Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

O Ouriço

MENU

 

 

 

 A discussão sobre a Marca Portugal que parecia ser uma obsessão dos marketeers portugueses, tornou-se agora uma obsessão de outros marketings. "A Marca Portugal tem de ser um conceito integrado" e a imagem do país "deve ir além dos Mourinhos, com todo o respeito", disse de forma obscura Pedro Reis, o novo presidente da AICEP.

Com todo o respeito pelo presidente da AICEP, o novo presidente da FPF ripostou que a única coisa que tem uma boa Marca em Portugal é o futebol. A polémica está instalada. Disse Fernando Gomes que, entre 2000 e 2010 "a modalidade teve um crescimento anual (whatever...) de 7%, enquanto a economia apenas cresceu 0,7%" (!???). Segundo as classificações da IFFHS, o Benfica está em oitavo lugar mundial e o FC Porto em nono. (A IFFHS terá considerado que Sporting não é nome português, digo eu...) José Mourinho, André Villas-Boas e Domingos Paciência estão entre os 10 melhores do Mundo, e a Liga Portuguesa entre as quatro melhores. Enfim no futebol, existe uma Marca Portugal.

Mas agora é que começam os problemas e mesmo um ligeiro toque de esquizofrenia. O nosso país chama-se, oficialmente, República portuguesa. O chefe de Estado é o presidente da República portuguesa. A nossa lei fundamental chama-se (ainda) a Constituição da República portuguesa, embora se refira Portugal nos artigos 1º, o 5º e o 7º. Depois temos a Procuradoria-Geral da República e a Assembleia da República, e outras entidades oficiais, que têm uma marca republicana, mas não da marca Portugal. No Bilhete de Identidade e no Cartão de Cidadão também consta a expressão República portuguesa. Os titulares são mais republicano-portugueses, do que apenas portugueses. Nada de bom para a Marca Portugal... É mais um toque de esquizofrenia – digo eu - neste debate agora relançado sobre a Marca Portugal.

Talvez dê algum jeito que a nossa horrorosa Dívida soberana se chame “Dívida da República” e não de Portugal.. Mas essa gente atenta dos mercados financeiros ainda não caiu na esparrela. Quanto ao MNE, como sempre de gostou de fazer as coisas com continuidade, continua a chamar “Embaixadas de Portugal” às da República portuguesa.

Esta nomenclatura oficial de República portuguesa que nos vem desde 1910 e que o Doutor Salazar respeitou de maneira sacrossanta - ou não fosse poderosa a religião civil republicana inculcada nas escolas - foi o fim do Portugal sem alcunha. Felizmente nunca existiu uma possidoneira que se chamasse  “Monarquia Portuguesa”. Bastava o nome Portugal.

Mas, para criar a sua Marca, a República teve de valorizar o regime em detrimento da nação. O que vale é que a denominação Portugal, que vem das brumas da memória, persistiu no senso comum, na cultura popular, e, como se vê agora pelas declarações de Fernando Gomes, na mais popular das actividades portuguesa, o futebol. E ainda no Atletismo, Hoquei, Natação e em todos os desportos que têm uma “Federação Portuguesa de...” e não ..”da República Portuguesa”.

Portugal não precisa da alcunha de República

Mas isso é muito mais que um problema de Marca....

Autoria e outros dados (tags, etc)

Pesquisar

Pesquisar no Blog

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

subscrever feeds