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O Ouriço

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Este vídeo foi partilhado no facebook pelo meu caro amigo Jorge Silva a propósito do meu post anterior-também partilhado por aquelas bandas.




Leituras complementares:

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O Futuro do Euro

Faust Von Goethe 6 Mai 12

Artigo de Philipp Bagus publicado no site do Instituto Ludwig Von Mises Portugal

 

Os problemas da área do euro consistem essencialmente em maus investimentos. Na Grécia, hoje, continua a luta acerca de quem acabará por assumir o pagamento da conta desses investimentos. Durante o início dos anos 2000, uma política monetária expansionista baixou artificialmente as taxas de juros. Os empreendedores financiaram projectos de investimento que apenas pareciam lucrativos devido ao reduzido nível das taxas de juros, mas a que não correspondia uma poupança real. Desenvolveram-se assim bolhas imobiliárias e booms de consumo nos países periféricos.

Em 2007, as bolhas começaram a rebentar. Os preços dos imóveis começaram a estagnar e até mesmo a cair. Os proprietários e os construtores entraram em incumprimento relativamente à liquidação dos seus empréstimos. Como os bancos haviam financiado e realizado estes maus investimentos, sofreram prejuízos. Após o colapso do banco de investimento Lehman Brothers, os empréstimos interbancários colapsaram e os governos intervieram. Resgataram os bancos e, dessa forma, assumiram as perdas do sistema bancário resultantes dos maus investimentos.

À medida que os maus investimentos foram sendo socializados, as dívidas públicas na área do euro dispararam. Além disso, devido à crise, as receitas fiscais colapsaram. Ao mesmo tempo, os governos começaram a subsidiar sectores industriais e a subsidiar o desemprego.

Aliás, já antes da crise os governos haviam acumulado maus investimentos, devido às suas excessivas despesas sociais. Dois factores incentivaram as despesas sociais dos países periféricos. O primeiro consistiu nas baixas taxas de juros originadas ​pela política monetária expansionista do Banco Central Europeu (BCE) e pela própria moeda única. O euro nasceu com uma garantia implícita de resgate. No pior dos cenários, os participantes no mercado esperavam que os governos fortes resgatassem os governos fracos, de modo a salvarem o projecto político do euro. As taxas de juros pagas pelos governos italiano, espanhol, português e grego desceram drasticamente quando estes países aderiram ao euro. As baixas taxas de juros deram a estes países margem de manobra para despesas deficitárias.

O segundo factor consistiu na ocorrência de uma tragédia bens dos comuns relativamente ao euro, tal como explico no meu livro A Tragédia do Euro.

Na área do euro, vários governos independentes podem recorrer a um sistema bancário central para financiar os seus défices. Os custos desses défices podem ser parcialmente externalizados para outros países sob a forma de preços mais elevados. Tome-se o seguinte exemplo. O governo grego gasta mais dinheiro do que o que recebe em impostos. Para financiar a diferença, emite títulos do tesouro. O sistema bancário compra esses títulos, pois os bancos podem usá-los como garantia colateral para novos empréstimos do BCE. Quando os bancos, como garantia colateral, depositam no BCE os títulos do tesouro do governo grego, recebem dinheiro novo do banco central. Os bancos podem então usar essas novas reservas para expandir o crédito. A oferta de moeda aumenta e os preços sobem. O défice é assim indirectamente monetizado, sendo os utilizadores da moeda quem acaba por pagar.

Os preços aumentam não apenas na Grécia, mas em toda a área do euro. Desta forma, uma parte dos custos do défice são externalizados para outros países. Não é apenas o governo grego a poder externalizar os custos do seu défice desta forma: todos os governos o podem fazer, o que resulta em incentivos perversos. Se um governo tiver défices mais elevados do que os défices de outros países da área do euro, pode externalizar para os outros países os custos do seu défice. Quanto maior for o seu défice em relação aos défices dos restantes membros da área do euro, melhor.

Há uma redistribuição monetária dos governos orçamentalmente mais responsáveis para os governos menos responsáveis. Estes incentivos eram conhecidos desde o início do euro. A ideia era limitar os efeitos desses incentivos a défices inferiores a 3 % do PIB através do Pacto de Estabilidade e Crescimento (PEC). No entanto, o PEC foi um fracasso total. Apesar de terem ocorrido numerosas infracções, não foi nunca imposta qualquer sanção. O principal problema é que os governos são juízes em causa própria, tendo sempre decidido não ser necessária qualquer penalização.

