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O Ouriço

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Leituras em tempos de Crise

Faust Von Goethe 15 Set 12

 

Se há clássico de literatura que se encaixa que nem uma luva na actual crise das dívidas soberanas que emerge na europa e, em geral, no mundo desenvolvido, esse clássico é Little Dorrit de Charles Dickens.

 

O enredo deste "romance" gira em torno das deficiências do governo e da crise de valores da sociedade de então, em plena revolução industrial.

A inspiração para este romance foi Marshalsea, uma das mais conhecidas das prisões inglesas para devedores, onde o seu próprio pai esteve preso por não ter pago uma pequena dívida.

 

Naquela época, prisões como Marshalsea eram propriedade privada. Os custos destas eram suportados pelos presos que, por seu turno estavam impedidos de trabalhar. A isso se juntavam os juros das dívidas. O tempo de prisão assim como os juros da dívida dependiam essencialmente do capricho dos credores.

 

Na época, o objectivo do tesouro britânico passava por impedir os devedores de ganhar dinheiro, com o objectivo de os endividar até estes serem espoliados e escravizados até ao tutano.

 

No seu "romance", Dickens satirizou a separação de pessoas com base na falta de interação entre as classes. Enquanto cidadão, contribui- e muito- para acabar com este negócio florescente que girava em torno de prisões como Marshalsea.

 

200 anos após o nascimento de Dickens, devíamos de lhe prestar o devido tributo, não reeditando [apenas] Little Dorrit entre outros clássicos, mas acabando [de vez] com esta dividocracia.

 

 

Leituras complementares:


#1: Livro Little Dorrit em formato digital

#2Dickens, o homem que travou Marx por Pedro Correia do blog colectivo Delito de Opinião.

#3: Blogar em tempos de crise por mim.

 

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Euro=(N)Euro+(G)Euro. Será que funciona?

Faust Von Goethe 22 Mai 12

 

Na sequência de posts de Luís Menezes Leitão em Delito de Opinião e de John Wolf aqui n'Ouriço, recordo algumas entradas que escrevi à poucas semanas atrás [também sobre este assunto]:

Para um melhor enquadramento com a temática, artigos de opinião como os de  (que defende uma sabática do euro para países como Portugal e Grécia) e de Kenneth Rogoff (que advogou a necessidade de uma maior integração europeia) publicados em Project Syndicate são de leitura obrigatória.
Boas leituras!

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Dupla Seguróllande

Faust Von Goethe 8 Mai 12

 

Ao deambular [hoje] por alguns blogs do sapo, constatei que a blogosfera Portuguesa é pródiga em arranjar bodes espiatórios para justificar a crise das dívidas soberanas na zona euro. 

 

Mais curioso ainda foi constatar que numa fracção de horas após a vitória de Hollande, deixou de se dizer mal de Merkel e Sarkozy-vou ter muitas saudades de usar a tag merkozy por estes lados- e passou-se a dizer mal [de uma forma lasciva] da dupla [socialista] António José Seguro e François Hollande.

 

Por isso gostaria de propor aos meus colegas de escrita, visitantes que também fazem parte da família do Blogs Sapo e demais, que de hoje em diante passem a usar [a tag] Seguróllande-já de acordo com as regras do novo Acordo Ortográfico (cai a consoante muda "h" e acentua-se o "o" para dar mais ênfase ao descontentamento)- sempre que disserem mal destes dois senhores assim como dos ideais socialistas.

 

Obrigado!

 

Adenda: Verifiquei que Rui Rocha do blogue colectivo Delito de Opinião falou em Segurollande [sem acento no "o"] mas não registou patente...

 

© nelson+faustino@http://oourico.blogs.sapo.pt 

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O outro Álvaro, o Laborino

Faust Von Goethe 25 Fev 12

 

"

Um líder carismático? Alguém tem um no bolso? Um que não seja o Pedro ou o António? Não? Pois eu tenho: acabo de ler um ensaio assinado por Laborinho Lúcio, um homem que começou numa comarca no interior e que está agora em Coimbra. Quando terminei de ler, pensei: eu apostava neste homem. Se a justiça é presidida por homens vulgares que exercem um função invulgar, como escreveu em tempos Lídia Jorge, o mesmo se aplica à política. E não temos homens vulgares, temos políticos de profissão que não se ralam muito se a fome é combatida com uma água de limão quente e um pingo de leite. Isto acontece no interior e no litoral. Independentemente da desertificação do interior. A morte quando chega não é em intermitências. Vivemos em democracia há menos tempo do que vivemos nas garras de um regime. Também o interior morria então. Sabia-se menos, o mundo era mais fechado, a tecnologia não vingara ainda, não nos prendera a esta vertigem de todos os dias: estarmos ligados, ao telemóvel, ao blog, ao email.

"

Patrícia Reis em Delito de Opinião

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Quem desdenha quer comprar

Faust Von Goethe 23 Fev 12

Com a carga de austeridade que o país está a ser alvo, vejo que na blogosfera estão com saudades dele, o nosso D.Sebastião Parisiense.

