o padrão de comportamento das instituições bancárias,  definindo, por sua vez, a demanda por reservas bancárias, ou seja, qual a margem de segurança com que um banco pode conceder créditos a pessoas e países sem causar problemas de liquidez, caso a dívida não seja paga no prazo final.

 

O papel, portanto, de um Banco Central é o de gerenciar as  operações diárias que aumentam ou reduzem as disponibilidades de liquidez, ou seja, a oferta de moeda.

 

Portanto, as  funções de supervisão bancária exercidas por um banco central, têm em conta não só  a proteção ao investidor, através de normas de conduta na aplicação dos seus recursos, prestando informações claras e precisas, mas em se adotando a supervisão prudencial, manter  controle à distância (hoje possível e cada vez mais sofisticado pelos sistemas informáticos), com vistas a verificar a estabilidade financeira das instituições,  individualmente consideradas, no sentido, de proteger os depositantes e outros pequenos credores, fiscalizando-lhes as taxas de juros praticadas, forma e método; e, finalmente, devem manter a análise macro-prudencial, que envolve todas as atividades que dizem respeito  ao acompanhamento da exposição ao risco sistêmico e a identificação de potenciais ameaças à estabilidade das políticas monetárias geradas pela evolução macroeconômica ou dos mercados financeiros, bem como pelas infra-estruturas do mercado.

 

As regras de supervisão as chamadas regras da Basiléia, na Suíça, proveniente do BANK FOR INTERNATIONAL SETTLEMENTS o BIS, que daria segurança a todo sistema financeiro mundial, equilíbrio necessário para a liquidez do sistema e para tudo  não ir aos ares.

 

A missão do Banco de Compensações Internacionais (BIS) é servir os bancos centrais na busca da estabilidade monetária e financeira, promover a cooperação internacional nestas áreas e para atuar como banco dos bancos centrais.

 

Em linhas gerais, o BIS tem como missão a promoção do debate,  facilitar a colaboração entre os bancos centrais; apoiar o diálogo com outras autoridades que são responsáveis pela promoção da estabilidade financeira; realizar pesquisas sobre questões políticas com que se confrontam os bancos centrais e autoridades de supervisão financeira; atuar como contraponto principal para os bancos centrais nas suas transações financeiras, e servindo como um agente ou fiduciário em conexão com operações financeiras internacionais.

 

Mas aí eu me volto à sugestão de Ricardo Gonçalves para solução da crise na zona do Euro – ou seja a intervenção do BCE na economia, já que só esta fará com que haja uma aproximação não artificial dos custos de endividamento.

 

O BCE deve intervir , fiscalizando a atuação dos Bancos.

 

Questão importante é a direção segura do BCE aos Bancos Centrais Europeus que por sua vez devem se orientar por regras de liquidez e segurança ditadas pelo BIS.

Discussões à parte sobre sua legitimidade em funcionar como o Departamento do Tesouro Americano no controle do dólar já que não está prevista a instituição de um Estado federal autônomo, dotado de um orçamento em escala européia.

A quem diga que há “incerteza também quanto ao estabelecimento de uma confiança hierárquica associada às instituições monetárias oficiais que garantam a perenidade da moeda e sua capacidade de libertar indivíduos e coletividades de suas dívidas, tanto públicas quanto privadas”.

Há no caso, sempre a pairar a dúvida residente  na falta de legitimidade política do BCE, autoridade administrativa supranacional, independente, sem interlocutor democraticamente legítimo de mesmo porte – como o é o Departamento do Tesouro Americano.

A criação do euro está, de certa maneira, “investida da missão de fazer com que, sub-repticiamente, surja essa comunidade. Daí os questionamentos sobre a irreversibilidade do processo, enquanto não for constituído um verdadeiro governo”.

 

Voltando ao objeto de minha fala, acredito que os bancos não devem criar remunerações artificiais desfocadas do seu custo, fator que representa por vezes a insustentabilidade e inexequibilidade dos contratos,  não somente com consumidores finais mas com países,  em se tratando de dívidas soberanas, pois nesse caso para conseguirem se  endividar na própria moeda, os países devem buscar políticas econômicas que reduzam a volatilidade cambial,  elevem o crescimento não inflacionário da economia  (PIB potencial), assim como devem melhorar institucionalmente os contratos e a estabilidade das regras, principalmente as regras que tem como finalidade a sustentação do sistema financeiro equilibrado; e, por fim, devem contribuir para o aprofundamento e liquidez dos mercados financeiros domésticos.

