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O Ouriço

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Crise artificial com consequências reais

Artur de Oliveira 14 Jan 13

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Pergunto-me porque é que o BCE não pode emprestar diretamente aos países endividados em vez de ser obrigado a emprestar aos bancos, que por sua vez emprestam aos estados a juros altíssimos...

 

Porque é que os estados financiam os bancos em crise e em troca levam juros e prazos altíssimos bem como ingerência na própria política interna? Mais: Porque o BCE não pode emitir moeda?

 

Estamos perante um jogo viciado, uma crise que aparenta ser fabricada, artificial e contra natura e é caso para dizer: Quando os bancos não têm juízo, o povo é que paga...

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Hamburger vegetariano

Jack Soifer 14 Jan 13


















Com o aumento do IVA alimentar, a indústria usará carne de pior qualidade e com mais aditivos.

Hortaliças e legumes continuarão baratos e a procura por hamburger vegetariano aumentará. O equipamento para industrializá-lo é barato e simples de utilizar. Precisa de arrendar um  pequeno armazém a aprovar pela ASAE (que tudo fará para impedi-lo, escreva directamente ao Ministra).

As receitas variam. Por exemplo: feito o puré de batata, misture cogumelos cortados e cebola em rodelas finas.

Ou faça uma pasta de lentilha, cenoura, cogumelos e clara de ovo. Há receitas com aveia. Mistura-se tudo muito bem numa misturadora semelhante à da padaria, tempera-se a gosto com alho, salsa e pimenta, sem sal. Noutra máquina, prense, em forma de hambúrguer, retire da fôrma sob água fria.

Leve ao forno industrial em 200° com os tabuleiros a girar durante 8 minutos. Comece com uma arca para congelar e outra para armazenar.

Quatro hambúrgueres são, então, embalados em papel-celofane e entram numa caixa de papelão. Faça um rótulo inusitado, em seis línguas. Para ter algum lucro, venda apenas às lojas gourmet ou em embalagem de 40 unidades a restaurantes. Pagamento a pronto!

Visite pastelarias e bons restaurantes e ofereça um grande cartaz a mostrar os benefícios do hamburger vegetariano, comparado com os de fast-food. Recomende um pão integral, alface e tomate. Tenha dois tamanhos, para quem quiser comer menos, ou um duplo. Ofereça você mesmo provas, ao final da tarde, apenas em mercado gourmet, ou nas zonas com muitos estrangeiros, artistas e ambientalistas. E já faz a entrega quinzenal.

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Suponhamos que somos gerentes de um estabelecimento comercial que tem uma dívida de 43800 euros aos vários fornecedores. Descontando as despesas que temos mensalmente com os nossos funcionários, assumamos que o lucro anual ronda os 36500 euros.

Como estamos empenhados em cumprir com os nossos compromissos, de forma a garantir que os nossos fornecedores nos continuem a fornecer, decidimos pagar parte da dívida anexada aos lucros diários, dando uma média de 100 euros de lucro/dia para abater aos 120 euros/dia em dívida. Isto é, a dívida que temos com os nossos fornecedores é cerca de 120% do lucro que produzimos, isto é, mesmo cumprindo com os fornecedores, ficamos com 7300 euros de dívida a juntar à dívida que vamos pagar durante o próximo ano.

Assumindo que no próximo ano, os nossos lucros se manterão constantes, teremos de abater uma dívida de  51100 euros (43800 deste ano + 7300 euros em dívida do ano transacto) face aos 36500 euros de lucro, teremos de pagar aos nossos fornecedores não 120 euros/dia mas 140 euros/dia. Em termos percentuais, a dívida que temos com os nossos fornecedores passará dos 120% para os 140%-40 euros/dia de dívida acumulada.

Para evitar esta espiral de dívida, uma solução que nós, gerentes, faríamos passaria ou por despedir pelo menos um funcionário, ou por reduzir o salário a todos os funcionários do estabelecimento.

E se agora tentássemos transladar a realidade deste [nosso] estabelecimento comercial para a realidade portuguesa, cuja dívida ronda os 120% da riqueza produzida a.k.a PIB? Funcionaria? 
Pelos vistos não, pois esta tem sido a política a que os nossos credores nos obrigam desde que aterraram na Portela em Maio 2011. 

 

Também publicado em Caleidoscópio.

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Apocalipse Now para o Estado Social

Artur de Oliveira 10 Jan 13

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Extraído do Relatório do FMI.


