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O Ouriço

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Fraternidade, precisa-se

Francisco Cunha Rêgo 8 Fev 12

A Europa não vai voltar a ser a mesma, pelo menos tão cedo. Os estragos causados já são grandes e a fraqueza em que ela está não ajuda. Por cá, sabemos que não é possível crescer baseado nas exportações, quando os nossos principais parceiros comerciais também estão em contracção, ou baseado no consumo, quando este diminui vítima do desemprego e dos impostos. E é preciso saber exportar ou criar empregos numa política bem articulada entre Estado e empresas. Sabemos também que não é a Grécia, nem Portugal, nem mesmo a Irlanda, que impedem a resolução da crise, nem foram as principais causadoras dela. Mas todos os dias se fala nos sacrifícios que estes países estão a fazer, e todos os dias se pedem mais, para se ficar com o quê? Se os mesmo apertos chegarem à Itália e à França, pelo peso que têm no PIB do G8, então será o caos mundial. A Alemanha, factor essencial da equação, tem uma visão metafísica das coisas e tende a acreditar cegamente nas suas próprias ideias e qualidades, o que nem sempre dá bom resultado. A França já começou a patinar nos ditos mercados, ao som da Alemanha. Quem nos acode? Ninguém? Então temos de nos unir.

Li com agrado o texto de Carlos Gaspar 'Reinventar a Europa?', no Público de ontem, onde alerta para que o Mundo sem a Europa é mais perigoso e menos civilizado. Tal como Joaquim Aguiar, é um dos intelectuais que não deveriam deixar de ser ouvidos na Casa do Chefe de Estado, fosse ele quem fosse, Rei ou Presidente, de um Estado de Direito Democrático.

Mário Soares, na coragem do seu sentido político, quer às vezes se concorde com ele ou não, alertou que temos de ser solidários com a Grécia. Senão, qualquer dia não vai haver ninguém solidário com ninguém, nas horas de maior aperto. É que já não é preciso olhar outros países longínquos para se ver muita fome e miséria. E todos são seres humanos, numa definição que a Europa entende bem.

Face ao estado da economia, a Política irá voltar em força. Mas é desejável que traga uma Ética democrática, em que os seus pilares, Liberdade, Igualdade e Fraternidade, sejam os sustentáculos da nossa sociedade e do Poder que ela gera. Por exemplo, agora que andamos preocupados com a falta de bébés, lembro que em Portugal a mulher só passou a ter direito a 90 dias após o parto, em 1976, ou seja, na Democracia pós-25 Abril 1974. Uma das causas em que está empenhado o actual Duque de Bragança, D. Duarte Pio, até pela sua obrigação física e moral em preservar a memória do que de melhor Portugal tem: os seus habitantes que descendem de já quase nove séculos de História.

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