Hoje, as dívidas públicas de vários países da área do euro são tão elevadas que não poderão nunca ser pagas. Os governos são incapazes ou não estão dispostos a liquidar essas dívidas. Se aumentarem os impostos, as suas economias entrarão em colapso e os seus défices poderão mesmo vir a aumentar. Se reduzirem as despesas, poderão ocorrer distúrbios sociais. Em qualquer dos casos esses governos perderiam influência e votos. Uma vez que estas dívidas não poderão ser liquidadas, representam maus investimentos.

A existência de maus investimentos significa que foram já desperdiçados recursos escassos da sociedade. Perdeu-se riqueza real através de despesas sociais e através de resgates a indústrias de sectores com bolhas económicas. No entanto, ainda não é claro a quem caberá o ónus principal das perdas causadas por estados sociais insustentáveis e pelos resgates a indústrias.

Até o início da crise da dívida soberana, a conta estava a ser paga através da redistribuição monetária interna inscrita na configuração do sistema do euro. Os principais contribuidores líquidos eram os cidadãos dos países orçamentalmente mais sólidos, tais como a Alemanha, que iam garantindo implicitamente os regabofes despesistas dos países periféricos. Mas os resgates da Grécia, da Irlanda e de Portugal evidenciaram estas transferências de riqueza: os incentivos para resgatar governos irresponsáveis são agora evidentes para todos. Os alemães já não estão dispostos a pagar as contas dos países periféricos.

A questão de saber quem vai pagar a conta por estes maus investimentos surgiu de novo com a crise de dívida soberana. Da resposta a esta questão depende o futuro do euro. Teoricamente, existem várias possibilidades:

  1. Os governos dos países periféricos pagam pelo seu próprio comportamento irresponsável. Reduzem despesas e privatizam propriedade estatal. Dessa forma perdem influência e provavelmente perdem também votos.
  2. Os governos dos países centrais (Alemanha, Finlândia, Países Baixos, Áustria e talvez a França) pagam e vendem propriedade pública.
  3. Os contribuintes dos países periféricos pagam através de uma maior carga fiscal.
  4. Os contribuintes dos países centrais pagam. Isso pode ser conseguido através de uma união orçamental. Numa união de transferência, os países mais ricos e sólidos transferem continuamente fundos para os países mais pobres. As transferências podem ser realizadas através de Eurobonds. Nesta variante, os países periféricos emitem Eurobonds garantidos por todos os governos da área do euro. Os contribuintes dos países centrais pagam indirectamente através de maiores taxas de juros sobre as suas dívidas públicas. Uma outra variante passa por recorrer ao FEEF, Fundo Europeu de Estabilização Financeira. A diferença é que, recorrendo ao FEEF, os países centrais têm um maior controlo sobre a emissão de títulos para resgatar os governos de países periféricos e mantêm-se taxas de juros diferenciadas para os diferentes países.
  5. Os utilizadores de dinheiro dos países da área do euro pagam através da inflação de preços. O BCE monetiza as dívidas governamentais. O BCE pode fazê-lo de várias formas. Pode comprar mais títulos do tesouro dos governos dos países periféricos. Pode continuar a aceitar títulos do tesouro dos países periféricos como garantia colateral. Também pode ajudar a financiar indirectamente o EFSF ou os Eurobonds monetizando dívida pública adicional dos países centrais.
  6. O sistema financeiro paga. Os governos sobreendividados deixam de cumprir os pagamentos dos seus empréstimos. Tendo o sistema financeiro financiado a despesa governamental excessiva, e estando interligado, o resultado será uma crise bancária.

Os países periféricos e o governo francês preferem uma combinação das possibilidades 4 e 5, ou seja, uma união orçamental e a monetização. O BCE prefere uma união orçamental. O governo alemão, no entanto, opõe-se a ambas as possibilidades, pois teme a inflação e a ira dos seus eleitores, cansados ​​de resgatar os países periféricos. A Alemanha quer um PEC reformado, com penalizações automáticas e um maior controlo sobre despesas públicas excessivas. A Alemanha também defendeu a posição de que os investidores privados (os bancos) devem assumir pelo menos parte das perdas. Por outras palavras, a Alemanha defende uma combinação das possibilidades 1, 3 e 6, isto é, que sejam os governos e os contribuintes dos países periféricos, bem como os bancos, a assumirem as perdas.

O futuro do euro e o futuro da UE dependem de quem sair vencedor. Se a França e os países periféricos levarem a sua avante, haverá uma união orçamental e maior centralização. O euro será uma moeda política e fraca.

Se a Alemanha vencer e houver uma PEC reformada, a longo prazo o euro será uma moeda forte.

