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O Ouriço

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Os cortes do governo

Artur de Oliveira 1 Mai 13

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Suponhamos que somos gerentes de um estabelecimento comercial que tem uma dívida de 43800 euros aos vários fornecedores. Descontando as despesas que temos mensalmente com os nossos funcionários, assumamos que o lucro anual ronda os 36500 euros.

Como estamos empenhados em cumprir com os nossos compromissos, de forma a garantir que os nossos fornecedores nos continuem a fornecer, decidimos pagar parte da dívida anexada aos lucros diários, dando uma média de 100 euros de lucro/dia para abater aos 120 euros/dia em dívida. Isto é, a dívida que temos com os nossos fornecedores é cerca de 120% do lucro que produzimos, isto é, mesmo cumprindo com os fornecedores, ficamos com 7300 euros de dívida a juntar à dívida que vamos pagar durante o próximo ano.

Assumindo que no próximo ano, os nossos lucros se manterão constantes, teremos de abater uma dívida de  51100 euros (43800 deste ano + 7300 euros em dívida do ano transacto) face aos 36500 euros de lucro, teremos de pagar aos nossos fornecedores não 120 euros/dia mas 140 euros/dia. Em termos percentuais, a dívida que temos com os nossos fornecedores passará dos 120% para os 140%-40 euros/dia de dívida acumulada.

Para evitar esta espiral de dívida, uma solução que nós, gerentes, faríamos passaria ou por despedir pelo menos um funcionário, ou por reduzir o salário a todos os funcionários do estabelecimento.

E se agora tentássemos transladar a realidade deste [nosso] estabelecimento comercial para a realidade portuguesa, cuja dívida ronda os 120% da riqueza produzida a.k.a PIB? Funcionaria? 
Pelos vistos não, pois esta tem sido a política a que os nossos credores nos obrigam desde que aterraram na Portela em Maio 2011. 

 

Também publicado em Caleidoscópio.

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Leituras de Economês #8

Faust Von Goethe 20 Jun 12

Boas leituras! 

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Meias verdades

Jack Soifer 3 Abr 12

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Impressiona-me como meias verdades ou dados fora do contexto são divulgados por parte dos “media”, sem que os senhores doutores, que a eles têm acesso, os corrijam.

 

Já em 11/11/04 eu alertara para a crise, advinda de 5 fatores: o endividamento público, o privado, a falta de atualização tecnológica, o desequilíbrio das importações e a burocratização. Em 2005 receitei o já usado noutros países para reduzir o consumismo, que aumentava o défice comercial: limitar o teto de cada transação e do total dos cartões de crédito. A abertura de instituições para-bancárias, sem controlo e que a juros exorbitantes estimulavam o consumismo, deveria ser imediatamente suspensa. Mas o ex-governador do BdP, amigo dos especuladores, com a ânsia de subir para o BCE, não o faria. E, apesar dos avisos, o resultado aí está.

 

É habitual entre os políticos dizer o que pensam ser o que outros querem ouvir. Mas é obrigação dos gestores públicos prevenir, ao trabalhar com dados prováveis e não os sonhados. Vejamos:

 

1. Quem estudou contabilidade sabe que há dados que podem ser postergados e outros que refletem apenas parte da realidade, na contabilidade pública. Assim, ao lançar tardiamente uma fatura recebida, uma Direção-Geral atenua a dívida pública daquele trimestre. Ao não corrigir na contabilidade a devolução de um cheque num valor abaixo do correto, emitido para uma fatura que tinha cláusula de coima por atraso, a DG dá como paga uma fatura que ainda não foi totalmente fechada.

 

2. Quem faz comércio internacional sabe que há alguns setores que vendem mais em alguns meses do ano. Até o total das exportações, consoante a estrutura do país, varia mês a mês e a cada ano do ciclo económico. Assim, quando há ano e meio alertei que o valor das exportações do Brasil iria cair em 2012 e ruir em 2013, e o das importações aumentar, baseei-me em cálculos simples, que se aprende não só em Estocolmo, mas em qualquer boa Escola do Norte da Europa. O mesmo ocorrerá  por cá, com exportações que cresceram, como sempre, em alguns meses, mas que baixarão entre Abril e Setembro.

