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O Ouriço

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Belmiro de Azevedo tem razão quando acompanha a maioria dos economistas, todos os nobeis e os líderes dos governos em França, Itália e Espanha e diz que a melhor forma de combater ESTA recessão é com o crescimento económico.

 

   Ao contrário dos que os amadores dizem, cada recessão tem causas próprias, mesmo que os efeitos sejam os mesmos. Só uma boa econometria nos permite um diagnóstico preciso e nos oferece a oportunidade de escolher a ação que solucione o problema a curto prazo. Em Estocolmo, onde estudei estatística, e em Stanford aprendi que garbage in, garbage out. É o que temos no INE, uma coleta de dados falha, a escolha pouco justa de quintiles, o que resulta num mapa de dados que não permite uma análise perfeita e quando o faz, permite interpretações incorretas.

 

   A palavra austeridade foi interpretada ao pé da letra no Português correto, i.e, “ríspido, severo, áspero, duro”. Isto não resolve o problema que é o despesismo, o desperdício, a falta de economia no uso de recursos para a produção de bens e serviços indispensáveis. Até a UNCTAD já afirmou: é erro imposto pela troika. Mas o erro é também de quem aceita um remédio que mata, em vez de curar o doente.

 

   Temos capacidade ociosa nas nossas empresas, fruto de uma longa política de desinvestimento no setor privado, especialmente PMEs e no exagerado apoio a grandes empresas que se tornaram oligopo-listas e assim perderam a competitividade. As poucas que conseguem concorrer fora das Palops são as que usam os sobrelucros daqui e investem fora, através das offshores e assim não pagam o IRC onde auferem os lucros. Isto não ocorre na Europa do Norte. Lá, e ainda a Petrobrás no Brasil, com ação em quase todo o país, mesmo a empresa sediada na capital mas com lucros auferidos nos municípios, paga parte dos lucros onde o auferiu. E paga o IRC total no país onde o auferiu. Também o beneficiário dos dividendos paga imposto onde reside. Assim, com a SONAE há décadas a declarar na Holanda, pagaria o IRC em Portugal, onde Belmiro pagaria o IRS dos dividendos. E não poderia ter empregados indicados pelo IEFP pagos pelos contribuintes. Já os aspirantes a bombeiros para limpar as florestas e evitar fogos, esses sim.

 

   Outro erro foi permitir a supervalorização de projetos imobiliários, o que fez o crédito ser dirigido pela banca para a construção, que é um setor não-produtivo. Ele era usado também para o consumo de bens de luxo, importados, pois é no crédito ao consumo que a banca tem o seu maior lucro. Não se pode acusá-la, pois a função dela é sobretudo gerar lucros. O culpado é o ex-governador do Banco de Portugal que o permitiu e os ex-governos que o incentivaram e não controlaram.

 

   Veja, enquanto ‘austeridade’ for reduzir o rendimento disponível das famílias pobres, obrigá-las a vender as jóias centenárias para sobreviver, o que beneficia o comércio privado (legal?) do ouro e da prata, e obrigá-las a devolver os lares à banca (que agradece, pois aumenta o seu património fixo, o que melhora a sua solidez), não teremos solução para as causas desta recessão. O governo ao deixar em casa 90 mil ‘chefes’ burocratas que nada ou pouco fazem nas empresas e na função pública estatal e autárquica e vender os edifícios que hoje ocupam melhorará a situação. Mais ainda se der, como os países do Norte da Europa, onde não há carro ou telemóvel do Estado, pelo uso do carro próprio em serviço, quando autorizado pelo diretor, um mini-pago proporcional aos quilómetros rodados, no carro do funcionário para médias distâncias. Ou o valor do bilhete do transporte público para curtas ou longas distâncias. E assim descontratar todos os contratos de leasing com veículos, mesmo os blindados, já que estes são inconstitucionais. E, como em França, países nórdicos, etc, proibir pensão acima dos 2500€, independente da contribuição, e introduzir um IRS alto para quem já é rico.

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