Há ainda, no entanto, a possibilidade de que o lado perdedor se sinta tão infeliz que a área do euro se desintegre. No caso de uma vitória alemã, medidas adicionais de austeridade e uma redução dos níveis de vida poderiam levar a uma instabilidade social insustentável na Grécia. A Grécia poderia então sair da área do euro e desvalorizar a sua moeda para poder continuar o seu regabofe despesista. Isso poderia desencadear uma reacção em cadeia, com outros países a saírem da área do euro, e causar uma crise bancária.

No caso de uma derrota alemã, haveria uma maior centralização na Europa e possivelmente um futuro com taxas de inflação superiores a 10 %. Poderia então ocorrer uma “festa do chá”[1] alemã em oposição à transferência de riqueza para os países periféricos. A Alemanha poderia consequentemente abandonar o euro, desencadeando também uma desintegração da zona euro e uma crise bancária.

Mas quem é provável que vença? Em princípio a Alemanha tem as melhores cartas na mão, uma vez que é ela que está a pagar e uma vez que pode ameaçar deixar de dar garantias aos países periféricos. No entanto, pode haver argumentos ainda melhores para que vença o outro lado. A França esteve do lado dos vencedores da Segunda Guerra Mundial e tem maior poder geopolítico que a Alemanha. O governo francês e os seus aliados já se conseguiram livrar do odiado marco alemão. A Alemanha tem pago a outros países desde a Segunda Guerra Mundial devido a uma combinação de complexos de culpa e de ameaças implícitas de isolamento. Como as condições geopolíticas não mudaram radicalmente, é provável que a Alemanha continue a pagar no futuro e que o euro se transforme numa moeda fraca.

Sobre o artigo

Tradução da versão inglesa do artigo, publicada pelo Ludwig von Mises Institute, que é por sua vez tradução daversão original do artigo, em polaco, publicada no jornal Naszdziennik.

Philipp Bagus é Professor Associado na Universidad Rey Juan Carlos. É autor do livro A Tragédia do Euro e co-autor do livro Deep Freeze: Iceland’s Economic Collapse. O livro A Tragédia do Euro foi traduzido e publicado em alemão, eslovaco, polaco, italiano, romeno, finlandês, espanhol, português, inglês britânico e búlgaro.

  1. [1] O autor refere-se à “Festa do Chá de Boston”, na origem da revolução que deu origem aos E.U.A., e ao mais recente “Tea Party Movement” contra o aumento das despesas do estado no mesmo país. (N. do T.) 
Na imagem: Philipp Bagus com Ron Paul durante a conferência entitulada: "The Fed's Swap Bailout to Eurozone".

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Casamentos por Conveniência

Faust Von Goethe 23 Abr 12

O organograma acima, a exibir brevemente no documentário "Os Donos de Portugal", onde se evidencia as relações de propriedade cruzada entre as grandes empresas Portuguesas, vem corroborar um estudo recente dos matemáticos Stefania Vitali, James B. Glattfelder e Stefano Battiston, ao nível relações de "casamento" e "parentesco" [a nível global] entre grandes empresas multinacionais. 

 

O spin-off effect deste estudo, publicado no artigo "The network of global corporate control" e transcrito no site Inovação Tecnológica, pode ser lido na forma integral a partir do site News Scientists

 

Boas leituras!

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Leituras de Economês #4

Faust Von Goethe 22 Abr 12

 

Na sequência da última entrada de John Wolf, sobre as consequências que a (hipotética) mudança no Eliseu pode provocar na política económica e orçamental da zona euro, recomendo, para além da entrevista recente de Paul De Grauwe- Universidade Católica de Leuven, Bélgica-ao Jornal de Negócios, uma leitura mais atenta a alguns dos seus trabalhos académicos. Boas leituras!

 

Fonte: http://www.econ.kuleuven.ac.be/ew/academic/intecon/degrauwe/

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Blogar em tempos de crise

Faust Von Goethe 19 Abr 12

Escrever sobre a crise que se vive em Portugal pressupõe, por parte daqueles que opinam, algum enquadramento, imparcialidade bem como algum distanciamento das ideologias politico-partidárias. A crise actual, pela sua complexidade, tem exigido de nós [bloggers] um maior esforço intelectual, para tentarmos esmiuçar, perante os que nos acompanham, os meandros da crise e do que pode aí vir, o que nem sempre tem sido fácil.

