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O Ouriço

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O lirismo da alma económica

John Wolf 29 Mai 12

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

No seguimento dos artigos de Mendo Henriques, aqui e acolá, na academia, na mesa informal; as explicações detalhadas de Nelson Faustino respeitantes às funções matemáticas e económicas; as incursões mediáticas de Paulino Brilhante Santos na ETV; os princípios basilares relembrados por Rui Rangel, entre outros contribuintes igualmente movidos pela importância da justiça económica e social, gostaria de acrescentar que as soluções técnicas que se venham a implementar para promover o crescimento e o emprego, apenas poderão proliferar se de uma forma inequívoca uma nova tése voluntarista de riqueza e partilha venha a ser adoptada. Aquém, e para além da lei e dos regulamentos, terá de florescer no espírito humano a força que possa emprestar a justa oportunidade ao semelhante, aos discriminados, ao indiferenciado pelo esbanjamento da alma. A especulação e a exploração mal se distinguem, e assumem uma forma "civilizada" de escravatura. A montante e a jusante alterações profundas estão em curso, pelo que a geração e distribuição de riqueza tem roubado quase todas as atenções, sem que se faça uma pausa para reflectir sobre as grandes aspirações colectivas, enganosas, cores de rosa, enganadas, cinzentas, escuras. A natureza da felicidade terá de ser repensada. Uma nova genética de realização terá de brotar na mescla espontânea, longe ou perto da racionalidade. Ao lado da leviandade. O que move o homem e o que justifica a sua condição? São questões que colocam sobre a mesma mesa a fome e as mais profundas aspirações, a realização, o apogeu de algo tombado, caído por terra, levantado pela tão familiar estranheza. Um semblante desgraçado partilhado por tantos, por tantos, menos afortunados. E no fim seremos meros indigentes, pensados à revelia da fortuna. Entramos assim no campo amargo da alma quebrada, estalada pelo abuso de uma rosa dos ventos que soprou o homem na direcção oposta.

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O conceito de felicidade

John Wolf 24 Jan 12

Ontem estive na palestra proferida pelo Juiz Desembargador Rui Rangel, alusiva ao "Estado da Troika", uma iniciativa organizada pelo Instituto da Democracia Portuguesa, um movimento da sociedade civil que visa promover o grande debate em torno de Portugal, e avançar com soluções para o seu desenvolvimento e progresso. O Dr. Rui Rangel expôs de um modo acutilante e cru, as reais implicações do assalto da Troika à soberania nacional, à vida do cidadão comum, e concomitantemente, foram reveladas as grandes falhas sistémicas e estruturais que não foram de facto vislumbradas pelo grande projecto Europeu. Regredimos no tempo, sem dúvida alguma, e  gerações sucessivas estarão comprometidas materialmente pelo Diktat técnico financeiro da Troika. Na sessão de debate que se seguiu ao discurso, levantei a questão de saber qual o conceito de realização e felicidade almejado pelas nossas sociedades. Se as aspirações materiais terão estado na origem do descalabro, por termos desejado os símbolos materiais que nos conferíssem o estatuto de nações mais desenvolvidas. Creio que terei sido malentendido, provavelmente por não ter conseguido expressar de um modo eficaz a reflexão filosófica, que no meu entender será uma das pedras basilares da refundação das nossas sociedades, da nossa civilização. Se o nosso propósito é regressar ao que sempre fomos, aos vícios de comportamento colectivo, despachando a pontapé a Troika, sem aproveitar a sua nefasta presença para extrair algumas elucubrações auto-reflexivas, então, mais uma vez estaremos a esbanjar a oportunidade que se nos impõe. Se regressarmos a uma nova normalidade para eternizar o consumo desenfreado e o "viver para além das possibilidades", mais vale nem sequer procurarmos uma visão prospectiva. Não falo do conceito de felicidade de ânimo leve, como se fosse um devaneio poético. Refiro-me a uma refundação transversal, civilizacional e global que nos obriga a pensar em termos quasi espirituais. O que realmente necessito para garantir uma vida digna? Se a classe média é a que tem o ónus de transformação, será também ela a responsável por ter comprometido a nossa sustentabilidade. Foi ela que mordeu o isco do crédito fácil e se endividou para deter o plasma que não pode ver, a viatura que não pode conduzir, as férias que não pode ter. Foi ela que elegeu governos e formou partidos políticos. É certo que os governos criam os quadros legais que facilitam esse comportamento suicidário, mas em última instância, a ética individual deve prevalecer. A chegada da Troika há muito que estava prevista. Há gerações que a Europa e os estados membros da União Europeia vinham escrevendo esta tragédia. E não serão os únicos. Os EUA também viverão tempos dificeis, num ciclo mais ou menos próximo, mas por ora tratemos das maleitas lusas, se conseguirmos afastar a ameaça de um certo nacionalismo que tolda o pensamento, e torna turva a procura de soluções. Neste momento, deve prevalecer a razão. O coração terá de esperar por dias melhores. 

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