 

Parece simples assim, mas porque falha? Dívidas soberanas hoje são o nó górdio dos países do sul da zona do euro.

 

Mesmo após o ingresso na União Européia, Grécia e Portugal ainda apresentam sérias dificuldades em administrar os seus níveis de dívidas soberanas, mesmo estes sendo facilmente administráveis por outros países. Em certo sentido, as dívidas dos países da periferia da Zona do Euro são similares às dívidas de países emergentes. 

 

Denisio Liberato, em sua obra, Ensaio sobre Dívida Soberana, tese de doutoramento apresentada à Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas, nos diz que ao investigar sua tese percebeu que as primeiras pesquisas sobre o tema concentraram sua atenção sobre o problema da “disposição em pagar” dos governos, já que os países se dispunham a pagar suas dívidas, dado que gozam da “Imunidade Soberana”.

 

Devido às perdas em suas carteiras de títulos soberanos, os bancos na Europa estão aparentemente subcapitalizados, e na impossibilidade de levantar capital somente lhes resta reduzir a oferta de crédito, o que acentua a recessão, reduzindo ainda mais a taxa de crescimento econômico.

 

O desequilíbrio nasce para os países devedores de bancos privados pois as taxas de juros ou o sistema de aplicação destes, criadas a partir da histórica rentabilidade das carteiras de fundos securitários, tornam a dívida impagável, o que está a merecer a sensata negociação de taxas e redirecionamento da gestão central do BCE.

 

Países tem imunidade Soberana.

 

Pretendendo ser mais didática possível, imunidade Soberana como é  a doutrina que impede um processo judicial contra um Estado membro, caso ele não pague a dívida contraída.

 

Quando uma empresa privada fica inadimplente em um contrato de dívida, os seus credores irão recorrer ao sistema legal-jurídico do país para tentar reaver os valores do empréstimo. No entanto, quando ocorre uma inadimplência de um governo, a disponibilidade de canais para algum tipo de recurso é bastante limitada pela doutrina da “Imunidade Soberana”, doutrina esta,  portanto,  que impede um processo judicial contra um Estado soberano, sem o consentimento do mesmo.

 

O fato é que atualmente, um dos problemas mais graves enfrentados por vários países da União Européia é o da existência de uma dinâmica perversa da dívida pública.

 

Como apontou a tese de Denisio Liberato, a literatura escrita  sobre o tema em foco, procurou explicar as causas das crises de dívida focando sua atenção sobre a “capacidade de pagar” dos governos e não sobre a sua “disposição em pagar”. Em certa medida, “disposição em pagar” e “capacidade de pagar” podem estar interligadas. Um país pode, por exemplo, não estar “disposto a pagar” sua dívida, pois o pagamento exigiria um sacrifício sobre sua capacidade de pagamento, reduzindo-a a níveis inaceitáveis.No sentido inverso, um país pode não ter a “capacidade de pagar” em função das restrições impostas pela política econômica aos recursos (escassos) do governo, alterando a “disposição a pagar”. 

 

Cada país tem de gerar superávits primários maiores do que o produto da relação dívida/PIB pela diferença entre a taxa real de juros e a taxa de crescimento econômico. Se isso não ocorrer, a relação dívida/PIB cresce ilimitadamente, provocando o default.

 

 A par de se adotar uma política cambial, econômica, há que se estabelecer um novo papel ao BCE de fiscalização e supervisão prudencial no sentido de evitar o crescimento da crise bancária também,  identificada pela situação na qual  houve ocorrência de uma corrida bancária que levou a instituição financeira a ter de aceitar algum tipo de socorro por parte do governo.

 

Mesmo não ocorrendo uma corrida bancária, expressivos montantes de recursos foram utilizados para a recapitalização dos bancos.

 

Os 90 bancos europeus no final de 2010 detinham, €40,2 mil milhões em dívida pública portuguesa.

 

Os maiores credores são, de longe, os bancos portugueses. As quatro instituições nacionais portuguesas - Caixa Geral de Depósitos, BCP, Espírito Santo Financial Group e BPI - detinham €19,6 mil milhões em dezembro de 2010. O 1.º lugar da lista é ocupado pelo banco público, com uma exposição direta bruta de €6530 milhões é o BES .

