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O Ouriço

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Já que o Ministro das Finanças não sabe onde cortar mais despesa para que possa evitar a subida do IVA e um novo agravamento da carga fiscal, aqui vai uma citação do meu novo livro, "Retomar o Sucesso", que será brevemente editado pela Gradiva, onde se faz um retrato exaustivo do despesismo do nosso Estado e onde, entre outras coisas, se contam os números das entidades e organismos estatais:


"Segundo a contabilidade mais recente da Administração Pública nacional, existem em Portugal nada mais nada menos do que 349 Institutos Públicos, 87 Direcções Regionais, 68 Direcções-Gerais, 25 Estruturas de Missões, 100 Estruturas Atípicas, 10 Entidades Administrativas Independentes, 2 Forças de Segurança, 8 entidades e sub-entidades das Forças Armadas, 3 Entidades Empresariais regionais, 6 Gabinetes, 1 Gabinete do Primeiro Ministro (bem grande, diga-se), 16 Gabinetes de Ministros, 38 Gabinetes de Secretários de Estado, 15 Gabinetes dos Secretários Regionais, 2 Gabinetes do Presidente Regional, 2 Gabinetes da Vice-Presidência dos Governos Regionais, 18 Governos Civis, 2 Áreas Metropolitanas, 9 Inspecções Regionais, 16 Inspecções-Gerais, 31 Órgãos Consultivos, 350 Órgãos Independentes (tribunais e afins), 17 Secretarias-Gerais, 17 Serviços de Apoio, 2 Gabinetes dos Representantes da República nas regiões autónomas, e ainda 308 Câmaras Municipais, 4040 Juntas de Freguesias, e 1226 estabelecimentos de educação e ensino básico e secundário. A estas devemos juntar as CCDRs e as Comunidades Inter Municipais, centenas de Observatórios e as sempre misteriosas e omnipresentes Fundações.

Nota: Mesmo se não contarmos com as 238 Universidades, Institutos Politécnicos, Escolas superiores e Serviços de Acção Social, o número de Institutos Públicos é ainda de 111, um número extraordinário para um país das nossas dimensões".

Ora, perante estes números, perante a enormidade e a omnipresença do nosso Estado (que ainda é dono de empresas que equivalem a cerca de 5% do PIB)perante as mais-que-evidentes clientelas e grupos de interesses que fomentam e reproduzem o despesismo voraz e descontrolado das Administrações Públicas, será que é assim tão difícil perceber onde é que se deve cortar a despesa? Será? Será que precisamos que venha cá o FMI para nos indicar o que é assim tão óbvio? Será que mais um agravamento da carga fiscal, que decerto nos atirará para uma nova recessão, é mesmo necessário, senhor Ministro? Sinceramente, parece-me que não.


Fonte: Álvaro Santos Pereira no blog Desmitos 


A um dia de sabermos o resultado da avaliação da TROIKA, é sempre bom recordar as palavras do Álvaro blogger para as confrontar mais tarde com as palavras do Álvaro Ministro e restante executivo.


Adenda: Um ano após a eleição do governo, o prejuízo do sector empresarial do estado duplicou e promete derrapar ainda mais ...

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A Bancarrota de 1892

Faust Von Goethe 31 Jan 12

 

 

A um dia da celebração dos 104 anos do regicídio, Fernando Sobral e Edgar Caetano recordam como a "bancarrota" de Portugal em 1892 conduziu à queda da monarquia:

 

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O Portugal do final do século XIX viu-se sem alternativa: uma economia "galinha choca" e um endividamento galopante levou a uma bancarrota parcial, anunciada em Julho de 1892. Faltou o ouro brasileiro. E escassearam as remessas dos emigrantes na antiga colónia. Faltou também o crédito, com que se poderia "mascarar" o problema e adiar a solução. Foi o início do fim da Monarquia.

Reestruturar a dívida não é uma ideia de hoje. É de ontem. Ou melhor, do século XIX. Em 1892, Portugal, confrontado com a incapacidade para cumprir os seus pagamentos, declarou a bancarrota parcial. E não pagou. Era apenas mais um episódio no ciclo continuado de dívidas e défices que têm assombrado o País nos últimos séculos.

Em 2011 voltamos a discutir o mesmo. Mas a crise de 1892 não nasceu nesse ano nem terminou quando Portugal voltou a conseguir financiar-se no exterior. Começou antes do Ultimato britânico e só terminou, em certa medida, com a queda do regime, a Monarquia. 

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A título de curiosidade e para contextualizar, recorde-se também o post de Álvaro Santos Pereira no seu (antigo) blog Desmitos e a entrevista de Rui Ramos à revista Mafra Hoje.

Sugiro também uma leitura mais demorada à excelente entrada no blog da associação cívica e cultural 31 de Janeiro.

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