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O Ouriço

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O mundo e a teoria política do Bolinha

Mendo Henriques 22 Abr 16

Será que vivemos dentro de uma tira de banda desenhada?

 

O mundo político desembocou no nível da banda desenhada. Os EUA têm no Donald Trump  um personagem típico da Marvel. Na Inglaterra, como se não bastasse o país já estar dividido, temos um governo conservador com uma perna de cada lado do Brexit.

Em França, tem um presidente que só faz gaffes, tendo por oposição a Miss França da Frente Nacional  com contas no Panamá. Em Espanha, após cinco meses de impasse pós-eleitoral,  vão para eleições  que deverão repetir o resultado.

No Brasil, vão substituir uma presidente que permitiu a corrupção por um um vice-presidente que é corrupto. No Banco Central Europeu, um pateta da Goldman Sachs enterra o que resta do projecto europeu em toneladas de notas de euro. No Médio Oriente, temos doidos à solta que baste.

O sistema financeiro internacional é uma verdadeira anedota, ou não fosse feito para enriquecer 1% da população  mundial a expensas dos restantes 99%. A Coreia do Norte vai para o quinto ensaio nuclear; e há lá coisa mais surreal do que eliminar a humanidade como quem apaga um desenho com borracha?

É aqui que entra a teoria política do Bolinha, que muito li em miúdo na versão brasileira de John Stanley. Ele é aquele garoto gordinho que preside ao Clube dos Meninos de que fazem parte o Carequinha, o Juca e o  Zeca. O clube tem como principal lema “Menina não entra”. Já diz muito.

O Bolinha é um caso psicanalítico: deseja ser apreciado, mas nunca pelo que ele é, e busca aprovação tentando ser outro, fugindo às origens. Mas, é claro, nunca consegue. Essa total inautenticidade faz dele uma boa imagem do Europeu atual, chorão, comilão e rezingão.

O seu inimigo principal é a “Turma da zona norte”, uma mistura de garotos talibãs, Daesh e sauditas que se entretém a dar pancada, e que em vez de dinheiro e petróleo, têm músculo e muita força, pelo que sovam a turma do Bolinha, caso a Luluzinha não aparecer.

E depois vem a teoria da conspiração. No mundo das percepções políticas, como no nível da BD. Entra o Bolinha detective a procurar coisas desaparecidas da casa da Luluzinha. Antes de começar a investigação, disfarçado de Aranha – “O Aranha ataca novamente” – declara solenemente que a culpa é do “seu Jorge”, o pai de Luluzinha.

Fantástico. Ter já a resposta antes do inquérito. E não é que, invariavelmente o culpado é o “seu Jorge”, embora por outros motivos do que as congeminações malucas do Bolinha, sobretudo interessado em atacar o frigorífico da casa?

A Luluzinha. Inteligente e teimosa. A classe feminina emergente, criada por uma mulher. Muito mais esperta que o amigo Bolinha e a sua turma. Mas ela gosta do Bolinha.

clube do bolinhaQuando não está a brincar ou a lutar com os garotos, Luluzinha toma chá e conta histórias à Aninhas e ao Alvinho. São histórias cheias de moral em que ela é a heroína, a “pobre menininha”. Sem dúvida que a Luluzinha é a América, que chega na hora certa para salvar o Bolinha.

Nas estórias, ela tem que ganhar duramente a vida, apesar das bruxas. Como é muito esperta, vence a dupla debruxas Alcéia e sua sobrinha Meméia que se quer aproveitar da “Pobre menininha” mas que não são assim tão espertas, tipo presidente da Rússia e presidente da China.

E a “Pobre Menininha” ganha sempre no final. O problema é que o Alvinho nunca entende a moral da história. E é preciso recomeçar a Guerra Fria.

Não esquecer o Plínio, o George Soros da série, que se considera bom demais para andar com a turma do Bolinha, apesar de estar sempre no meio. Às vezes, namora a Glória, outras vezes a Luluzinha e em ambos os casos torna-se inimigo do Bolinha que também gosta de ambas.A vida é dura nas revistas de BD.

