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O Ouriço

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Entrevista

Mendo Henriques 15 Ago 18

https://www.youtube.com/watch?v=fkAu2PPC3tA

 

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A Promessa da Política

Mendo Henriques 15 Ago 18

 

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A Inglaterra sai do Brexit

Mendo Henriques 13 Ago 18

O Brexit nunca foi inevitável, como cada vez é mais evidente.
De acordo com sondagem, dos 632 distritos eleitorais no Reino Unido, ...341 têm agora uma maioria absoluta do FICAR, quando eram 229 em 2016..
O eleitorado britânico está a mudar de opinião após verificar que iria pagar em qualidade de vida e em independência a saída da União Europeia. Os britânicos não são eunucos que se deixam arrastar pelas vozes da má classe política.

Os britânicos têm a queixar-se de uma classe política que, por motivos diferentes, nunca lhes explicou as consequências do Brexit: o nacionalismo requentado de Nigel Farage, o oportunismo de Boris Johnson e Michael Gove, as trapalhadas globalistas de Cameron; as trapalhadas marxistas de Jeremy Corbin: e a ambição destruidora da senhora May combinaram-se para enganar os britânicos que agora querem fugir do pesadelo de isolamento em que a sr. May os colocou

Após dois anos de negociações que estão num impasse, a única saída será reverter o Brexit em novo referendo ou em voto do Parlamento. Apesar de tudo, os britânicos são uma casa da democracia.

Foto de Mendo Henriques.Foto de Mendo Henriques.

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O mundo e a teoria política do Bolinha

Mendo Henriques 22 Abr 16

Será que vivemos dentro de uma tira de banda desenhada?

 

O mundo político desembocou no nível da banda desenhada. Os EUA têm no Donald Trump  um personagem típico da Marvel. Na Inglaterra, como se não bastasse o país já estar dividido, temos um governo conservador com uma perna de cada lado do Brexit.

Em França, tem um presidente que só faz gaffes, tendo por oposição a Miss França da Frente Nacional  com contas no Panamá. Em Espanha, após cinco meses de impasse pós-eleitoral,  vão para eleições  que deverão repetir o resultado.

No Brasil, vão substituir uma presidente que permitiu a corrupção por um um vice-presidente que é corrupto. No Banco Central Europeu, um pateta da Goldman Sachs enterra o que resta do projecto europeu em toneladas de notas de euro. No Médio Oriente, temos doidos à solta que baste.

O sistema financeiro internacional é uma verdadeira anedota, ou não fosse feito para enriquecer 1% da população  mundial a expensas dos restantes 99%. A Coreia do Norte vai para o quinto ensaio nuclear; e há lá coisa mais surreal do que eliminar a humanidade como quem apaga um desenho com borracha?

É aqui que entra a teoria política do Bolinha, que muito li em miúdo na versão brasileira de John Stanley. Ele é aquele garoto gordinho que preside ao Clube dos Meninos de que fazem parte o Carequinha, o Juca e o  Zeca. O clube tem como principal lema “Menina não entra”. Já diz muito.

O Bolinha é um caso psicanalítico: deseja ser apreciado, mas nunca pelo que ele é, e busca aprovação tentando ser outro, fugindo às origens. Mas, é claro, nunca consegue. Essa total inautenticidade faz dele uma boa imagem do Europeu atual, chorão, comilão e rezingão.

O seu inimigo principal é a “Turma da zona norte”, uma mistura de garotos talibãs, Daesh e sauditas que se entretém a dar pancada, e que em vez de dinheiro e petróleo, têm músculo e muita força, pelo que sovam a turma do Bolinha, caso a Luluzinha não aparecer.

E depois vem a teoria da conspiração. No mundo das percepções políticas, como no nível da BD. Entra o Bolinha detective a procurar coisas desaparecidas da casa da Luluzinha. Antes de começar a investigação, disfarçado de Aranha – “O Aranha ataca novamente” – declara solenemente que a culpa é do “seu Jorge”, o pai de Luluzinha.

