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O Ouriço

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Passos Coelho quer refundar. Barack Obama deseja fundar. A poucas horas das eleições presidenciais Norte-Americanas, penso sobre o que distingue um político de um estadista. Penso sobre o que constitui uma visão duradoura fundada na ideia de justiça e equidade. Penso no oposto também. Naquilo que coloca o cidadão em risco, que o exclui, que o antagoniza - o agoniza. Conhecidos que são os desequilíbrios do paradigma Americano, Obama procura mais um mandato para avançar as grandes causas jamais pensadas pela matriz política e cultural dos Estados Unidos. A referência a Socialismo nos EUA tem uma conotação ácida, proibida. Faz soar o alarme de "economias de direcção central", faz arrepiar os corredores académicos de Chicago e relembra fitas que alertavam para a chegada dos Russos. No entanto, não conheço país mais socialista do que os Estados Unidos. Mas quando uso o conceito socialista de um modo tão livre, rogo a vossa flexibilidade conceptual. Refiro-me a uma outra variante, porventura uma estirpe mais importante que a centralidade política. Arrisco uma nova definição para facilitar a sua aceitação. Se tivesse de travar-me de razões com um compatriota Americano, apresentaria a coisa de um modo suave. Utilizaria uma expressão suave, uma versão ideologicamente light, diet. Seria uma doutrina fundada na livre associação de cidadãos em prol de projectos comunitários. A sociedade civil em todo o seu esplendor. A ironia a que assistimos tem a ver com essa inversão de papéis ideológicos e programáticos. Enquanto que em Portugal o Estado Social está a ser desmontado, nos EUA Barack Obama procura plantar as primeiras sementes de um Estado tendencialmente Social. Um país que definitivamente se coloca ao serviço de todos cidadãos. O Obamacare será uma parte apenas de um corpo de intervenção maior. Uma visão que universaliza os princípios subjacentes à própria independência do país, os valores que levaram ao rompimento com a paternidade colonialista. Neste momento de convulsão, não serve de conforto nem conserto para os males Portugueses, as soluções que venham a ser escolhidas pelos Americanos. Mas para que não restem dúvidas. Há quem procure defender o que outros querem enjeitar.

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Europeus, Burros e Elefantes...

John Wolf 30 Out 12

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O meu voto seguiu há dias. Procedi ao registo online na categoria de "eleitor residente no estrangeiro" e volvidos poucos dias, o meu boletim de voto chegava à minha caixa de correio electrónico. Assinei de cruz, e enviei por correio azul a decisão - a second term for Obama. Independentemente do resultado, uma coisa posso garantir, o furacão que assola os EUA é muito menos perigoso do que aquele que fustiga a Europa. A União Europeia revelou a sua linha de fractura, a clivagem norte-sul, o embate de placas tectónicas, uma discussão acesa entre Gutenberg e Júlio Iglésias. E daqui não descolamos. Há dias George Soros propunha que a Alemanha replicasse o tratamento dos EUA para com a Europa no período subsequente à II Grande Guerra. Ou seja, que um plano Marshall Alemão fosse aplicado aos países devastados pelo falhanço do projecto Europeu. Que uma espécie de soft power fosse exercida "sobre" os países periféricos. Um plano contrário à austeridade que se conhece, mas que não colocasse em causa os compromissos decorrentes da dívida, que seriam simultaneamente económico, financeiro e moral. A Alemanha, ao ser o bom da fita, decerto que granjearia os louvores dos países membros caídos em desgraça. Esta seria, concerteza, uma via alternativa. Um modo de validar o conceito de verdadeira união, uma União Centro-Periférica. Mas por que raio trago à baila as eleições Americanas? Porque nos EUA ninguém sonha em questionar o seu federalismo. Um contribuinte do Estado de Nova Jersey (que paga dos impostos mais elevados dos 50 estados Americanos) não põe em causa as decisões federais que levam à transferência dos seus "fundos e mundos" para um Estado mais pobre, como por exemplo, o Arizona. É esta a essência moral de uma federação - o pressuposto que as diferenças existem e que podem ser mitigadas. A poucos dias das presidenciais Norte-Americanas sinto mais naúseas pela situação Europeia do que o avanço de Mitt Romney nas sondagens. Mas devo dizer que esse avanço Mormónico não é coisa boa. Prefiro o espírito Quaker. O cream Quaker.

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