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O Ouriço

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Meditações sobre a Crise

Faust Von Goethe 18 Fev 12

 

 

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Da lição inaugural que proferiu na cerimónia da criação na Cátedra Boaventura de Sousa Santos, na Faculdade de Economia em Coimbra, há alguns meses, ficaram-me duas ideias. Primeiro, que já vivemos numa sociedade de tipo totalitário, apesar de muito diferente dos totalitarismos do século anterior. Diferente, porque não precisa dos mecanismos de repressão brutais dos fascismos e dos estalinismos. Diferente, porque insidioso, subtil, gradualmente infiltrado nos novos hábitos anti-democráticos que vão sendo criados e, como tal, aptos a serem aceites como "normais". Em segundo lugar - e talvez mais sentido por mim à volta - o facto de, face às consequências da crise criada pela explosão da bolha especulativa financeira de 2008 e às políticas de austeridade que se foram implementando desde então, especialmente na Europa - como pseudo-solução para a crise - a máquina ideológica dominante conseguiu, em boa parte, fazer passar a ideia de que o desemprego galopante, a diminuição das reformas e dos antigos direitos sociais, etc., são culpa do falhanço individual das pessoas - "que não fazem o que deviam fazer" - e não resultam das suas políticas de transferência massiva de capital das populações do mundo em geral para os estados e daí para o pequeno grupo da alta finança que de facto determina as suas políticas e como tal governa o mundo. Estes dois aspectos não são tudo, mas certamente ajudam a perceber a enorme tarefa de quem pretende resistir e talvez a própria perplexidade incrédula que sentimos face ao que vai acontecendo. Para situações novas é preciso inventar modos de acção e soluções novas. Um exemplo do segundo efeito referido: o silêncio quase total dos artistas, habitualmente reivindicativos ao menor corte, a sua tristeza surda actual.

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António Pinho Vargas

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Capital Humano

Faust Von Goethe 13 Fev 12

 

 

Neste domingo os gregos sentiram-se traídos pela sua classe política. Mas esquecem-se que as decisões que estes actualmente tomam têm em linha de conta rendimentos, valores, produto interno bruto, défice e outras contabilidades. São os credores que a isso os obrigam, e ao que parece, o que estes ditam já vale mais do que a vida de todos os gregos juntos. 

 

Já que os mercados estão a classificar os gregos com o rótulo de produto, como os seus políticos lhes vai explicar, sobretudo aos que valem mais, como os jogadores de futebol e eles próprios, que são bens transaccionáveis que se podem comprar, vender e inclusivé traficar, ou seja, que têm um valor de mercado? E já que falamos em capital financeiro, como se pode medir o valor de cada pessoa?

 

Com os protestos violentos deste domingo, o povo grego usou para quantificar este valor uma fórmula económica simples que Hipócrates lhes deixou como legado: que a vida de cada um deles vale mais do que tudo o resto e foram para a rua...

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