 

Além das quatro instituições nacionais, destacam-se as posições da banca espanhola (€5492 milhões), a francesa (€4751 milhões) e alemã (€3320 milhões). Entre os 90 bancos submetidos ao teste, apenas 49 revelaram possuir dívida pública portuguesa.

 

No entanto, por esta abordagem, um default ou uma reestruturação de dívida seriam naturalmente interpretadas como uma situação na qual a disposição do governo em pagar foi de algum modo, quebrada, por um evento imprevisto. Este fato levantou a questão do porque os credores privados estariam então, dispostos a emprestar recursos aos governos.

 

Os credores privados são representados pelos Bancos, por isso adentrei na especificação de seu funcionamento dentro do sistema, chamando a atenção para o respeito às regras de liquidez, mesmo porque auxiliando na política dos países, acabam por encontrar nos governos ajuda para a manutenção de seu equilíbrio e ingressos de capital por vezes desnecessários,  mas em nome do ajuste de suas contas.

 

A gravidade do problema se acentua porque crises de dívida soberana e crises bancárias andam juntas.

 

Finalizando, deixo-vos à reflexão:

 

Supervisão e fiscalização prudencial devem ser adotadas. Dívidas soberanas devem ser negociadas por conta da imunidade soberana dos países,  a partir de uma revisão na origem e  aplicação das taxas de juros e a forma de sua aplicação ao capital.

 

Os calotes históricos dão conta de que países se recuperaram e ganharam fôlego para arrumar a casa, mas sempre com o arcabouço de um banco central forte (banco de supervisão) a orientar os demais bancos ao equilíbrio necessário do sistema mundial e evitando as oscilações danosas às economias do planeta.

 

Novo papel a ser conferido ao BCE e resolução de vez na formação de um governo único para a União Européia, para o fortalecimento da moeda comum.

 

 

 

Fontes:

 

 

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Zona Euro pelo Fio da Navalha-#1

Faust Von Goethe 6 Ago 12

Soluções para a crise do Euro 

por Ricardo Gonçalves do blog EcosEconomia

 

Antes de mais, não vale a pena estar aqui com grandes considerações acerca de todo o percurso da crise do euro. Este já é sobejamente conhecido. Assim, neste artigo preocupo-me, fundamentalmente, em reflectir sobre que caminhos deve seguir a UEM. Várias propostas já foram analisadas, nomeadamente: o haircut das dívidas, os eurobonds e ainda a existência de um novo papel para o BCE. Analisemos então cada uma destas propostas:

 

1 – Haircut das dívidas

 

Esta tem sido uma das medidas defendidas, principalmente por alguns partidos mais à esquerda. Será esta solução possível, e sendo assim quais serão as suas consequências? Primeiramente, esta é possível, contudo parece-me que é algo que pode ser muito negativo, na medida em que pode afastar estes países por vários anos dos mercados financeiros, bem como aumentar, significativamente, os custos de financiamento do Estado e dos privados, o que tem efeitos negativos no investimento e no crescimento. Para demonstrar isto, pego num caso que remonta ao início do século XXI ( a crise argentina), que sofreu os efeitos de uma bancarrota

 

Taxa de crescimento do PIB real argentino

 

 

1999

-3%

2000

0,8%

2002

-14,7%

               Fonte: IndexMundi

 

Como vemos pelo gráfico, a economia argentina sofreu imenso com o incumprimento de dívida. É verdade que, posteriormente a economia argentina recuperou, mas nestes anos sofreu uma quebra do PIB de cerca de 20%. No caso da Argentina, este incumprimento era inevitável, contudo no caso da UE parece-me que as circunstâncias são diferentes, principalmente pelo facto de o Euro ser internacionalmente uma moeda de referência, ao contrário do peso argentino, o que implica que os países do euro se possam financiar internacionalmente na sua própria moeda. Assim, como mostrarei à frente, este é um facto importante para delinear outro tipo de soluções.

 

2 – Eurobonds

 

Este tipo de obrigações tem sido apontada como outras das soluções para resolver a crise europeia. No entanto, tal solução parece-me que dificilmente será exequível, na medida em que países como a Alemanha, não aceitarão que os seus custos de financiamento aumentem consideravelmente, na medida em que nestas será incorporado o risco dos países do sul da Europa. Para além disso, este mecanismo não afasta um risco sempre presente que é o de incumprimento dos países. Finalmente, parece-me que caso a zona euro resolva os seus desequilíbrios não são necessários os eurobonds para os custos de financiamento dos países aproximarem-se ( ver figura seguinte).