O mundo visto pelo Bolinha é como a espiral recessiva do prof. Cavaco. Quanto mais o Bolinha se sente ameaçado por falsos amigos, inimigos, pais e autoridades, pior fica. E quanto pior fica, mais inimigos pressente.

É um anti-herói – como o Charlie Brown de Schulz ou o “Pica-Pau” também de John Stanley. Simpatizar com ele é fácil. Mas o Bolinha é o seu pior inimigo, e o ego excessivo é a sua perdição. Como nos políticos.

Eu sou um admirador da BD, da escola franco-belga, da Dell, da Marvel e até comprei pela primeira vez a Visão, só para ter o suplemento gratuito. Mas cada macaco no seu galho.

Num mundo que desceu ao patamar da banda desenhada, são poucos os estadistas e personalidades que trazem consigo a gravidade da vida; são poucos os que lutam a contra aquelas coisas com que não se brinca – a morte, a exclusão, a miséria, a violência, a corrupção.

São muito poucos. Esses não cabem nas tiras de BD nem para eles serve a teoria política do Bolinha. Mas afinal, quem lhes presta atenção?

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Marcelo e as Religiões

Mendo Henriques 16 Mar 16

Mendo Henriques

Nos três dias de tomada de posse do nosso quinto Presidente da República da democracia portuguesa “Houve uma coisa simplesmente bela…” como diz o poeta.

Foi quando na tarde do dia 9, após a tomada de posse na Assembleia da República, Marcelo Rebelo de Sousa participou numa cerimónia inter-religiosa na Mesquita Central de Lisboa.

Aí destacou a “consagração da liberdade religiosa, que supõe a liberdade de não crer”. E o que mais disse sobre diálogo, entendimento e compreensão recíproca, sem negar diferenças, mostra que acredita numa coisa: confissão religiosa e ausência de religião são para serem partilhadas no espaço público e não só em espaços privados.

Mas onde está o benefício destas boas palavras? Esse é que é o ponto. Como é que o novo presidente enfrentou aquele preguiçoso anti-clericalismo português que se manifesta desde os tempos homéricos de Camilo, Eça, Brandão e Aquilino até à maldição hodierna sobre “as religiões” como provocadoras de guerra?

 

Por que razão religião e irreligião são importantes para a comunidade?

Multiplaexposição de Marcelo Rebelo de Sousa, antigo presidente do PSD, discursa durante a apresentação da sua candidatura à Presidência da República, na Biblioteca Municipal de Celorico de Basto, 9 de outubro de 2015.JOSÉ COELHO/LUSA

Marcelo quis mostrar que, como sociedade, estamos a virar uma página porque aprendemos a olhar para os outros sem os querer reduzir a nós. Ecumenismo é aproximação entre as Igrejas cristãs para ultrapassar divisões. Diálogo inter-religioso é relação das Igrejas com as outras religiões e com os que não têm nenhuma.

Aparte estas distinções, Marcelo apelou a “que os próximos cinco anos sejam vividos sob o signo da mesma paz, justiça e fraternidade” evocados pela reunião.

Na celebração inter-religiosa estiveram em pé de igualdade as várias confissões cristãs – católicos, evangélicos, adventistas e outros – seja qual for a sua expressão e peso em Portugal – e muçulmanos, judeus e budistas. Na realidade, quase duas dezenas de Igrejas e os sem religião nenhuma, ateus “graças a Deus”. Em pé de igualdade, por que o Estado é só um.

Podem ser várias as leituras políticas desta cerimónia. Uma delas é que o novo Presidente da República não quer que os refugiados muçulmanos do Médio Oriente que têm chegado à Europa sejam “os novos judeus”, alvos de perseguições.

Também é bastante claro que apela contra os ataques terroristas na Europa e no mundo. Até se pode pensar que a sua mente florentina e criativa escolheu um templo muçulmano para dar uma mensagem cristã.

Tudo bem. Mas isso fica em segundo plano face às palavras “breves, mas sentidas” de Marcelo de que “Portugal deve muita da sua grandeza secular ao seu espírito ecuménico.”

