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O Ouriço

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No dia 16 de Junho teremos um mega-piquenique no Terreiro do Paço em Lisboa e as vozes de discórdia já se levantaram, invocando a "prostituição" de uma zona considerada património cultural, "uma verdadeira ofensa à identidade nacional" - segundo o vereador social-democrata João Navega."Encher o Terreiro do Paço com couves, porcos, vacas e outros animais não é digno", de acordo com Victor Gonçalves, também do PSD. A Arquitecta Helena Roseta também expressou a sua indignação, para não falar de vereadores de outras cores políticas. Corrigam-me se estiver enganado, estamos a falar da Praça do Comércio? Ou estamos a falar da Praça da Inércia? E para além do mais, os incomodados nunca leram o Processo Civilizacional de Norbert Elias - um dos mais proeminentes sociólogos do século XX. Basta pesquisar de um modo ligeiro para perceber a javardice que grassou ao longo de vários séculos de presença humana. O Terreiro do Paço não seria excepção e, à época, aquela "praça de terra", seria uma feira de imundice, uma espetada mista de torneios e cavalhadas, corridas de touros, um local propício para o marido e a mulher defecarem a céu aberto, enquanto vai e vem o próximo freguês. A cosmética arquitectónica e civilizacional, operada mais tarde para tornar o lugar respeitável e politicamente correcto, não apaga a história de um local. Fico muito mais chocado com os argumentos invocados pelos vereadores e, pela sua manifesta falta de cultura do que o provincianismo genuíno de um besta quadrada, uma forma perfeita para uma praça. Dia 17 de Junho teremos um auto da fé - o continente lançado à fogueira de detratores pouco agrícolas.

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