Será? Eu quase sou levado a dizer que sim, pois ainda há dias quando comentei o post de Rui Rocha no blog Delito de Opinião, dizendo que:

 

"Passos Coelho é bipolar: Há dias em que está bem, há dias em que está mal. Mas eu não confio nele: é muito imprevisível (o que não é bom para um Primeiro) assim como não sabe gerir as expectativas. "

 

o Rui Rocha tratou de reavivar os meus pesadelos, relembrando-me Sócrates...

 

Como se diz na gíria: "Quem desdenha quer comprar". Pelo menos é o que me parece à vista desarmada!

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God Save The Queen

Faust Von Goethe 6 Fev 12

No dia em que se celebra os 60 anos da subida ao trono pela Rainha Isabel II, gostaria de recordar uma curiosidade deveras gritantes que vem a propósito de ter falado de Luís XIV no último post:
O hino britânico e dos territórios de Commonwealth "God save the Queen", inicialmente entitulado por "God save the King", é uma adaptação de George Friedrich Handel da música "Grand Dieu sauve lhe Roi" (Grande Deus salve o Rei) do compositor Jean-Baptiste Lully.
Curiosamente, esta música adaptada por George Friedrich Handel como forma de homenagear o Rei Jorge I num primeiro de Agosto, foi escrita por Jean-Baptiste Lully como forma de agraciar o rei Luís XIV pela sua recuperação após uma intervenção cirúrgica. 
Mais curioso ainda de constatar, é que esta música também já foi o hino da monarquia francesa, hino esse que perdurou até à revolução francesa e consequente ida de Luís XVI (o último Luís) à guilhotina.

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Krugman's de Bancada.

Faust Von Goethe 1 Fev 12

 

 

 

Com as notícias que vieram à baila na última semana, tenho de admitir que é uma tentação falar de Paul Krugman. 

Eu também estive para o fazer quando ele escreveu o seu controverso artigo Nobody Understands Debt a 1 Janeiro 2012 no New York Times, mas achei que não devia, primeiro porque não sou economista, depois porque sou preguiçoso e não me dei ao trabalho de procurar dados estatísticos para fazer uma análise exploratória das teorias de Krugman.

De qualquer modo e tomando como mote a recentes declarações de Poul Thomsen aos salários da Grécia, gostaria de fazer algumas observações gerais para que o leitor contextualize antes/depois de ler as entradas de:

Primeiro, é preciso atender a que grande parte dos periféricos e em especial Portugal quando tinham as suas próprias moedas optaram pela desvalorização cambial para fazer face à inflacção dos salários e custos do trabalho. No caso de Portugal, os subsídios europeus que recebemos antes de adoptarmos a moeda única nunca foram utilizados para tornar a nossa economia mais competitiva;
Com a entrada em vigor do euro, os tratados de adesão impediram a continuação da desvalorização cambial, razão pela qual temos verificado deficits desde 1999;
Na impossibilidade de não se proceder a desvalorização cambial, o actual programa da TROIKA propõe uma desvalorização fiscal (a questão da TSU) para aumentar a competitividade com a finalidade evitar as reduções salariais, os custos de trabalho como forma promover o crescimento económico;
Com a entrada em vigor do tratado de Lisboa, deu-se livre arbítrio à circulação de capitais em deterimento de uma economia baseada na produção, o fluxo de capitais implicou que a economia fosse essencialmente baseada nos juros (taxativamente falando, economia baseada no aluguer de dinheiro), o que pressupõe que tem de haver um crescimento contínuo para contrabalançar.
Façamos então alguns cálculos simples para exemplificar a questão do crescimento: Se produzíssemos 100 e crescessemos a 10%, no segundo ano produziríamos 110. No quinto ano já produziríamos 146 e aumentávamos para 161; ao fim de oito anos duplicaríamos a produção e ao fim de um quarto de século produziríamos dez vezes mais. Ou seja, ao fim de um quarto de século aumentávamos num só ano mais do que aquilo que produzimos agora, ou seja, teríamos um crescimento exponencial.
A este ritmo, mesmo reduzindo o crescimento em metade, imagino que todos os países europeus se teriam de transformar-se em China's : Países com excesso de lixo e intoxicados de gases poluentes.  
Tanto no nosso programa de ajustamento como nas teorias de Krugman, supõe-se que o cenário é inflaccionista, o que também me parece também ser uma suposição completamente errada pois o cenário mundial actual é deflaccionista. (razões: corrida ao ouro, petróleo, matérias primas, ...)
Conclusão: Ao se continuar a apostar numa economia baseada em juros (altos), dentro de algum tempo alguém vai ter de pagar a "conta do restaurante" na zona euro para que não se corra o risco de se ter de fechar para balanço. Sabendo que os clientes são os PIIGS e o restaurante o BCE, deixo ao cuidado do leitor adivinhar quem vai ter de pagar a conta.

