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O Ouriço

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Previsões

Joao Jardine 24 Jan 12

 

Há duas semanas atrás, o Sunday Times, comparava as previsões económicas para 2011, de 25 entidades financeiras relevantes, para o Reino Unido. Curiosamente, apenas quatro dessas entidades, conseguiam um score superior a 5 em dez possíveis. No rol das entidades constavam, entre outras, o FMI, Barclay’s e Nomura.

O exercício veio demonstrar que não se deve “acreditar” nas previsões económicas mas sim levar em linha de conta, afinal, sempre são previsões e não predições; as entidades envolvidas nas mesmas, desejam manter um modicum de seriedade e credibilidade e, o último que desejam é serem confundidos com uma vulgar cartomante. No entanto, a taxa de erro é elevada.

Desde meados do ano passado que a imprensa internacional elabora as mais variadas previsões sobre a sobrevivência da zona euro (EZ). Do lado da imprensa anglo saxónica, dependendo de que lado do Atlântico onde residem os autores, assim varia o prazo de validade da moeda única. Para os residentes do lado de lá, o euro termina em 2013 com a saída da Itália da zona euro; para os de cá, o prazo era mais incerto, dado que o período ia de 2012 a 2020; a diferença estava no nome do país que sairia em 2013: o país candidato à saída seria Portugal. Em ambos os lados do “charco” concordam que a Grécia sai ainda este ano.

Se a narrativa dos autores do outro lado do oceano se limitam a seguir, sem grande rigor crítico as perorações dos seus primos deste lado, a narrativa dos de cá, é mais intencional. Na verdade, nos últimos 250 anos, o eixo principal da política externa do Reino Unido foi impedir a criação de uma potência hegemónica na Europa, dita, Continental. Provavelmente por isso, as críticas “objectivas” sobre o euro terminam em conclusões que não são tão inequívocas como querem fazer querer parecer. De todos os modos, o fim do euro à custa de tanta repetição está a tornar-se o mantra económico dos comentadores anglo saxónicos.

No entanto, o euro apesar de todas as profecias, não desapareceu, demonstrando uma resiliência inusitada apesar das naturais e óbvias divisões, antagonismos próprios de um passado comum com mais de 1.000 anos. Os momentos de tensão que se viveram no ano passado e que, se vivem, actualmente, são um sintoma de uma crise, crise essa que é grave mas, não conduz necessariamente ao fim da experiência de moeda única.

Não nos devemos esquecer que, a maioria dos comentadores de referência são, quase de certeza economistas, classe profissional que tem a rara capacidade de explicar muito bem o passado mas, errar de uma forma estatisticamente relevante, quando se trata do futuro, veja-se a performance das instituições no que respeita às previsões do ano passado para o Reino Unido; curiosamente, a previsão de Niall Ferguson, historiador, é muito menos pessimista, o euro, ainda que modificado não acabará tão cedo. O que me leva a concluir que, a análise meramente económica poderá ser, limitada e enviesada. Afinal, a fazer fé de um conjunto de comentadores de referência, o euro na melhor das hipóteses já deveria ter desaparecido há dois anos e, na pior, nunca deveria ter sido criado.

Num momento em que partimos para mais um ciclo mediático prévio a uma cimeira europeia, seria de todo conveniente, recordar que as previsões não são predições e que, do ponto de vista antropológico, em todas as comunidades humanas, os grandes acontecimentos, são sempre acompanhados de grande alarido; o facto de nos encontrarmos no século XXI e na Europa, não altera, substancialmente o comportamento, apenas e só os meios usados.

No fundo e de uma forma lhana, esta Europa mais não é do que um conjunto de sociedades de meia idade, com elevada aversão ao risco, empenhadas em defender, o melhor possível, as respectivas reformas. O euro mais não é do que um casamento de conveniência sustentado no interesse comum.

O interesse costuma ser o elemento essencial que explica as uniões mais duradouras.

Por isso é possível que as previsões do fim do euro possam ser manifestamente exageradas.

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