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O Ouriço

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Quem é ignorante? Quem é?

Faust Von Goethe 29 Set 12

Numa reunião com 300 empresários, economistas e agentes políticos que decorreu em Vilamoura, António Borges considerou ignorantes os empresários que se manifestaram contra as mexidas na Taxa Social Única (TSU).

 

Eu considero António Borges um ignorante-ou melhor, um ignóbil pois tem formação académica- por não ter lido um dos últimos reports  dos seus antigos colegas do FMI, onde foi dito [com argumentos bastante sólidos] que era arriscado fazer mexidas na TSU [dentro da zona euro].

 

Adenda: Já repararam como a austeridade desenhada por António Borges está a desgastar o próprio António Borges? Se não se acreditam no que vos digo, comparem a foto acima de António Borges [tirada hoje em Vilamoura] com esta foto de António Borges tirada em Novembro 2011, antes de ser dispensado-só para não dizer despedido-pela actual chefe do FMI, Christine Lagarde.

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A ferradura da política

John Wolf 22 Set 12
















Existe por aí uma falsa esquerda, uma falsa direita, e um falso centro que não são mais do que oportunistas. Conheço uns quantos que estão na rua ao lado dos "oprimidos" (alinhados com um mito hippie-marxista) mas que tomam decisões no seio de grandes grupos económicos e que baseiam o seu lucro na exploração do talento de outrem. E o oposto, uns que se acham liberais e iluminados (alinhados com a alegada elite) mas que não fazem a mínima ideia de filantropia. Já não tenho paciência para estes traidores da integridade. O resultado é sempre o mesmo. Um bicho que morde a cauda, a sua e a dos outros.











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O Estado da Nação

Faust Von Goethe 21 Set 12

 

Tenho tentado ao máximo evitado fazer críticas, que não sejam construtivas aos actuais líderes do governo, em particular ao CDS/PP pois retirando o poder do seu líder Paulo Portas, os restantes ministros não têm um grande peso político no actual executivo. Nem nas secretarias de estado.

 

Como forma de contrabalançar com as actual conjuntura política, decidi rever o vídeo de encerramento do debate sobre "O Estado da Nação", em que Portas afirmou que “Portugal estar melhor no final desta legislatura do que estava no início desta legislatura”. Quem ouviu as palavras de Portas há um mais de um mês ficou com a esperança de que o que estava a ser feito estava-ou ainda está-a valer a pena.

 

No entanto, a conjuntura actual não valida grande parte do discurso de Portas. É verdade que os problemas dos juros da dívida e da bolsa de valores se estão a resolver. Mas este optimismo desmesurado não se deve às medidas do Governo, mas à mudança do paradigma da Europa para enfrentar a crise. As soluções apenas vieram após líderes como Mário Monti terem batido o pé a Angela Merkel naquela célebre madrugada do pós europeu de futebol em que Itália cilindrou a Alemanha por 2-0. O eventual desastre espanhol que conduziria ao afundamento de Espanha-que deve formalizar a sua pedida de ajuda externa aos membros da UE-apenas contribui ainda mais para o pragmantismo das medidas tomadas.

 

Recentemente, Mario Draghi decidiu tomar as rédeas da liderança do Banco Central Europeu e, mesmo contra as objecções e reservas do Bundesbank, jogou um trunfo forte com vista à salvação do euro. Do primeiro-ministro e ministros de estado desconhece-se qualquer tomada de posição a nível externo. Apenas ouvimos declarações tímidas às recentes medidas tomadas pelos nossos parceiros europeus.

 

A nível da política doméstica, o slogan "A nossa credibilidade é a nossa margem de manobra” mencionado por Portas no debate do estado da nação não passa de mero ruído de fundo, ou se quiserem, soundbytes. Mais austeridade que vem a caminho continua a penalizar quem mais trabalha assim como os pequenos aforradores. Por outro lado, a actual proposta para a mexida na taxa social única contempla apenas as empresas que têm um número elevado de trabalhadores.

