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O Ouriço

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É a Iniciativa de Viena 2009, estúpidos!

Faust Von Goethe 3 Jul 12

Um pequeno comentário à notícia:

Helsínquia pede garantias reais para participar no empréstimo à banca espanhola 

 

Quando há semanas atrás, analisei à lupa o resgate espanhol, já tinha chamado à atenção, depois de ouvir as declarações do ministro das finanças holandês e da ministra das finanças finlandesa, que países como Finlândia e Holanda iriam pedir contrapartidas a espanha baseadas  nos termos da iniciativa de Viena de 2009, também conhecida por European Bank Coordination Initiative.

Ao que parece, os jornais [portugueses] estiveram distraídos [com o euro 2012], resumindo, por mera preguiça intelectual, a ajuda externa a espanha como um "rescate dulce". É caso para dizer...

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Resgate Espanhol ao Milímetro*

Faust Von Goethe 11 Jun 12

Horas antes de espanha ter solicitado o resgate financeiro, o Fundo Monetário Internacional forneceu na sua página um retrato macroeconómico da situação espanhola. E as conclusões foram claras. A crise do sector financeiro tem-se arrastado nos últimos 4 anos e, embora o impacto da crise tenha sido relativamente brando nos primeiros tempos, os números recentes revelam que com o agudizar da crise, houve uma forte recessão assim como um aumento abrupto dos números do desemprego .  Por outro lado, a reestruturação [lenta] do sector bancário fez com que houvesse um agravamento do acesso ao crédito.  

 

A razão porque Espanha- à semelhança de Portugal, Irlanda e Grécia- foi forçada a solicitar um resgate financeiro tem a seguinte explicação:

Os países que fazem parte da união monetária, não têm soberania perante mecanismos que lhe permitam o controlo de taxas de juro e câmbio assim como a capacidade de emitir dívida em base monetária.  Estas limitações conduziram, em todos os casos, numa perda de confiança por parte dos investidores, induzindo um aumento significativo dos seguros de dívida-os Credit Default Swaps.

 

           Uma vez que não foi possível colocar títulos de dívida no mercado a taxas de juros ditas razoável, assim como a compra de dívida por parte dos bancos centrais [nacionais] fez com que houvesse um aumento da desconfiança dos investidores, por um lado, e ao aumento das taxas de juro nominais, por outro lado.

Sendo que o Banco Central Europeu permite trocas de títulos de dívida [grega, irlandesa, portuguesa, espanhola] por p.e. títulos de dívida alemã-as bunds-esta troca provocou nos últimos tempos uma fuga de depósitos dentro da própria zona euro.                

 

Analise-se agora em detalhe  o empréstimo espanhol. Ao contrário dos restantes países resgatados, o empréstimo de 100 mil milhões será para  recapitalizar a banca e para fazer face às necessidades imediatas de crédito no sector imobiliário.

 

           Com este empréstimo, o estado espanhol poderá de forma inconsciente estar a caminhar para um default  pois embora este empréstimo permita ao estado espanhol manter os seus rácios de contas públicas intactos, evitando de certo modo a dita austeridade, no caso deste vier a assegurar a recapitalização da banca sem pedir quaisquer garantias, estará a assumir o risco de falência da banca pois é o seu credor directo.

Por conseguinte, incorre o risco de, à medida que os bancos venham a obrigados a reavaliar os seus activos imobiliários, de sobrar apenas um pequeno montante deste empréstimo para injectar na economia real.

 

Ao contrário do estado espanhol, não se antevê quaisquer riscos para os parceiros do eurogrupo no que toca a este empréstimo, pois umas das cláusulas a ser imposta por parceiros como Holanda e Finlândia, estará assente na Iniciativa de Viena 2009, também conhecida por European Bank Coordination Initiative. Ao abrigo desta iniciativa, poderá haver um prolongamento da duração do empréstimo [a Espanha] de forma voluntária que permita, em caso de reestruturação, o envolvimento da participação por parte de credores privados. Caberá portanto aos parceiros do Eurogrupo e ao Fundo Monetário Internacional, o de garantir a supervisão do resgate e caberá ao governo espanhol encorajar os investidores privados a manterem a sua exposição global numa base voluntária.

 

   Em suma, o verdadeiro risco deste empréstimo será assegurado pelo estado espanhol. No caso deste não conseguir criar condições favoráveis para a recuperação económica, em particular linhas de crédito direccionadas para PME’s, a recuperação económica de Portugal -assente essencialmente no sector das exportações e nas relações comerciais com espanha-poderá vir a ser directamente afectada e por conseguinte, o nosso regresso aos mercados venha a ser adiado por mais uns meses.

 

Sobre este cenário, apenas poderemos ter uma resposta mais concreta em Junho 2013, altura em que saberá se Portugal poderá regressar aos mercados em Setembro 2013, tal como previsto.

 

* Esta é uma análise preliminar de uma sequela de análises a publicar brevemente.

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