 

 

 

Como se vê, antes do início desta crise financeira, as taxas de juro dos países da UEM eram relativamente similares. Assim, parece-me o que deve fazer, na minha opinião, é criar as condições para que isto volte a acontecer e não forçar, através da criação dos eurobonds, que cheguemos a esta situação. Assim, com os eurobonds penso que a qualquer altura, pode acontecer que haja um ataque especulativo a estes, aumentando seriamente as taxas de juro, fazendo com que países como a Alemanha tenham tendência a sair deste mecanismo. Parece-me então que é necessário uma solução mais forte, e que traga mais vantagens para os países. Que solução é essa?

 

 

Intervenção do BCE

 

A chave para a solução da crise parece-me a intervenção do BCE. Assim, o BCE deve funcionar como um credor de último recurso, garantindo o pagamento das dívidas dos países, bem como o seu serviço de dívida. Parece-me que esta solução face ao eurobonds, tem a vantagem de ser mais credível, em caso de aplicação, bem como de afastar quase por completo, o risco de incumprimento, o que faz com que as taxas de financiamento sejam ainda mais baixas.

 

Quais as reservas da Alemanha?

 

Contudo (como se viu nesta semana anterior), a Alemanha tem muitas reservas em relação a uma forte intervenção do BCE. Porquê? Tal deve-se ao profundo medo que a Alemanha tem da inflação (aliás se forem ao site do BCE, este apresenta-nos a inflação como um monstro). Contudo, isto poderá ser ultrapassado. Como? Primeiro há que frisar, como já demonstrei num post no meu blog ecoseconomia, a garantia sobre dívidas passadas não cria inflação. Esta resulta de pressões sobre a procura agregada, e esta acumulação de dívida já criou estas pressões no passado. No entanto, a Alemanha tem medo que no futuro, isto seja uma almofada para estes países incumpridores que a verão como um incentivo a mais endividamento.

 

Assim, o que deve ser feito?

 

Devem ser criados um conjunto de critérios, nomeadamente alguns já bem conhecidos, tais como os orçamentais. No entanto, deve ser acrescentado outro igualmente importante que diz respeito ao equilíbrio da Balança Corrente. Se analisarmos os países resgatados vemos que estes apresentam um ponto em comum (que é o desequilíbrio desta Balança). Se analisarmos o caso argentino (país que tem registado uma apreciável recuperação económica), vemos que antes do rebentar da crise, esta economia acumulou sucessivamente desequilíbrios da Balança Corrente, que foram resolvidos no pós-crise, registando-se actualmente um equilíbrio dessa mesma Balança

 

 

 

Como se comprova, os sucessivos desequilíbrios externos, resultaram numa bancarrota. Contudo, após isso, esse rumo inverteu-se. No entanto, como sabemos a Argentina não está agrupada numa área monetária, o que faz com que tenha ao seu dispor a política cambial (aliás, por detrás deste incumprimento, esteve a adopção de um regime de câmbios fixos face ao dólar, o que criou graves desequilíbrios). Assim, para o caso dos países do sul estes equilíbrios são possíveis? Para responder a esta questão, analisemos a evolução desta Balança, após as medidas de austeridade. Para o caso português em 2013 atingiremos já o equilíbrio desta Balança Corrente. Para o caso irlandês esse equilíbrio já foi atingido. Assim, isto só mostra que estes desequilíbrios foram frutos de pressões excessivas do lado da procura, que podem perfeitamente ser resolvidas no interior de uma área monetária.

Assim, também deve ser uma prioridade dos países este equilíbrio, e deve ser um dos critérios para uma nova zona euro.

 

Conclusão

 

Assim, parece-me que a melhor solução é a intervenção do BCE, já que só esta fará com que haja uma aproximação não artificial dos custos de endividamento, e nivelando os mesmos por baixo, já que praticamente aniquilam os riscos de incumprimento. Assim, é uma melhor solução que os eurobonds. No entanto, como se demonstrou para o caso argentino, deve-se promover os equilíbrios macroeconómicos, nomeadamente o da Balança Corrente, que como se demonstra para o caso argentino, contribuiu para o recomeçar de um período de crescimento. Relativamente ao haircut, não me parece uma boa solução, pois estando numa área em que os países se endividam na sua própria moeda, não há o risco de haver pressões especulativas, no sentido da desvalorização da moeda, já que as expectativas no caso europeu desempenham um papel fundamental. Assim, há espaço para o BCE garantir as dívidas, em contrapartida de critérios exigentes e que devem ser para cumprir. 

