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O Ouriço

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Quem já teve a responsabilidade económica de um meio de comunicação privado conhece o pavor de perder a conta de alguma agência de publicidade. Lembro quando o Expresso divulgou grande o alegado envolvimento do BES no 'men-salão' da corrupção do Congresso do Brasil, como a perda daquela e de outras contas publicitárias obrigou o Expresso a cortar páginas e muitos outros custos.

  Antigamente havia centenas de agências com muitas con-tas, e o desagrado a uma empresa podia levar à perda de 5 a 8% da receita, o que afetava, mas não destruía um diário ou semanário.
A concentração fez com que surgisse a tendência das agências cortarem publicidade dos seus clientes, se um dos grandes não gostasse da edição.

Para evitar o desastre, no mundo inteiro a imprensa luta para ter muitos pequenos anúncios, mesmo que sejam baratos. O Correio da Manhã tem uma substancial parte da receita dos oito mil pequenos anúncios e uma independência do poder que as agências exercem.

Em muitos países, o mesmo grupo editorial pode ter um diário com publicidade de prostitutas, magos, viaturas(ás vezes roubadas), voltado para o sensacionalismo nas notícias e ainda ter um editorial muito corajoso a denunciar os lobbies, a banca e todo o establishment e ter um outro, tradicional , com alguma independência, onde o lucro do primeiro equilibra a eventual queda de faturação do segundo.

Neste momento em que falcatruas, desvios e todo o tipo de irregularidades que hà décadas assolam o sul da UE são denunciadas, interessa ao establishment passar uma ideia de moralismo e atacar estes anúncios e assim a independência de muitos editoriais. Este debate desvia a atenlção dos media e dos cidadãos dos temas vitais: a corrupção e a democracia. Nalguns países, estes lobbies conseguiram regulamentar as fotos, mas a liberdade de imprensa e de publicidade foi garantida, mantendo-se os textos. Não é preciso debater, é só copiar e atacar aquilo que é vital: a autocensura imposta pelas agências ao comercial da imprensa.

A forte guerra contra a imprensa regional foi perdida quando o porte dos CTT aos semanários foi elevado. Muitos pequenos e antigos semanários são agora quinzenais e a dependência da publicidade das autarquias aumentou de tal forma que é raro haver uma publicação quinzenal que não esteja ligado a um ou outro dos dois grandes partidos já dentro ou a lutar para presidir a câmara.

Quem ganha com tal regulamentação são os lobbies ligados aos que nos levaram a esta recessão, ao calar eventuais denúncias detalhadas. Quem perde como sempre são os que, a duras penas, lutam para sobreviver em profissões onde há cada vez mais concorrência. E perde como sempre, o cidadão com cada vez menos democracia real.

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SOPA & PIPA

Faust Von Goethe 20 Jan 12

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