Essa é a coisa simplesmente bela: ter religião ou não ter religião não é assunto para ser tratado de modo clandestino: é para ser partilhado na praça pública.

Divisões, já temos que baste no nosso país.

 

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O retrato do presidente

Mendo Henriques 8 Mar 16

cavaco-retrato-oficial-338x400.jpghttp://www.jornaltornado.pt/retrato-do-presidente/

Estou a observar o retrato presidencial do prof. Cavaco Silva por um pintor de sucesso. O retrato é convencional, fotográfico nos pormenores e fotogénico no personagem. O ex-presidente tem na sua mão direita uma caneta que vai escrever não sabemos o quê e a mão esquerda assenta sobre A Constituição da República Portuguesa (1976) e A Riqueza das Nações, de Adam Smith (1776). Um tinteiro antigo e valioso dá uma nota de compostura estética burguesa enquanto uma gigantesca bandeira nacional forma um fundo que o isola do mundo. Nação, Constituição, riqueza, caneta e tinteiro. O poder é discreto mas presente. Tudo o mais – a realidade internacional, a língua como cultura, o ar livre e a natureza, e sobretudo os outros que justificam que haja estado e coisa pública, esses não são representados. São literalmente obscenos.

Não tenho dúvidas que o prof. Cavaco Silva, cinco vezes eleito pelo povo e uma vez derrotado, assumiu a revolução do 25 de Abril. Em 1974, Portugal pluricontinental poderia ser rico mas a esmagadora maioria dos portugueses era pobre. Contra a guerra, a pobreza, o analfabetismo, a falta de infraestruturas, a emigração galopante e a mortalidade infantil veio o programa dos 3 D’s, descolonizar, democratizar e desenvolver. Foram integrados quase 1 milhão de portugueses de África; cessou a emigração; ergueu-se um sistema de saúde, democratizou-se o ensino, terminaram os complexos africanos e convergiu-se com a Europa. Foram os 10 anos do General Eanes.

Foi neste quadro benéfico que o prof. Cavaco Silva rodou para a Figueira da Foz em 1984. Nos X, XI e XII governos, continuou a construção de equipamentos: saneamento, redes de água e energia, escolas e hospitais, equipamentos culturais e sobretudo autoestradas. A adesão à União Europeia em 1986 parecia incontornável mas impôs um padrão de especialização económica a Portugal — como o Tratado de Methuen — promovendo sectores à custa da destruição de outros. Foram-se as pescas, a marinha mercante, parte da agricultura, muito da indústria tradicional, e a reparação naval agonizou.

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Retrato Oficial da autoria de Carlos Barahona Possollo. Fonte: PR

Os fundos europeus PEDIP I e PEDIP II, FEOGA chegavam. Surgiu a reforma fiscal de 1989. Vieram as privatizações que repartiram por grupos nacionais os bens nacionalizados em 1974-5. A promessa de bem-estar do 25 de Abril redundava na obstinada política do betão que, à data, teve um efeito multiplicador sobre a economia. A ponte Vasco da Gama, o C.C.Belém, o ANTT, TagusPark, a organização da Expo’98, tudo muito lisboeta, seria o culminar desta política. O algarvio Cavaco Silva serviu bem a capital do país.

Após o prof. Cavaco Silva deixar de ser primeiro-ministro em 1995 e perder as presidenciais de 1996, começou a deixar avisos sobre o que chamou o “monstro” que ajudou a criar: a administração demasiado grande num país em que a sociedade civil e as empresas nacionais eram demasiado exíguas. Começou a deixar avisos que estávamos a divergir da Europa em riqueza, sempre a riqueza que é um meio, e não a prosperidade e a justiça que são finalidades e que exigem horizontes mais largos.