 

O ónus do modelo de ajustamento Português assenta essencialmente nas exportações. E a criação de postos de trabalhos a curto prazo passará essencialmente pelas empresas exportadoras. No entanto, sabemos que empresas que têm um número elevado de mão-de-obra, apenas algumas exportam. E é provável que que sejam estas as que mais irão contribuir para melhorar o desempenho da balança comercial. No entanto, a flexibilização do mercado laboral acordada em concertação social-a lei do chinelo como alguns analistas a apelidaram-fez com os custos salariais baixassem significativamente. Já se trabalha portanto mais por menos dinheiro.

 

No que toca à saúde, custos salariais com médicos, enfermeiros e profissionais de saúde, em geral, ficaram também mais baratos. O encerramento anunciado de unidades hospitalares como a maternidade Alfredo da Costa assim como a fusão entre as unidades hospitalares do Hospital da Universidade de Coimbra com o hospital dos Covões mostram-nos claramente que, atendendo à qualidade dos nossos hospitais, que o futuro do Sistema Nacional de Saúde passará essencialmente pelo turismo [de saúde], o que poderá não ser mau de todo.

 

Tal como Portas [e Gaspar], acredito que dentro de um ano teremos a balança comercial equilibrada. No entanto, a tendência de queda acentuada do poder de compra a nível interno, irá fazer disparar as falências e o desemprego. Por conseguinte, a diminuição do número de trabalhadores a descontar irá aumentar as despesas com a segurança social. Logo, a probabilidade de não cumprirmos com as metas do défice em 2013 é bastante elevada. Em termos gerais, esta é uma das conclusões que se pode retirar após ler o Global Outlook para o quarto trimestre do banco [francês] BNP Paribas.

 

Já se percebeu pelas declarações de Vítor Gaspar que o povo- ou melhor, as cobaias- irão sofrer ainda mais com a actual teoria de choque. Quem esteve na manifestação do passado sábado constatou que muitas delas já estão desesperadas, outras em risco de perder o abrigo e muitas outras em risco de passar fome. Algumas já gritam umas com as outras, outra(s) se tentaram imolar - como o caso do jovem de 20 anos em Aveiro. Tudo isto fruto do aumento da agressividade que em nada contribui para o clima de paz social e muito menos para a imagem que passamos além-fronteiras.

 

Pelas recentes declarações de Gaspar-que recentemente esteve em Berlim com o seu homólogo alemão-o espectáculo parece ter sido interessante, porque o modelo [capitalista] por ele defendido com o patrocínio de Schaube requer [muita] competição e agressividade. Prova disso é que o seu homólogo continua a esfregar aos mãos de contente perante a possibilidade de se confirmar a teoria de que "ser bom aluno" é que realmente compensa.

 

Não interessa portanto se pelo caminho, vão morrer muitas cobaias, pois todos estes sacrifícios desmesurados são em favor da ciência [económica]. Com os elogios da Alemanha a Portugal, resta saber se o prémio por tal proeza será uma estátua em homenagem ao patriotismo [de Portas e de outros tantos], tal como fizeram os soviéticos aos [pobres] cães de Pavlov.

 

*Texto publicado no site do Instituto da Democracia Portuguesa.

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Sala preparada no hotel Tivoli para receber conferência de imprensa da coligação. Nenhum dos membros da comissão política de ambos os parceiros de coligação apareceu. Acresce que no comunicado à imprensa não foi clarificada a posição conjunta quanto à aplicação/modelação da taxa social única.

Ficámos portanto a saber mais do menos. Para variar.

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O meu parceiro és TSU!

Faust Von Goethe 20 Set 12

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“A morte de qualquer homem diminui-me, porque eu sou parte da humanidade; e por isso, nunca procures saber por quem os sinos dobram, eles dobram por ti.” John Donne.


Numa altura em que se discute a implementação/modelação da taxa social única assim como a deriva que paira na coligação PSD/CDS-PP, Carlos Carreiras-presidente da Câmara Municipal de Cascais & Presidente do Instituto Francisco Sá Carneiro- escreveu hoje no jornal i um texto entitulado "Um teste à nossa maturidade democrática"- um texto visto por alguns comentadores anónimos como uma demarcação às últimas posições públicas de António Capucho.