Fantástico. Ter já a resposta antes do inquérito. E não é que, invariavelmente o culpado é o “seu Jorge”, embora por outros motivos do que as congeminações malucas do Bolinha, sobretudo interessado em atacar o frigorífico da casa?

A Luluzinha. Inteligente e teimosa. A classe feminina emergente, criada por uma mulher. Muito mais esperta que o amigo Bolinha e a sua turma. Mas ela gosta do Bolinha.

clube do bolinhaQuando não está a brincar ou a lutar com os garotos, Luluzinha toma chá e conta histórias à Aninhas e ao Alvinho. São histórias cheias de moral em que ela é a heroína, a “pobre menininha”. Sem dúvida que a Luluzinha é a América, que chega na hora certa para salvar o Bolinha.

Nas estórias, ela tem que ganhar duramente a vida, apesar das bruxas. Como é muito esperta, vence a dupla debruxas Alcéia e sua sobrinha Meméia que se quer aproveitar da “Pobre menininha” mas que não são assim tão espertas, tipo presidente da Rússia e presidente da China.

E a “Pobre Menininha” ganha sempre no final. O problema é que o Alvinho nunca entende a moral da história. E é preciso recomeçar a Guerra Fria.

Não esquecer o Plínio, o George Soros da série, que se considera bom demais para andar com a turma do Bolinha, apesar de estar sempre no meio. Às vezes, namora a Glória, outras vezes a Luluzinha e em ambos os casos torna-se inimigo do Bolinha que também gosta de ambas.A vida é dura nas revistas de BD.

O mundo visto pelo Bolinha é como a espiral recessiva do prof. Cavaco. Quanto mais o Bolinha se sente ameaçado por falsos amigos, inimigos, pais e autoridades, pior fica. E quanto pior fica, mais inimigos pressente.

É um anti-herói – como o Charlie Brown de Schulz ou o “Pica-Pau” também de John Stanley. Simpatizar com ele é fácil. Mas o Bolinha é o seu pior inimigo, e o ego excessivo é a sua perdição. Como nos políticos.

Eu sou um admirador da BD, da escola franco-belga, da Dell, da Marvel e até comprei pela primeira vez a Visão, só para ter o suplemento gratuito. Mas cada macaco no seu galho.

Num mundo que desceu ao patamar da banda desenhada, são poucos os estadistas e personalidades que trazem consigo a gravidade da vida; são poucos os que lutam a contra aquelas coisas com que não se brinca – a morte, a exclusão, a miséria, a violência, a corrupção.

São muito poucos. Esses não cabem nas tiras de BD nem para eles serve a teoria política do Bolinha. Mas afinal, quem lhes presta atenção?

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João Soares: O Rocky da cultura

Artur de Oliveira 7 Abr 16

Aguardo as bofetedas...

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Marcelo e as Religiões

Mendo Henriques 16 Mar 16

Mendo Henriques

Nos três dias de tomada de posse do nosso quinto Presidente da República da democracia portuguesa “Houve uma coisa simplesmente bela…” como diz o poeta.

Foi quando na tarde do dia 9, após a tomada de posse na Assembleia da República, Marcelo Rebelo de Sousa participou numa cerimónia inter-religiosa na Mesquita Central de Lisboa.

Aí destacou a “consagração da liberdade religiosa, que supõe a liberdade de não crer”. E o que mais disse sobre diálogo, entendimento e compreensão recíproca, sem negar diferenças, mostra que acredita numa coisa: confissão religiosa e ausência de religião são para serem partilhadas no espaço público e não só em espaços privados.

Mas onde está o benefício destas boas palavras? Esse é que é o ponto. Como é que o novo presidente enfrentou aquele preguiçoso anti-clericalismo português que se manifesta desde os tempos homéricos de Camilo, Eça, Brandão e Aquilino até à maldição hodierna sobre “as religiões” como provocadoras de guerra?

 

Por que razão religião e irreligião são importantes para a comunidade?

