Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

O Ouriço

MENU

Fogo imposto

Jack Soifer 27 Jul 12














Em 2006, ouvi, de um alto quadro da UE, que o fogo posto em Portugal era para uns poucos lucrarem com o "laisser faire" ministerial. Publiquei, no "Jornal de Negócios" de 14/08/06, no OJE de 07/09/10 e 27/03/12 alertas para o fogo posto, sobretudo neste verão.
 
Hà 30 anos que somos, na UE, o país que mais perde com incêndios. É fogo posto para a especulação imobiliária ou eucaliptal. Remediar é para ineptos, o bom gestor previne.

Hà 50 anos que há como prevenir, tal como em outros países, onde ONG locais limpam o mato e aeroclubes recebem, do governo, o combustível para voos de alerta. Cá, Hà décadas que se pune o mandado, não o mandante. Como quem perde é o pequeno, continuam os fogos. Não se valoriza o potencial de exportação do mobiliário, fitoterápicos, mel, etc. que a nação perde. Nem o que o turismo perde.  

As seguradoras sabem quando a ocorrência é maldosa e têm meios de levar os reais culpados à justiça. "Propriedade difusa e social não ganha processo", disse um juiz. Nem governo nem procurador evita fogo ou comprova dolo. Seguradora sim.

Devemos incentivar proprietários e concelhos a fazerem um seguro pelo real valor do património e conteúdo das matas. Calculado por especialista, que a seguradora deve aceitar, e, se arder, pagar. No início, o governo poderia compensar, p.ex. 40% do prémio e gradualmente reduzi-lo a 6%. Quanto melhor prevenção e mais rápido combate, maior lucro, o que incitaria proprietários e concelhos a recorrer o que há de melhor para evitar os incêndios. 

O governo deve pagar todos os prejuízos atuais, pois o cidadão, ao pagar impostos, desobriga-se. Se o governo não evita o fogo, cabe a ele ressarcir de imediato. Ou somos parvos?
 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Fogo imposto!

John Wolf 21 Jul 12

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Os incêndios que lavram de norte a sul de Portugal merecem ser interpretados à luz da grande crise que assola o país. Estes fogos não nascem espontaneamente por obra e destino de uma faísca fugidia, de uma lupa esquecida na mata por um bom samaritano, quiça um escoteiro desnorteado. Assistimos a um acto de guerra inclassificável. Uma missão terrorista inventada pelo homem das cavernas e levada por diante pela superioridade, a civilização de recurso. Em vez de o Português levar a sua indignação aos níveis de violência registados noutras cidades europeias, o seu protesto contra as medidas de austeridade não eclode nas ruas e avenidas das urbes, na malha citadina decorada repentinamente pelas montras estilhaçadas e o arremesso de bombas molotovs. Com o espírito remoído pelo mal-estar, o topo das serras parece ser o campo de batalha de eleição. A mata enquanto último reduto intocável, espinhoso; a província abandonada pela política no seu sentido mais literal, os lugares e as gentes que fazem nascer as comunidades e que foram traídos pelos virtuosos. A violência a que assistimos é uma clara manifestação de uma doença maior. Uma patologia fora do alcance do sapador voluntarioso. São ervas daninhas que querem erradicar a toda a força. Um bolbo nuclear para plantar uma fábula rasa nas serras, para que se lembrem nas cidades.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Pesquisar

Pesquisar no Blog

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

subscrever feeds