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O Ouriço

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Uma das mais difíceis estimativas que o grupo de especialistas a que eu pertencia tinha que fazer, era o efeito dos novos investimentos no desenvolvimento sócio-económico regional. Já falámos, nas colunas anteriores, da prática na Tanzânia, com efeitos contrários aos esperados; e da Suécia, com resultados muito acima dos previstos. Além dos económicos já descritos, a concentração demográfica lá e a descentralização aqui trouxe lá um brutal aumento da criminalidade violenta e aqui uma redução. Efeitos que pouco refletem-se no PIB, mas muito no bem-estar.

 

 

Quando Brasília foi inaugurada, há 50 anos, a esmagadora maioria da população brasileira estava na ou próxima à orla. Além dos 200 km, o que equivale a uns 15% da largura do país, só pelos rios São Francisco ou Amazonas; só em Minas Gerais, o ouro e o ferro trouxeram os caminhos de ferro até aos 400 km da costa.

 

A decisão de mudar a capital, há 95 anos, não se concretizava pois os lóbis das empresas no Rio e em São Paulo o impedia. E assim impedia melhor utilizar os recursos do interior, o que poderia mudar a estrutura do poder no país. O médico Kubitchek, que andara pelo interior antes de ser eleito governador de Minas Gerais e depois presidente, decidiu modernizar o Brasil, com o plano de governo “50 anos de progresso em 5”. Foi eleito com boa maioria, contra a oligarquia anterior. Enfrentou os lóbies, o congresso, a imprensa, e lavorando 15h. por dia, à força, como o governo da Suécia também fez, venceu o lóbi e mudou a capital.

 

O projeto urbanístico aliava o racional e o funcional de Lúcio Costa, que regressara de França, com o artístico de Niemeyer e o paisagístico local de Burle Marx. Todos com origem estrangeira, pouco mencionados na imprensa, íntegros. Como os reis da Suécia no século XVIII e a Catarina a Grande da Rússia pouco depois, o Brasil buscou os melhores da Europa, claramente anti-lóbi, para modernizar a estrutura do país.

Brasília levou para o interior caminhos-de-ferro, agora modernizados e estendidos, e estradas. Isto atraiu enormes investimentos privados no imobiliário para criar residências em Brasília. Mas também na extração de matérias-primas para construí-la. Na moderna agricultura, para alimentá-la. Na indústria do mobiliário, têxtil, tudo para uma crescente população com poder de compra. Os pobres, mas esforçados, deixaram as grandes cidades, para um novo começo no interior. E quase todos ganharam.


Hoje o significativo aumento das exportações do Brasil deve-se a exploração racional das férteis terras e dos minerais daquela região, da exportação de carne e frango vinda dos novos pampas e aviários em torno de ricos milharais, do turismo de naturezaem Mato Grosso e Goiás. Enfim, imensos recursos naturais e humanos, antes desprezados, deram início a uma nova era na estrutura económica e social do país.

Em 5 anos o Brasil realizou um sonho, em 15 mudou a estrutura, em 45 passou de um dos mais pobres a um dos mais ricos do mundo.

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