Os governos do Eng.º Guterres (XIII e XIV) seguiram políticas pró-cíclicas, aumentando o investimento em obras públicas, mas já sem efeitos multiplicador benéfico. Quando emergiu o iceberg da corrupção, o eng.º Guterres foi-se embora, desiludido com o pântano e acabou “exilado” num cargo internacional em 2005. O Dr. Durão Barroso (XV governo) declarou o “estado de tanga” nacional e aumentou os impostos mas depois deixou o seu posto para aceder ao cargo de presidente da Comissão Europeia, em 2004. Após o curto governo do Dr. Santana Lopes (XVI) foi eleito o Eng.º Sócrates (XVII) que replicou as políticas do betão, aumentando o endividamento, com aumento exponencial de despesas.

Foi então Cavaco Silva eleito presidente em 2006. A despesa pública subira mas o crescimento descera. Os resultados eram frustrantes: investigava-se sem criar patentes: produzia-se sem aumentar as exportações; educava-se sem ligação com a formação profissional; cresciam os direitos mas degradava-se a justiça. Entretanto a crise mundial desencadeou a grande recessão em 2008.

No final do XVIII Governo de José Sócrates e após sucessivos investimentos mal formatados, regressávamos aos 70% da média do PIB per capita europeu de 1974. As riquezas foram engolidas por um endividamento penoso das famílias, das empresas e do Estado. O Eng.º Sócrates exilou-se para Paris, tal como o seu homólogo da I República, o Dr. Afonso Costa.

Esperava-se neste ambiente que o prof. Cavaco Silva apontasse caminhos, criasse pontes, chamasse pessoas, projectasse o país na lusofonia e na Europa. Nada disto se passou. Apenas discursos de contingência e de circunstância. A caneta ficou na mão direita sem nada escrever. A promessa de riqueza não foi acompanhada de qualquer visão de humanidade, de cidadania, de Justiça, de sonho para um povo. O prof. Cavaco foi caindo numa monumental insignificância. Não o critico propriamente a ele: critico o Cavaco ou o cavaquismo que existe em cada um de nós e de que temos de nos libertar.

De tal modo o endividamento cresceu que os partidos do famigerado arco da governação assinaram com a Troika, em Maio de 2011, o Memorando de Entendimento. O governo do Dr. Passos Coelho (XIX) foi o desastre que se sabe de austeridade. Continuaram os escândalos da corrupção e surgiram mais bancos rotos, BES, e Banif. E após um interlúdio governamental da PÁF em 2015, o governo do Dr. António Costa (XXI) com o apoio do BE e do PCP, está a tomar tímidas medidas de reposição dos rendimentos. Ponto importante: não cultiva ódios, pois convidou o prof. Cavaco Silva para o conselho de ministros sobre o Mar no dia 3 de Março.

A 9 de Março de 2016 o prof. Cavaco Silva deixa o cargo de presidente. Não deixa Portugal como o Titanic que se afundou com a orquestra a tocar mas deixa-o como o Tollan, encalhado, mais pobrezinho, mais nosso, mais encavacado. É o que sucede a quem só pensa em meios sem cuidar dos fins.

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Rui Monteiro revela Aveiro

Mendo Henriques 17 Jan 13

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Já está disponível no site da LEYA o e-book Olhar, de Rui Monteiro.

Trata-se de uma colecção de fotos tiradas na Cidade de Aveiro no âmbito do concurso Imagem 21, em 2012.

As fotos representam um pouco da cidade ... Edifícios, Ria, Peças de Arte, Património cultura, Paisagem. Sempre com a grande sensibilidade e técnica do Rui. De quem gosta da sua comunidade e a projeta para o país e para o mundo. Da terra de José Estevão e de seu filho Luís Magalhães que sempre estiveram na frente das liberdades em Portugal.. Eu vou adquirir.

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"André Gorz - “Adeus ao Proletariado”

Reedição 2011, um livro a reler, sobretudo o capítulo final (IV)

 

O que é “Adeus ao Proletariado”? (1) O livro começa mostrando que a noção de proletariado marxista e sua missão histórica não partiu da observação da classe trabalhadora, mas resultou de uma "condensação das três dominantes do pensamento ocidental, no momento da burguesia heróica - cristianismo, hegelianismo e cientificismo". Hegel concebeu a história como a progressão dialética do Espírito, que se torna consciente e toma posse do mundo.