 

A cada dia que navego pela blogosfera, fico a sensação que a cobertura desta crise assim como a previsão dos vários cenários falhou redondamente. Falhou, logo desde início, ao se pactuar com a “versão oficial” do Governo e dos economistas do regime, com o discurso do “medo” que o governo começou por “passar”, levando a que aceitássemos, sem objecções, as drásticas medidas que nos estavam a ser impostas.

 

Houve um deslumbramento inicial da blogosfera pela troika e pelas promessas [incipientes] deste [novo] governo- o governo falava e os bloggers ouviam e reproduziam mimeticamente a mensagam, sem vacilar. Demorou algum tempo até que a blogosfera reagisse, ao questionar a eficiência das medidas de austeridade. No entanto, com o agravar da crise e com a percepção do cenário global da crise do euro, as opiniões mais antagónicas de alguns bloggers começaram a fazer sentido e a passar, opiniões essas que começam a influenciar os restantes bloggers, da esquerda à direita.

 

Esta crise veio revelar a faceta egoista do ser humano, que direcciona a sua acção para maximizar os lucros com o menor esforço possível, descurando aspectos fundamentais como a solidariedade e a soberania.

 

Continuam a ganhar os agiotas e os especuladores, pois a ganância dos economistas e políticos continua a cegá-los de tal modo que estes continuam impotentes para prever e impedir que os ditos cujos, nos continuem a fazer tanto mal.

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Capitalismo Coronário

Faust Von Goethe 12 Abr 12

Ao que parece, Pedro Santos Guerreiro-director do Jornal de Negócios- leu o meu post da última madrugada, onde citei um artigo de Kenneth Rogoff e disponibilizou no site do jornal, a tradução na íntegra do artigo de Kenneth Rogoff entitulado Capitalismo Coronário, o qual tomei a liberdade de copiar na íntegra mais abaixo.

 

Tal como já mencionei ontem, este artigo de Kenneth Rogoff é de leitura obrigatória, pois permite-nos entender o possível alcance da medida de Assunção Cristas assim como instruirmo-nos de argumentos válidos para refutar aspectos inerentes à medida anunciada.

 

Boas leituras.

A ampla e sistemática falha de regulação é o elefante na sala quando se trata de reformar o capitalismo ocidental de hoje. Sim, muito se tem dito sobre a insalubre dinâmica política-regulatória-financeira que levou ao ataque cardíaco da economia global em 2008 (iniciando o que Carmen Reinhart e eu chamamos "A Segunda Grande Contracção"). Mas o problema é exclusivo do sector financeiro, ou denota uma falha mais profunda do capitalismo ocidental?

Considere-se a indústria alimentar, particularmente a sua influência, por vezes maligna, na nutrição e saúde. As taxas de obesidade estão a subir em todo o mundo, porém, entre os grandes países, talvez o problema seja mais grave nos Estados Unidos. De acordo com o Centro para a Prevenção e Controlo de Doenças dos Estados Unidos, cerca de um terço dos adultos norte-americanos é obeso (indicado por um índice de massa corporal acima de 30). Ainda mais chocante, mais de um sexto das crianças e adolescentes é obeso, uma taxa que triplicou desde 1980. (Transparência total: a minha esposa produz um programa para a televisão e para a Internet, chamado kickinkitchen.tv, que visa combater a obesidade infantil).

Obviamente, os problemas da indústria alimentar têm sido vigorosamente destacados por especialistas em nutrição e saúde, incluindo Michael Pollan e David Katz, e certamente por muitos economistas também. E há muitos outros exemplos, dentro de uma grande variedade de bens e serviços, onde se poderia encontrar problemas semelhantes. Aqui, porém, quero focar-me na ligação da indústria alimentar com problemas mais amplos do capitalismo contemporâneo (que certamente facilitaram a explosão da obesidade em todo o mundo), e no porquê do sistema político dos Estados Unidos ter dedicado muito pouca atenção ao assunto (embora a primeira-dama Michelle Obama tenha feito um esforço importante de sensibilização).

A obesidade afecta a esperança de vida de diversas formas, que vão da doença cardiovascular até alguns tipos de cancro. Além disso, a obesidade – nas manifestações mórbidas – pode afectar a qualidade de vida. Os custos são suportados não só pelo indivíduo, mas também pela sociedade – de forma directa através do sistema de saúde, e de forma indirecta, através da perda de produtividade, por exemplo, e dos custos de transporte mais elevados (mais combustível gasto nos aviões, assentos maiores, etc.).