 

 

Disclaimer:

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Uma recente notícia da cadeia Bloomberg, dá conta que os bancos centrais de todo o mundo  encontram-se na vanguarda no que toca à recolha de (novos) dados estatísticos-relatados pelo motor de pesquisa Google-para posteriormente serem utilizados como [novos] indicadores económicos, com o objectivo de medir a procura por parte dos consumidores antes que as estatísticas oficiais sejam divulgadas.

O objectivo em causa prende-se com a uma implantação de respostas políticas mais eficientes, permitindo uma “maior clarividência que pode fazer toda a diferença entre a previsão uma desaceleração, de uma recessão, de uma recuperação ou até mesmo de uma inflação”, de acordo com as palavras de Erik Brynjolfsson -membro FED e do conselho académico e consultivo de Boston", argumentando ainda que "quando os bancos centrais analisaram os ditos dados tradicionais, eles estavam essencialmente a olhar pelo espelho retrovisor".

Erik Brynjolfsson defendeu ainda que “caso o FED tivesse tido acesso à-priori de informações relativas ao mercado de habitação, teria diagnosticado de forma mais célere sobre o que se estava a passar no mercado imobiliário e conhecido, mais rapidamente, a profundidade do problema" durante a recessão de 2007-2009.

A investigação de previsões económicas via contagens de pesquisa do Google - que totalizaram 119 bilhões em todo o mundo, no passado mês de Junho, de acordo com a empresa de pesquisa de Internet ComScore Inc. (SCOR) - surge assim como uma nova ferramenta filedigna de recolha de dados económicos. No entanto há quem defenda o contrário, como a professora Lucrezia Reichlin-antiga chefe de investigação do Banco Central Europeu e, agora, professora na London Business School.


Segundo ela, "usando o Google poderia ser interessante, mas neste momento as previsões deste relativas a variáveis macroeconômicas não são fiáveis”, rematando com a seguinte frase:

O Google é sensual e algo pode vir dele, mas é necessária uma maior investigação.

Adenda: O Google disponibiliza os nossos dados de pesquisas web três dias após as realizarmos.

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A velocidade política da Europa

John Wolf 30 Jun 12

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O Presidente da Comissão Europeia José Manuel Barroso, o Presidente do Banco Central Europeu Mario Draghi, o Presidente do Conselho Europeu Herman Van Rompuy e o Presidente do Euro-Grupo Jean-Claude Juncker apressam-se para cozinhar uma receita de salvamento da União Económica e Monetária. Em cima da mesa encontram-se os ingredientes necessários à confecção do remédio. A possibilidade de emissão de Eurobonds, o estabelecimento de um Fundo de Garantia Bancária, a prossecução de uma genuína integração fiscal no seio da União Europeia, para além dos fundos de resgate à banca e outros mecanismos centrais ou acessórios de consolidação orçamental na Eurozona. Até aqui tudo bem. Serão grosso modo estes os elementos operativos para superar a crise estrutural. Mas faltará um pequeno detalhe. Um factor que dinamiza tudo o resto. Sem vontade política todas as soluções que se venham a congeminar não sairão do estaleiro e parece que a Europa está disposta a eternizar os desafios, pelo entendimento que faz do sentido da urgência, pela forma como percepciona a noção temporal. Segundo os próprios cozinheiros da resposta europeia, o plano a ser implementado não será quinquenal. Será muito mais pernicioso, intensamente mais nefasto. O plano delineado está a ser pensado para os próximos dez anos, enquanto o que se exige é uma resposta para os próximos dez dias. Com esta noção de velocidade política não chegaremos a bom porto. A desagregação das uniões está ao virar da esquina. Neste caso a infracção cometida não tem a ver com o excesso, mas  com a falta de velocidade. Deparamo-nos com o peso da matriz cultural, a antiguidade, a lentidão da longa história, da tradição. A Europa fiel a si.

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Fonte: Dicionário da Austeridade - Edições Nova Europa, 2012

 

Resgatear. (de regatear + resgateV.t.d.T.d. e i Resgatar sem a anuência do sujeito; Resgate condicionado pelo regateio do visado. "A Espanha resgateará os termos mais adequados da ajuda a receber e que nunca será denominada de resgate"(Mariano Rajoy, a propósito do resgate financeiro, Madrid, 10 de Junho de 2012). Embora seja um verbo derrogatório e de uso raro, admite-se que possa vir a ser utilizado com maior frequência.