"A filosofia de Hegel vem da teologia cristã  (2): A história é escatologia (3), isto é, fim dos tempos, mas o reinado de Deus virá através da mediação de homens históricos ainda que não entendam o significado do que fazem.'' Isto quanto a Hegel.

Para Marx, como na dialética do senhor e do escravo, ao libertar-se, o proletariado liberta a burguesia. Mas o significado do proletariado, depende  da mediação do próprio Marx, intérprete dessa missão escatológica.

Groz de acordo com a escola crítica dos valores não aceita o mito de que graças o proletariado, o reino do ser humano será cumprido.

"O desenvolvimento do capitalismo produziu uma classe operária que não é capaz de dominar os meios de produção e cujos interesses não coincidem com a racionalidade consciente socialista. (...) A superação do capitalismo, só pode vir de camadas que representam a dissolução de todas as classes, incluindo a classe trabalhadora.''

Enquanto prevalece a racionalidade capitalista que vê o aumento da produção como um fim em si mesmo, a classe operária continua dependente da lógica produtivista transmitida pelo Estado. Os partidos que a dizem representar são homólogos em estrutura à estrutura do Estado que querem derrubar; apenas o reproduzem.

A tomada do poder pela classe trabalhadora é a tomada da classe trabalhadora pelo poder do Estado.

Os únicos que não reproduzem esta lógica são os que estão á margem do processo de produção: os precários, "a não-classe dos proletários pós-industriais" potencialmente o novo sujeito histórico da sociedade moderna

'Esta não-classe, ao contrário da classe trabalhadora, não é produzida pelo capitalismo; é produzida pela crise capitalista e as novas relações sociais de produção capitalista. (...) Esta classe inclui todas as pessoas que são expulsas do processo de produção pela abolição do trabalho, ou subempregados nas suas capacidades pela industrialização ( automação e informatização) do trabalho intelectual. A não-classe inclui todo o excedente de produção social que estão desempregados virtuais, permanentes, temporários, totais ou parciais. É o produto da decomposição da sociedade com base no trabalho: a dignidade, valor, utilidade social, e desejo de trabalhar. Estende-se a quase todas as camadas da sociedade.''

Esta massa é maioria. Somente ela pode trazer um projeto de transformação social que vai ser "comunista", como definido por Marx, porque prefigura a abolição do trabalho assalariado.

Mas para este novo proletariado ser o portador de um futuro político, tem de viver. O trabalho não é abolido: permanece submetido à necessidade.

Há duas esferas na vida social: a heteronomia, que inclui o trabalho socialmente necessário e  a autonomia em com a livre atividade, individual ou coletiva. O aumento gradual da esfera da autonomia não irá remover a esfera da heteronomia, mas é preciso regular esta para repartir de forma equitativa entre todos o trabalho socialmente necessário.

Esta é uma tarefa política que pertence ao Estado. "A separação entre a necessidade e a autonomia (4) é uma condição de expansão máxima desta. "A política é o lugar de tensão entre a autonomia e os requisitos técnicos. O Estado "Bom" é necessariamente um mal menor e a atribuição de um rendimento social garantido para todos é uma das suas tarefas.

Estas são as principais teses de “Adeus ao proletariado”, que abandona a ideia de um desenvolvimento positivo inerente ao processo de produção. O socialismo é um projeto de liberdade humana; não faz parte da lógica das coisas.

"De que precisamos? O que queremos? Que nos falta para comunicar com os outros de modo mais fraterno? "Estas são as perguntas a que a economia política não sabe responder. É a partir deles que as políticas devem traçar objetivos.

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PLANO C - Carlos Reis Marques

Mendo Henriques 4 Dez 12

É urgente haver plataformas informativas que proporcionem o acesso aos conteúdos dos atos governativos, diz Carlos Reis Marques. Essas plataformas devem incluir Índices de Boa Governação (IBG), com indicadores para aferir o grau de execução das medidas dos programas eleitorais, nomeadamente de âmbito autárquico.  Nesta sociedade que P. Drucker definiu como «pós-capitalista», a capacidade dos cidadãos manifestarem a sua opinião (online) acerca de produtos/serviços que adquiriram, transformando-se em prosumers (producer + consumer), é explorada por D. Tapscott e Anthony D. Williamsem Wikinomics: How Mass Collaboration Changes Everything, (2006).