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Protectorados versus Diáspora

Faust Von Goethe 28 Jan 12

Ao ler pela blogosfera as seguintes entradas sobre da eventual perda da soberania grega a troco de uns milhares de milhões de euros e mais austeridade:

lembrei-me que se calhar tudo isto não passa de uma questão de diáspora, mais propriamente de língua. Ora vejamos:

  • Os americanos nunca nos imporão a política do protectorado porque o inglês é uma das línguas mais faladas em todo o mundo.Portanto, estarão sempre dentro e fora da Europa pela questão da língua; 
  • Os Chineses também nunca virão para cima de nós com a política do protectorado, pois por esse mundo fora mais de mil milhões de pessoas falam mandarim.
  • Nós, nuestros hermanos e os países latino-americanos cá nos vamos entendendo. Todos juntos perfazemos mais de 750 milhões de pessoas. 
  • Curioso é reparar que línguas como o Francês e Alemão estão em declínio...
Talvez seja esta a explicação porque os franceses se estão a voltar novamente para o Norte de África, ao par que os Alemães, bloqueados pelas restantes línguas ocidentais, depois da expansão frustrante para Leste, tentem ocupar agora os periféricos da zona euro, substituindo a expansão da língua por violentos programas de austeridade.
EUREKA

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Soberania em Risco: Visão de um Tecnarca

Faust Von Goethe 24 Jan 12

 

 

A propósito da recente discussão em jeito de ping-pong sobre a temática monarquia versus república que decorre por aqui e nos blogs delito de opinião e estado sentido, gostaria de dar a minha colherada. Ora cá vai :

 

Eu que nem sou republicano nem monarca mas um tecnarca como me apelidou o meu colega de escrita, Artur de Oliveira, prefiro ver as coisas do prisma: Primeiro debate-se os problemas sociais e só depois se debate a ideologia e o regime. 
Indo ao encontro dos monárquicos: Reza a história que no pós-ultimato inglês, muitos dos ditos monárquicos venderam-se aos republicanos por meros interesses. E assim pum: Implantou-se a I república.
A agiotice dos nossos políticos da época que fez com que nem republicanos nem monárquicos encontrassem soluções para o país, permitindo o golpe estado 1926 e consequente subida Salazar ao poder. Temos de reconhecer que Salazar percebia, para além de finanças, de xadrez pois sabia jogar em vários tabuleiros em simultâneo. Foi com Salazar que Portugal voltou aos mercados financeiros depois da bancarrota 1892, muito às custa do ouro Nazi. 
Relembro os demais que a bancarrota foi provocada em grande parte pela ida das cortes para o Brasil e pela independência deste.

 

PERGUNTA: será que Passos Coelho e Paulo Rangel lembram-se deste pormenor histórico quando incitam à emigração? Hum... 

 

Reza também a história que Salazar não consegui prever a tempo as incursões de Kenedy e mais tarde Nixon (próximo UNITA), Khrushchov e mais tarde Breznev, e inclusivé por Fidel (próximo MPLA) que apoiavam as nossas colónias fornecendo-lhe armamento. Aqui o jogo deixou de ser xadrez e passou mais a arte da guerra de Sun Tzu, um dos livros preferidos do fotógrafo de serviço aqui do estabelecimento: Adivinhem quem é :).
O nosso erro enquanto nação começou por não se ter sabido fazer a descolonização e/ou reestruturar as colónias numa espécie de Commonwealth. Relembro este facto pois há tempos celebrou-se os 50 anos da rendição do exército português na India.
Com o 25 Abril 1974, uma revolução romântica mas deveras mal estruturada pelos ditos capitães de Abril, deu um senhor rombo na nossa economia, provocado em grande parte com a vinda dos retornados das ex-colónias de mãos a abanar.

Juntando isto à nacionalização massiva de bancos e empresas, não restou outro rumo aos nossos bravos defensores da liberdade que dizer "Hilfe Hilfe! Wir Koennen IMF". E com isto já vamos em 3 chamadas:1978, 1983, 2011. Não acham que é demais?

Ao continuarmos com este tipo de ingenuidades, em nada resolveremos os reais problemas do país e ao nosso rei do tabuleiro é-lhe feito mate, xeque-mate.

O nosso rei não é o Cavaco nem outro qualquer. O nosso rei é nossa soberania enquanto nação!

Está nas nossas mãos evitarmos que nos façam xeque-mate.

PS: A dívida que contraímos em 1892 foi apenas liquidada em 2001, um ano antes de entrar em circulação o euro. 

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O Banco Que Não Cobra Juros

Faust Von Goethe 24 Jan 12

Indo ao encontro das recentes declarações de Christine Lagarde e do que escrevi no ESPECIAL TROIKA: De rating bestiAAl a rating de BBesta, talvez seja melhor, deixarmos de pensar em fazer embargos idiotas ao Irão, como refere e bem Luís Menezes Leitão em Delito de Opinião, e focalizar as energias em alternativas mais credíveis com vista as tirar famílias da insolvência (um dos grandes dilemas de Portugal) criando-se, por exemplo, bancos coorperativos que não cobrem juros.

Esta solução já foi levada a cabo em países europeus como Dinamarca e Suécia para fazerem face à grande depressão nos anos 30.

O vídeo abaixo explica de uma forma informal a filosofia por detrás dos bancos JAK  na Suécia.

 

 

Um estudo sucinto sobre o funcionamento dos bancos JAK pode ser encontrado na página da Irlandesa Ana Carrie.

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