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Queridos Estado europeus


Hoje queria escrever-vos sobre aquele pequeno grande princípio que diz: "Não há impostos, sem representação". Até rima em inglês "No taxation without representation" mas parece que foi pela primeira vez inventado na revolução de Nápoles, pelo famoso Masaniello contra o império espanhol em 1647.

Foi uma boa década, de facto. Andava tudo a fazer res publica embora o camarada Oliver Cromwell em Inglaterra acabasse por dissolver o Parlamento. Os Países Baixos também já andavam como república a fazer a vida negra ao império espanhol. Em 7 de Junho, a Catalunha revoltou-se e andou às turras até aos Tratados dos Pirenéus. Em 1 de Dezembro tivemos a nossa gloriosa, que depois deram em chamar restauração mas que conforme o querido assento de 1641 foi a justa Aclamação, uma das nossas Magnas Cartas que devia ser conhecida desde a escola pois diz que o "poder está no povo que o delega nos reis e o tira ao tiranos".

E, Queridos Estados, o princípio continua a ser verdadeiro. Essas emissões de dinheiro por crédito que o vosso imperial BCE concede de mão beijada aos bancos privados europeus, ao lhes emprestar a 1% o que eles vos reemprestam a 5%, é um caso típco de impostos sem representação. E além disso é um tiro nos pés da vossa desregulada economia. Vai ter de acabar, meu queridos, porque o forró dos juros já foi longe demais para os queridos emprestadores prestamistas. Por isso junto uma ilustração antiga em que um rapaz chamado Vasconcelos caiu de uma janela abaixo, mas não inadvertidamente, porque era o tomador de empréstimos para o império espanhol. E os nosso representantes acharam por bem defenestrá-lo.

Acontece, queridos estados, quando os povos se zangam

Assino, com os meus cumprimentos

Querido Revoltado

 

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O contágio grego

Faust Von Goethe 16 Mai 12

(...)

Para além disto, como já vimos na semana passada, a saída da Grécia do euro irá provocar a falência do BCE e de todos os bancos centrais da zona do euro, em particular do Bundesbank. O desastre de Fukushima provocou uma comoção fortíssima no povo alemão, que o levou a desistir da energia nuclear. A falência do Bundesbank será o equivalente a um Fukushima monetário, que deverá conduzir a uma alteração drástica da atitude da Alemanha face ao euro.

(...)

Uma das consequências deste contágio deverá ser a fuga de depósitos dos países em risco, em particular de Portugal, havendo recomendações na imprensa internacional de fazer depósitos em euros em países seguros, como a Alemanha. Nada de mais imprudente. Se Portugal sair do euro há uma elevada probabilidade de esses depósitos no exterior serem transformados em novos escudos, valendo muito menos. Pior ainda, os bancos dos países fortes têm investimentos gigantescos em dívida dos países fracos, pelo que têm elevado risco de falir. Tendo em atenção todas as limitações de fazer previsões em tempos de turbulência excepcional, recomendo depósitos em outras moedas que não o euro, feitos em bancos de fora da zona do euro. 

Pedro Braz Teixeira em Cachimbo de Magritte 

 

Leitura(s) Complementar(s): Sequência de posts "fim do euro" por Pedro Braz Teixeira [também em Cachimbo de Magritte].

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     Segundo  no The Guardian, esta saída passará por:

 

1) Paralisação política;

2) BCE deixa de aceitar colateral e troika fecha a torneira, levando a que o país fique sem dinheiro;

3) Controlo de capitais e nacionalização dos bancos;

4) Imediato choque económico de grande dimensão provocando aumento do PIB, assim como um disparar das taxas de desemprego e emigração;

5) Default em larga escala. 

 

      Segundo Wolfgang Munchau em Financial Times, esta saída passará por:

 

1) Manter as actuais políticas o que deverá elevar o desastre político e económico;

2) Forçar equilíbrio da balança orçamental primária grega e fazer default total a toda a dívida privada e pública (incluindo FMI, BCE e UE);

3) Aliviar a austeridade, reverter o programa de ajustamento e fazer default unilateral.

4) Sair já do Euro de forma voluntária.

 

Leitura complementar: Desta vez a conversa da saída da Grécia é para levar a sério? no blogue Massa Monetária.

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