A emergência de um novo paradigma social tem vindo a transformar  o modo como as pessoas interagem entre si e se relacionam com os
seus centros de interesse. Esta realidade apela à necessidade de os governos implementarem plataformas informativas, permanentes e universalmente acessíveis,
capazes de proporcionar o acesso dos cidadãos a conteúdos que lhes permitam tomar conhecimento dos atos governativos. Associadamente,
importa equacionar a natureza dos conteúdos informativos e a amplitude dos mesmos.

 

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Dinheiro e magia

Mendo Henriques 1 Dez 12

Binswanger

Hans Christoph Binswanger publicou no Brasil, "Dinheiro e magia" uma crítica da economia moderna. à luz do Fausto de Goethe

A versão de Goethe para a história de Fausto, possui  uma segunda parte repleta de economia e política. Era uma época em que os soberanos buscavam a ajuda de astrólogos e alquimistas para resolver problemas de Estado. A história diz que, em vez de recorrer a alquimistas para transformar chumbo em ouro, Fausto percebe que o melhor é buscar economistas com conhecimento em bancos que emitem papel-moeda dotado de algum lastro de natureza imaginária. O resultado acaba sendo o mesmo: criar "ouro artificial". E esse é apenas alguns dos temas analisados pelo autor de Dinheiro e magia,Hans C. Binswanger. O encaixe deste enredo na crise mundial e portuguesa é surpreendente: parte da nossa tragédia reside na tolerância em relação aos custos do progresso, sob a forma de dívida, desigualdade e corrupção.

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Fernando Pessoa, economista

Mendo Henriques 27 Nov 12

 

 

  

O livro  A Economia em Pessoa: verbetes contemporâneos (organização, prefácio e notas de Gustavo H.B. Franco, ex-presidente do Banco Central, Reler, Rio de Janeiro, 2006) atualiza os originais artigos de Fernando Pessoa sobre economia, de 1926. gustavo Franco é reputado no Brasil como um dos mentores da reforma do real, e um banqueiro sério.

 

    Em parceria com o cunhado Francisco Caetano Dias, Pessoa editou a Revista de Comércio e Contabilidade, que seus escritos econômicos vieram à luz. Gustavo Franco mostra a atualidade, decorridos mais de 80 anos de publicação, de temas como privatização, globalização, desregulamentação, marketing, clusters, pós-fordismo, branding. Encerrando a coletânea está a entrevista com Fernando Pessoa montada por João Alves das Neves sobre o livro póstumo do poeta intitulado Textos para dirigentes de empresas (Eduardo Freitas da Costa, org., Lisboa, Cinevoz, 1969). 

 

 

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Vendilhões do Templo

Mendo Henriques 26 Nov 12

 

A dança entre cargos públicos privados acelera quando José Luís Arnaut é nomeado para a venda da ANA, uma decisão inaceitável e tão má e tão grave como o famigerado e enterrado aeroporto da Ota. "Obrigado, Senhor!", parecem dizer estes senhores, com uma mão no peito e outra perto do bolso da carteira, a velar o cadáver da IIIª República. Um deles olha-nos do passado como que a dizer "Ainda vão ver do que serei capaz no futuro!"Não se pode servir a dois senhores ... Estes vendilhões do Templo terão de sair. 

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Rendimento gasoso

Mendo Henriques 14 Nov 12

Angela Merkel e Pedro Passos Coelho necessitavam por razões distintas, de mostrar que estão unidos na austeridade: a chanceler alemã, para preparar eleições na próxima Primavera: Passos Coelho para segurar o insegurável orçamento de estado de 2013. Quando começarmos a sentir em Janeiro a quebra de rendimento com retenção na fonte de IRS, sem ver luz ao fundo do túnel, ficaremos ainda mais revoltados. Temos um rendimento bruto. Tínhamos um rendimento líquido. Agora vamos passar ao rendimento gasoso.

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