Mas a epidemia da obesidade dificilmente se parece com um assassino de crescimento. Produtos alimentares altamente processados, baseados no milho, e com muitos aditivos químicos, são bem conhecidos por serem um dos maiores indutores do ganho de peso mas, de uma perspectiva convencional de contabilidade de crescimento, são uma grande coisa. Os grandes agricultores são pagos para cultivar o milho (muitas vezes subsidiados pelo governo), e os processadores de alimentos são pagos para adicionar toneladas de químicos que resultam em produtos criadores de hábitos – e por isso, irresistíveis. Paralelamente, os cientistas são pagos para encontrar a mistura certa de sal, açúcar e produtos químicos para tornar a comida instantânea viciante ao máximo; os publicitários são pagos para vendê-la; e no fim, a indústria dos cuidados de saúde faz uma fortuna a tratar das doenças que, inevitavelmente, resultam de tudo isto.

O capitalismo coronário é fantástico para o mercado accionista, que inclui empresas de todos esses sectores. Alimentos altamente processados também são bons para a criação de emprego, incluindo nas áreas da pesquisa, publicidade e saúde.

Assim sendo, quem é que se pode queixar? Certamente não os políticos, que são reeleitos quando o emprego é abundante e os preços das acções estão em alta – e recebem doações de todas as empresas que participam na produção de alimentos processados. De facto, nos Estados Unidos, os políticos que ousam falar nas implicações dos alimentos processados na saúde, ambiente e sustentabilidade, em muitos casos, vêem-se privados de fundos para a campanha.

É verdade que as forças do mercado têm estimulado a inovação, que tem baixado continuamente o preço dos alimentos processados, mesmo que o preço das boas e velhas frutas e vegetais tenha subido. Este é um ponto justo, mas denuncia a enorme falha do mercado aqui.

Os consumidores recebem muito pouca informação nas escolas, bibliotecas ou campanhas de saúde; em vez disso, são bombardeados com desinformação através da publicidade. As condições para as crianças são particularmente alarmantes. Com poucos recursos para ter uma televisão pública de qualidade, na maioria dos países as crianças são cooptadas por canais pagos pela publicidade, incluindo da indústria alimentar.

Além da desinformação, os produtores têm poucos incentivos para internalizar os custos dos danos ambientais que causam. Da mesma forma, os consumidores têm poucos incentivos para internalizar os custos médicos das suas escolhas alimentares.

Se os nossos únicos problemas fossem a indústria alimentar causar ataques cardíacos, e a indústria financeira provocar o seu equivalente económico, isso já seria mau o suficiente. Mas a patológica dinâmica regulatória-política-financeira que caracteriza essas indústrias é muito mais ampla. Precisamos de desenvolver instituições novas e muito melhores para proteger os interesses de longo prazo da sociedade.

Claro que o equilíbrio entre a soberania do consumidor e o paternalismo é sempre delicado. Mas, certamente, podíamos começar a atingir um equilíbrio mais saudável do que aquele que temos, dando ao público mais e melhor informação através de uma variedade de plataformas, para que pudessem começar a fazer escolhas políticas e de consumo mais conscientes.

Kenneth Rogoff é professor de Economia e Políticas Públicas na Universidade de Harvard, e foi economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI). 

 © Project Syndicate, 2012.


www.project-syndicate.org


Tradução: Rita Faria

 

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Contra os cidadãos, taxar, taxar e taxar

Faust Von Goethe 11 Abr 12

De acordo com a proposta de decreto-lei, a que o Diário Económico teve acesso, será "devido o pagamento, pelos estabelecimentos de comércio alimentar de produtos de origem animal e vegetal, frescos ou congelados, transformados ou crus, a granel ou pré-embalados, de uma taxa anual" - denominada Taxa de Saúde e Segurança Alimentar Mais. A proposta é da autoria do Ministério da Agricultura e das Finanças, mas nenhum destes organismos esclareceram se a nova taxa se vai aplicar também a restaurantes.

 

Por um lado, admiro a habilidade de Cristas [e do governo em geral] para substituir a ASAE por algo bem mais eficiente ao nível da tributação. Com esta medida, há encaixe garantido.

 

Por outro lado, pode ser uma medida interessante e que vai ao encontro do que Kenneth Rogoff, ex-economista chefe do FMI, escreveu há meses atrás em Project Syndicate.

 

Para bem do consumidor, seria fundamental que esta também se aplique a fast food e a cadeias que importam as matérias primas fora de Portugal.

 

Adenda: A cadeia de restaurantes Mc Donalds em Portugal importa os hambúrgueres e as batatas fritas que consumimos directamente de Espanha.

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Quem vai primeiro ao tapete?

Faust Von Goethe 6 Mar 12

 

 

Grécia ou James Murdoch?

Aceitam-se apostas.

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