Multiplaexposição de Marcelo Rebelo de Sousa, antigo presidente do PSD, discursa durante a apresentação da sua candidatura à Presidência da República, na Biblioteca Municipal de Celorico de Basto, 9 de outubro de 2015.JOSÉ COELHO/LUSA

Marcelo quis mostrar que, como sociedade, estamos a virar uma página porque aprendemos a olhar para os outros sem os querer reduzir a nós. Ecumenismo é aproximação entre as Igrejas cristãs para ultrapassar divisões. Diálogo inter-religioso é relação das Igrejas com as outras religiões e com os que não têm nenhuma.

Aparte estas distinções, Marcelo apelou a “que os próximos cinco anos sejam vividos sob o signo da mesma paz, justiça e fraternidade” evocados pela reunião.

Na celebração inter-religiosa estiveram em pé de igualdade as várias confissões cristãs – católicos, evangélicos, adventistas e outros – seja qual for a sua expressão e peso em Portugal – e muçulmanos, judeus e budistas. Na realidade, quase duas dezenas de Igrejas e os sem religião nenhuma, ateus “graças a Deus”. Em pé de igualdade, por que o Estado é só um.

Podem ser várias as leituras políticas desta cerimónia. Uma delas é que o novo Presidente da República não quer que os refugiados muçulmanos do Médio Oriente que têm chegado à Europa sejam “os novos judeus”, alvos de perseguições.

Também é bastante claro que apela contra os ataques terroristas na Europa e no mundo. Até se pode pensar que a sua mente florentina e criativa escolheu um templo muçulmano para dar uma mensagem cristã.

Tudo bem. Mas isso fica em segundo plano face às palavras “breves, mas sentidas” de Marcelo de que “Portugal deve muita da sua grandeza secular ao seu espírito ecuménico.”

Essa é a coisa simplesmente bela: ter religião ou não ter religião não é assunto para ser tratado de modo clandestino: é para ser partilhado na praça pública.

Divisões, já temos que baste no nosso país.

 

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O grande ausente do congresso do CDS

Artur de Oliveira 13 Mar 16

É que não habia nechechidade...

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O retrato do presidente

Mendo Henriques 8 Mar 16

cavaco-retrato-oficial-338x400.jpghttp://www.jornaltornado.pt/retrato-do-presidente/

Estou a observar o retrato presidencial do prof. Cavaco Silva por um pintor de sucesso. O retrato é convencional, fotográfico nos pormenores e fotogénico no personagem. O ex-presidente tem na sua mão direita uma caneta que vai escrever não sabemos o quê e a mão esquerda assenta sobre A Constituição da República Portuguesa (1976) e A Riqueza das Nações, de Adam Smith (1776). Um tinteiro antigo e valioso dá uma nota de compostura estética burguesa enquanto uma gigantesca bandeira nacional forma um fundo que o isola do mundo. Nação, Constituição, riqueza, caneta e tinteiro. O poder é discreto mas presente. Tudo o mais – a realidade internacional, a língua como cultura, o ar livre e a natureza, e sobretudo os outros que justificam que haja estado e coisa pública, esses não são representados. São literalmente obscenos.

Não tenho dúvidas que o prof. Cavaco Silva, cinco vezes eleito pelo povo e uma vez derrotado, assumiu a revolução do 25 de Abril. Em 1974, Portugal pluricontinental poderia ser rico mas a esmagadora maioria dos portugueses era pobre. Contra a guerra, a pobreza, o analfabetismo, a falta de infraestruturas, a emigração galopante e a mortalidade infantil veio o programa dos 3 D’s, descolonizar, democratizar e desenvolver. Foram integrados quase 1 milhão de portugueses de África; cessou a emigração; ergueu-se um sistema de saúde, democratizou-se o ensino, terminaram os complexos africanos e convergiu-se com a Europa. Foram os 10 anos do General Eanes.

Foi neste quadro benéfico que o prof. Cavaco Silva rodou para a Figueira da Foz em 1984. Nos X, XI e XII governos, continuou a construção de equipamentos: saneamento, redes de água e energia, escolas e hospitais, equipamentos culturais e sobretudo autoestradas. A adesão à União Europeia em 1986 parecia incontornável mas impôs um padrão de especialização económica a Portugal — como o Tratado de Methuen — promovendo sectores à custa da destruição de outros. Foram-se as pescas, a marinha mercante, parte da agricultura, muito da indústria tradicional, e a reparação naval agonizou.