Compreendo a perfeitamente posição de Carlos Carreiras. Está a actuar como todo o militante de base deveria de actuar.
No entanto, isso não apaga o erro crasso do actual primeiro-ministro que não teve o bom senso de discutir as medidas anunciadas com os parceiros sociais, muito antes de as anunciar ao país.
Aliás, mais do que ter uma maioria absoluta é preciso manter a coesão social. Mais ainda quando o actual pacote de medidas assenta em mais sacrifícios para os trabalhadores, tanto do público como do privado.


Luís Amado já tinha alertado para isso quando esteve há semanas atrás na escola de verão do PSD. E o resultado das suas profecias estão à vista. Um país indignidado que clama a pés juntos a demissão de Passos Coelho e de outros tantos.


Hoje em entrevista ao Jornal Blitz, Adolfo Luxúria Canibal disse uma(s) frase(s) que resume(m), em grande parte o sentimento do povo [português]:


Fazer o que eles estão a fazer, qualquer um faz . O maior analfabeto consegue fazer isso. Apagar a luz, arrancar as tomadas e deixar o barco afundar.
Chegou-se a um limite em que a corda rebenta. Acho que [Passos Coelho] não vai acabar a legislatura e que estamos mais próximos de um banho de sangue do que de um ficar de braços cruzados até ao afundanço total.

 

Resta saber se perante o dobrar dos sinos, Passos Coelho assim como o seu núcleo duro têm a maturidade democrática suficiente para abdicar. É preciso perceber que:

 

i)  Primeiro estará sempre o bem comum de Portugal e dos portugueses;

ii) depois o partido;

iii) só por fim os seus caprichos.

 


Adenda #1: Foi extremamente infeliz por parte de Carlos Carreiras invocar a memória de Sá Carneiro. Passos Coelho é tudo menos um social-democrata!


Adenda #2: Não defendo eleições antecipadas. Defendo uma reetruturação do governo, continuando PSD a liderar [a coligação].Tem toda a legitimidade democrática para o fazer, pois foi o grande vencedor das últimas eleições.


Adenda #3: Olhando para os órgãos actuais do partido, há alternativas credíveis para continuar a governar sem Passos Coelho. Sem recorrer a Rui Rio. Sem recorrer a Manuela Ferreira Leite.

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A alteração da Taxa Social Única (TSU) é um espinho atravessado na garganta da coligação PSD-CDS. Um dardo lançado por um vilão num filme de segunda categoria. Um filme B se quiserem. De bestas quadradas. E de repente, quando menos se espera, oportunamente surge um héroi para flanquear o polvo...perdão, o povo. O parceiro que trocou de lados, a raposa matreira disposta a sacar dividendos da situação desesperante. Se baterem com a porta na cara do Portas, não será uma sevícia indesejada. Ao invés será a chance para o CDS se distanciar da autoria das maldades, virar a página e preparar a descolagem para outros voos -  a afirmação da sua posição política numa Europa cada vez mais extremada, alimentada por nacionalismos fáceis e proteccionismos desadequados. A outra flor que deseja que a cheirem, já disse e voltou a repetir, que não partilhará o canteiro com o PSD. O António José Seguro não embarca em cantigas. Joga a cartada de tudo ou nada num casino de azares em que ninguém sai vencedor.

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Para o FMI – que falhou na imposição da Taxa Social Única como medida de subida rápida da competitividade – o aumento de 4% em termos reais do preço da energia até 2020 (caso não haja alterações) é um factor que mina as hipóteses de recuperação rápida do potencial competitivo das empresas. Na terceira missão de avaliação a troika deixou claro, segundo o “Jornal de Negócios”, que Portugal se arrisca a não receber o dinheiro da quarta tranche se não resolver o problema.

 

Jornal i

 

Não foi só um secretário de Estado que se demitiu de um cargo, foi um Governo que se demitiu da sua função, tornando-se perigosamente parecido com quem criticara violentamente no passado.