 

3. O real Orçamento do Estado já mostra discrepâncias que aumentarão muitíssimo. Há várias razões, como:

 

a) A forte queda no rendimento líquido das famílias leva a menor consumo dos bens produzidos no país e assim a menor receita do IVA, IRS e IRC;

 

b) Impostos considerados injustos levam ao aumento da economia paralela, o que reduz a receita fiscal;

 

c) Se os juros da dívida em papéis de curto prazo caem é devido à segurança dos tranches vindouros da troika; mas quando se tenta vendê-los ao prazo de 2 ou mais anos, os juros sobem e resultam em maior despesa;

 

d) A demora no encerramento de instituições que muito custam e só atrapalham tende a aumentar, já que os 100 dias em que um novo governo pode impor quase tudo o que quer, já passaram, os 200 dias também e daqui para frente terá enormes dificuldades, devido a contestação nas ruas e ao descrédito nas instituições.

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Lucrar com a nossa própria desgraça II

Faust Von Goethe 28 Mar 12

Ontem ao fazer uma síntese do artigo do Die Welt que falava de Portugal, não mencionei propositadamente declarações em que Schaube e um funcionário do BCE, afirmavam que o sucesso do programa de ajustamento português se estava a reflectir na queda dos juros da dívida portuguesa, o que é falacioso.

 

A verdadeira para o facto dos juros da dívida portuguesa terem baixado para a casa dos 9,5%, encontra-se na capa do jornal económico (imagem abaixo). Mesmo assim, esta notícia aparentemente animadora, não me deixa totalmente confiante pela razão que passo a explicar:

 

Por cada 100 euros de dívida pública comprada pela banca Portuguesa, o BCE apenas empresta entre 90 e 95 euros. Logo, esta compra retira entre 5 a 10 euros que poderiam ser usados em alternativa para crédito a particulares.

 

Ou seja, sempre que um banco [português] vai ao mercado comprar dívida pública, mais dificilmente conseguirá obter a partir de empréstimos interbancários, financiamento a taxas de juro mais baixas. Como consequência, terá que cortar no crédito.

 

Portanto, se os bancos detiverem quantidades elevadas de dívida pública, terão menos recursos disponíveis para o investimento privado, logo crowding out pois o abater da despesa pública com recurso à banca consome recursos que poderiam ser usados para investimento por parte da economia.

 

Perceberam agora qual o verdadeiro calcanhar de Aquiles do programa de ajustamento Português, assim como a razão que se especula por um segundo resgate a Portugal?

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Leituras de Economês #2

Faust Von Goethe 16 Mar 12

  • A 11ª dívida pública
    Pedro Romano do Blogue "Massa Monetária" explica a diferença entre dívida pública líquida e dívida pública bruta assim como os prós & contras de usar dívida pública líquida como indicador macroeconómico.
     
  • Há mais dívidas públicas do que imagina
    Rui Peres Jorge [também] do Blogue "Massa Monetária" desmitifica o conceito de dívida pública. No mesmo post, é também realizada uma classificação dos vários conceitos de dívida pública.
     
  • Défice Externo

    Nuno Teles do blogue "Ladrões de Bicicletas" faz uma análise exploratória interessante dos últimos dados divulgados pelo INE, que apontam para uma redução do défice externo. Nesta análise, é explicada a relação entre exportações, redução do consumo, andamento da economia europeia e taxa de câmbio do euro.
     
Bom fim-de-semana!

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Após Nouriel Roubini ter-nos feito o favor de dobrar os sinos há dias, o assunto reestruturação voltou à blogosfera e aos jornais nacionais. Alguns exemplos:

Todos reestruturam menos nós?

Portugal começa a ficar isolado. Os gregos restruturam dívida pública de forma directa (apesar de com sucesso duvidoso). Os irlandeses fazem-no de forma indirecta através do Anglo Irish, entretanto nacionalizado. Já Portugal garante que nem sequer vai precisar de um segundo resgate, quanto mais de qualquer alívio do peso da dívida.   2) Eichengreen...
from Massa Monetária - 

Portugal está no bom caminho, dizem eles!

...desenhar a reestruturação da dívida pública grega afirma:Portugal precisa de aprender as lições da Grécia e pelo menos considerar que, se esperar dois anos, poderá ficar numa situação má, onde a maioria da sua dívida será para com o sector oficial [troyka]. Quando chegar aí, e decidir reestruturar, fará um corte imenso ao sector privado, mas não...
from Ladrões de Bicicletas - 

Volta de 360º

...privados na reestruturação da dívida grega correu aparentemente sem sobressaltos de maior, mesmo com a activação das cláusulas de acção colectiva a ditarem a existência de um evento de crédito num país da zona euro. Evitámos, portanto, o colapso da zona euro no curto-prazo. Hurrah. Poucos parecem, no entanto, preocupados com o facto de estas med...
from jugular - 

Antes de avançar com um post a explanar os meus argumentos sobre este assunto, gostaria de convidar todos os visitantes assim como os meus colegas de escrita a deixar os argumentos a favor ou contra a reestruturação da dívida em comentário.