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Retrato Oficial da autoria de Carlos Barahona Possollo. Fonte: PR

Os fundos europeus PEDIP I e PEDIP II, FEOGA chegavam. Surgiu a reforma fiscal de 1989. Vieram as privatizações que repartiram por grupos nacionais os bens nacionalizados em 1974-5. A promessa de bem-estar do 25 de Abril redundava na obstinada política do betão que, à data, teve um efeito multiplicador sobre a economia. A ponte Vasco da Gama, o C.C.Belém, o ANTT, TagusPark, a organização da Expo’98, tudo muito lisboeta, seria o culminar desta política. O algarvio Cavaco Silva serviu bem a capital do país.

Após o prof. Cavaco Silva deixar de ser primeiro-ministro em 1995 e perder as presidenciais de 1996, começou a deixar avisos sobre o que chamou o “monstro” que ajudou a criar: a administração demasiado grande num país em que a sociedade civil e as empresas nacionais eram demasiado exíguas. Começou a deixar avisos que estávamos a divergir da Europa em riqueza, sempre a riqueza que é um meio, e não a prosperidade e a justiça que são finalidades e que exigem horizontes mais largos.

Os governos do Eng.º Guterres (XIII e XIV) seguiram políticas pró-cíclicas, aumentando o investimento em obras públicas, mas já sem efeitos multiplicador benéfico. Quando emergiu o iceberg da corrupção, o eng.º Guterres foi-se embora, desiludido com o pântano e acabou “exilado” num cargo internacional em 2005. O Dr. Durão Barroso (XV governo) declarou o “estado de tanga” nacional e aumentou os impostos mas depois deixou o seu posto para aceder ao cargo de presidente da Comissão Europeia, em 2004. Após o curto governo do Dr. Santana Lopes (XVI) foi eleito o Eng.º Sócrates (XVII) que replicou as políticas do betão, aumentando o endividamento, com aumento exponencial de despesas.

Foi então Cavaco Silva eleito presidente em 2006. A despesa pública subira mas o crescimento descera. Os resultados eram frustrantes: investigava-se sem criar patentes: produzia-se sem aumentar as exportações; educava-se sem ligação com a formação profissional; cresciam os direitos mas degradava-se a justiça. Entretanto a crise mundial desencadeou a grande recessão em 2008.

No final do XVIII Governo de José Sócrates e após sucessivos investimentos mal formatados, regressávamos aos 70% da média do PIB per capita europeu de 1974. As riquezas foram engolidas por um endividamento penoso das famílias, das empresas e do Estado. O Eng.º Sócrates exilou-se para Paris, tal como o seu homólogo da I República, o Dr. Afonso Costa.

Esperava-se neste ambiente que o prof. Cavaco Silva apontasse caminhos, criasse pontes, chamasse pessoas, projectasse o país na lusofonia e na Europa. Nada disto se passou. Apenas discursos de contingência e de circunstância. A caneta ficou na mão direita sem nada escrever. A promessa de riqueza não foi acompanhada de qualquer visão de humanidade, de cidadania, de Justiça, de sonho para um povo. O prof. Cavaco foi caindo numa monumental insignificância. Não o critico propriamente a ele: critico o Cavaco ou o cavaquismo que existe em cada um de nós e de que temos de nos libertar.

De tal modo o endividamento cresceu que os partidos do famigerado arco da governação assinaram com a Troika, em Maio de 2011, o Memorando de Entendimento. O governo do Dr. Passos Coelho (XIX) foi o desastre que se sabe de austeridade. Continuaram os escândalos da corrupção e surgiram mais bancos rotos, BES, e Banif. E após um interlúdio governamental da PÁF em 2015, o governo do Dr. António Costa (XXI) com o apoio do BE e do PCP, está a tomar tímidas medidas de reposição dos rendimentos. Ponto importante: não cultiva ódios, pois convidou o prof. Cavaco Silva para o conselho de ministros sobre o Mar no dia 3 de Março.