 

Pedro Santos Guerreiro


Resumindo, se dentro de 2/3 meses não se encontrar resolvido os problemas das "rendas energéticas", arriscamo-nos MESMO a não receber a 4ª tranche de ajuda, e lá teremos de ir mais uma vez a eleições, a menos que apareça um novo Sidónio como o disse ontem Pacheco Pereira por Coimbra. 
Recentemente, Pedro Mota Soares já deu um passo de gigante para um hipotético regresso do Sidónio, ao prometer subsidiar as cantinas sociais-a nova sopa do Sidónio, versão 2.0. 

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Krugman's de Bancada.

Faust Von Goethe 1 Fev 12

 

 

 

Com as notícias que vieram à baila na última semana, tenho de admitir que é uma tentação falar de Paul Krugman. 

Eu também estive para o fazer quando ele escreveu o seu controverso artigo Nobody Understands Debt a 1 Janeiro 2012 no New York Times, mas achei que não devia, primeiro porque não sou economista, depois porque sou preguiçoso e não me dei ao trabalho de procurar dados estatísticos para fazer uma análise exploratória das teorias de Krugman.

De qualquer modo e tomando como mote a recentes declarações de Poul Thomsen aos salários da Grécia, gostaria de fazer algumas observações gerais para que o leitor contextualize antes/depois de ler as entradas de:

Primeiro, é preciso atender a que grande parte dos periféricos e em especial Portugal quando tinham as suas próprias moedas optaram pela desvalorização cambial para fazer face à inflacção dos salários e custos do trabalho. No caso de Portugal, os subsídios europeus que recebemos antes de adoptarmos a moeda única nunca foram utilizados para tornar a nossa economia mais competitiva;
Com a entrada em vigor do euro, os tratados de adesão impediram a continuação da desvalorização cambial, razão pela qual temos verificado deficits desde 1999;
Na impossibilidade de não se proceder a desvalorização cambial, o actual programa da TROIKA propõe uma desvalorização fiscal (a questão da TSU) para aumentar a competitividade com a finalidade evitar as reduções salariais, os custos de trabalho como forma promover o crescimento económico;
Com a entrada em vigor do tratado de Lisboa, deu-se livre arbítrio à circulação de capitais em deterimento de uma economia baseada na produção, o fluxo de capitais implicou que a economia fosse essencialmente baseada nos juros (taxativamente falando, economia baseada no aluguer de dinheiro), o que pressupõe que tem de haver um crescimento contínuo para contrabalançar.
Façamos então alguns cálculos simples para exemplificar a questão do crescimento: Se produzíssemos 100 e crescessemos a 10%, no segundo ano produziríamos 110. No quinto ano já produziríamos 146 e aumentávamos para 161; ao fim de oito anos duplicaríamos a produção e ao fim de um quarto de século produziríamos dez vezes mais. Ou seja, ao fim de um quarto de século aumentávamos num só ano mais do que aquilo que produzimos agora, ou seja, teríamos um crescimento exponencial.
A este ritmo, mesmo reduzindo o crescimento em metade, imagino que todos os países europeus se teriam de transformar-se em China's : Países com excesso de lixo e intoxicados de gases poluentes.  
Tanto no nosso programa de ajustamento como nas teorias de Krugman, supõe-se que o cenário é inflaccionista, o que também me parece também ser uma suposição completamente errada pois o cenário mundial actual é deflaccionista. (razões: corrida ao ouro, petróleo, matérias primas, ...)
Conclusão: Ao se continuar a apostar numa economia baseada em juros (altos), dentro de algum tempo alguém vai ter de pagar a "conta do restaurante" na zona euro para que não se corra o risco de se ter de fechar para balanço. Sabendo que os clientes são os PIIGS e o restaurante o BCE, deixo ao cuidado do leitor adivinhar quem vai ter de pagar a conta.

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Portugal na Hora da Verdade

Faust Von Goethe 23 Jan 12

Para terminar o dia, gostaria de vos lançar um desafio interessante: Encontrem as diferenças entre o Álvaro professor e Álvaro ministro.
 

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