O debate está aberto e a caixa de comentários também.

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Krugman à Lupa

Faust Von Goethe 2 Fev 12

"a crise portuguesa é uma imbricação de fatores externos (a crise internacional) e de fatores internos (essencialmente a afetação de recursos públicos que potenciou o incremento da dívida pública). Mas a abordagem de Krugman não é por este facto desvalorizada: é nítido no gráfico o aumento de ritmo de crescimento do peso no PIB da dívida pública portuguesa a partir do eclodir da crise financeira internacional. "

 

Fonte: NÓS E OS GRÁFICOS DE KRUGMAN: A DÍVIDA PÚBLICA do blog INTERESSE PRIVADO, ACÇÃO PÚBLICA

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Krugman's de Bancada.

Faust Von Goethe 1 Fev 12

 

 

 

Com as notícias que vieram à baila na última semana, tenho de admitir que é uma tentação falar de Paul Krugman. 

Eu também estive para o fazer quando ele escreveu o seu controverso artigo Nobody Understands Debt a 1 Janeiro 2012 no New York Times, mas achei que não devia, primeiro porque não sou economista, depois porque sou preguiçoso e não me dei ao trabalho de procurar dados estatísticos para fazer uma análise exploratória das teorias de Krugman.

De qualquer modo e tomando como mote a recentes declarações de Poul Thomsen aos salários da Grécia, gostaria de fazer algumas observações gerais para que o leitor contextualize antes/depois de ler as entradas de:

Primeiro, é preciso atender a que grande parte dos periféricos e em especial Portugal quando tinham as suas próprias moedas optaram pela desvalorização cambial para fazer face à inflacção dos salários e custos do trabalho. No caso de Portugal, os subsídios europeus que recebemos antes de adoptarmos a moeda única nunca foram utilizados para tornar a nossa economia mais competitiva;
Com a entrada em vigor do euro, os tratados de adesão impediram a continuação da desvalorização cambial, razão pela qual temos verificado deficits desde 1999;
Na impossibilidade de não se proceder a desvalorização cambial, o actual programa da TROIKA propõe uma desvalorização fiscal (a questão da TSU) para aumentar a competitividade com a finalidade evitar as reduções salariais, os custos de trabalho como forma promover o crescimento económico;
Com a entrada em vigor do tratado de Lisboa, deu-se livre arbítrio à circulação de capitais em deterimento de uma economia baseada na produção, o fluxo de capitais implicou que a economia fosse essencialmente baseada nos juros (taxativamente falando, economia baseada no aluguer de dinheiro), o que pressupõe que tem de haver um crescimento contínuo para contrabalançar.
Façamos então alguns cálculos simples para exemplificar a questão do crescimento: Se produzíssemos 100 e crescessemos a 10%, no segundo ano produziríamos 110. No quinto ano já produziríamos 146 e aumentávamos para 161; ao fim de oito anos duplicaríamos a produção e ao fim de um quarto de século produziríamos dez vezes mais. Ou seja, ao fim de um quarto de século aumentávamos num só ano mais do que aquilo que produzimos agora, ou seja, teríamos um crescimento exponencial.
A este ritmo, mesmo reduzindo o crescimento em metade, imagino que todos os países europeus se teriam de transformar-se em China's : Países com excesso de lixo e intoxicados de gases poluentes.  
Tanto no nosso programa de ajustamento como nas teorias de Krugman, supõe-se que o cenário é inflaccionista, o que também me parece também ser uma suposição completamente errada pois o cenário mundial actual é deflaccionista. (razões: corrida ao ouro, petróleo, matérias primas, ...)
Conclusão: Ao se continuar a apostar numa economia baseada em juros (altos), dentro de algum tempo alguém vai ter de pagar a "conta do restaurante" na zona euro para que não se corra o risco de se ter de fechar para balanço. Sabendo que os clientes são os PIIGS e o restaurante o BCE, deixo ao cuidado do leitor adivinhar quem vai ter de pagar a conta.

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