A 9 de Março de 2016 o prof. Cavaco Silva deixa o cargo de presidente. Não deixa Portugal como o Titanic que se afundou com a orquestra a tocar mas deixa-o como o Tollan, encalhado, mais pobrezinho, mais nosso, mais encavacado. É o que sucede a quem só pensa em meios sem cuidar dos fins.

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Congregar, de novo, Nós.

Anabela Melão 13 Ago 15

A malta do PSD diz que aquilo já não é o PSD.
A malta do PS diz que aquilo já não é o PS.
E até a malta do CDS diz que o CDS se finou.
O Ribeiro e Castro explica isto. Diz que o óbito ocorreu logo a seguir ao 10 de Junho. A 11, foi apresentada à imprensa a Comissão Política Nacional da coligação Portugal à Frente. “A PàF tem uma CPN?” – foi a primeira dúvida. 'Onde estava ela prevista? E regulada? Como fora designada? Como foram escolhidos os 13 membros de cada partido, PSD e CDS, e como foram designadas as 6 personalidades independentes?
A dúvida não era para menos: as comissões políticas nacionais, CPN para os íntimos, são os órgãos máximos de direcção política dos partidos; são eleitas em Congresso; e têm alto relevo estatutário, onde estão estabelecidas e reguladas. E esta CPN da PàF? Não sendo brincadeira cosmética, vai substituir as CPN dos partidos da coligação? Os membros destas delegaram funções na da coligação? Ou como se articula tudo? E qual o seu instrumento regulamentar? Quem o aprovou? Quando? Como?'
Liminarmente, com mais umas explicações pelo meio, Ribeiro e Castro concluiu pela morte do CDS. Foi a apresentação pública de uma Comissão Política da coligação, superando órgãos eleitos em Congresso. Foi a nomeação deste órgão sem que ninguém saiba como ocorreu, em processo clandestino. Foi a constituição de uma Comissão Política conjunta com base estatutária ou regulamentar inteiramente desconhecida. Foi o facto de as normas que regerão a respectiva existência não terem, em momento algum, sido apresentadas e aprovadas no Conselho Nacional do CDS. E, mais foi o facto de ninguém esboçar uma crítica, nem sequer os membros da Comissão Política eleitos no Congresso do CDS e assim preteridos e distratados. 'Só numa organização defunta isto é possível.' conclui.
Já parecera a RC que o mesmo tinha acontecido nas eleições europeias de Maio 2014, em que o CDS coligado na Aliança Portugal, averbou uma derrota histórica (27,7%), quase 7 pontos abaixo mesmo dos piores resultados de 1975, com as eleições constituintes disputadas debaixo de coacção em pleno PREC. «Ninguém reagiu grande coisa a esse cataclismo, nem se interrogou sobre o que fazer para recuperar a confiança. O que me levou a comentar que só há uma explicação para um corpo levar uma estocada mortal e não esboçar a mais leve reacção: é já estar morto.»
O óbito do CDS estaria agora confirmado por dois factos recentes: a forma como os conselheiros nacionais do CDS protestaram contra a forma como o Presidente do CDS escolheu e ordenou todos os futuros deputados indicados pelo partido, mas aprovaram por esmagadora maioria (135 votos em 141) essas listas; e a ausência do CDS dos debates televisivos eleitorais e 'a triste forma, de algum modo autoinfligida, como aí se chegou.'
«É claro que existe o partido do Presidente do CDS-PP. Mas não é a associação política, não é uma instituição em sentido próprio, não é o CDS. O partido do Presidente que, blindado na coligação, tudo decide, tudo aprova, tudo escolhe é o sobrevivo. Que o CDS descanse em paz. Quando existiu, prestou grandes serviços a Portugal.» [entrevista ao Observador]
Convenhamos, uma parte significativa dos militantes dos partidos do bloco central opina exatamente o mesmo: que os partidos que militam faleceram. Parece que o tempo será o de os cidadãos se consciencializarem de que outras formas de agregação partidária, transversais, são necessárias. Porque se todos os grandes partidos declaram óbito, a Democracia pode mesmo correr o risco de, já tão ferida, vir a falecer, também.

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