D.Equity and Social Cohesion

 

13.Portugal’s social protection system could do better in mitigating inequalities. The operation of the contributory social protection system reflects the logic of insiders and outsiders and serves to reinforce the gap between rich and poor. In contrast to many other OECD and EU countries, Portugal’s social transfers provide more benefits to upper income groups than to lower income groups, aggravating inequality.13 Particularly in times of fiscal distress and growing concerns about social cohesion, a regressive social protection system looks less and less sustainable both economically and conceptually.


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A crise sistémica que os países desenvolvidos atravessam tem uma ordem de complexa muito superior ao que se estima. Não havendo um diagonóstico único que correlacione realidades macro com realidades micro, a perseguição desenfreada à propriedade privada e poupanças sob a forma de aumentos progressivos de impostos tem sido a opção vigente, que ao invés de defender o princípio da equidade, tem resultado em dupla injustiça com tendência a expropriação.

Embora a economia especulativa continua a florescer, ao ponto dos derivados financeiros a nível global, representarem um risco de incumprimento dez vezes superior ao PIB mundial, os governos optam pelo mais fácil que se resume à celebre alegoria do “homem do fraque”- uma espécie de fiscal bem vestido-de fraque-que acompanha o “devedor” na sombra, chamando-o à atenção na esperança que o perseguido, pague a dívida por vergonha.

Mais do que nunca, a desregulação dos mercados financeiros a nível global, têm representado uma ameaça urgente e potencialmente irreversível que pode conduzir a um retrocesso civilizacional, à semelhança do que aconteceu durante a idade média. Já várias vozes alertaram para este cenário, entre os quais Barack Obama, Alan Greenspan, Warren Buffet e Myron Scholes. Muito recentemente, vozes como as de George Soros tem demonstrado que o valor dos seguros de dívida por incumprimento a.k.a CDS (Credit Default Swaps) deixaram de cumprir os objectivos para que foram criados- i.e. o de quantificarem a “saúde financeira” das empresas e países, ao invés de geraram activos [financeiros] tóxicos que visam ao enriquecimento de bancos de investimento em situação de pré-faléncia.

Perante tal cenário de deriva colectiva, sem a esperança, confiança e sentido de humanismo, só nos resta uma solução para tentar evitar o colapso eminente. Esta passa por equilibrar o lado racional com o lado emocional como forma de combater uma civilização tablóide emergente, orquestrada pelas trompetas dos mercados financeiros e de agências de rating.

Como diria Patrick Viveret ”razão instrumental sem inteligência emocional pode levar-nos facilmente a cometer a pior das barbaridades” (cf. Por uma sobriedade feliz, Quarteto 2012, 41). 

 

Publicado também no blog Caleidoscópio.

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RTP1 lança nova grelha sem concursos no horário nobre. O que significa esta notícia? Que a grelha foi adjudicada sem concurso público? Que serralheiros do mercado aberto foram preteridos na escolha da grelha? Que houve ajuste directo na contratação do fornecedor da grelha? Que houve favorecimento de um fornecedor em particular por não haver concursos? Tudo isto é muito misterioso e carece de investigação mais profunda. Gostaria de saber se todos os trâmites legais foram observados. Pode ser apenas uma grelha pública, mas se foi desenhada e concebida à minha custa, e de tantos outros tele-espectadores, gostaria de saber a verdade. Dormiria mais descansado.

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"André Gorz - “Adeus ao Proletariado”

Reedição 2011, um livro a reler, sobretudo o capítulo final (IV)

 

O que é “Adeus ao Proletariado”? (1) O livro começa mostrando que a noção de proletariado marxista e sua missão histórica não partiu da observação da classe trabalhadora, mas resultou de uma "condensação das três dominantes do pensamento ocidental, no momento da burguesia heróica - cristianismo, hegelianismo e cientificismo". Hegel concebeu a história como a progressão dialética do Espírito, que se torna consciente e toma posse do mundo.

"A filosofia de Hegel vem da teologia cristã  (2): A história é escatologia (3), isto é, fim dos tempos, mas o reinado de Deus virá através da mediação de homens históricos ainda que não entendam o significado do que fazem.'' Isto quanto a Hegel.

Para Marx, como na dialética do senhor e do escravo, ao libertar-se, o proletariado liberta a burguesia. Mas o significado do proletariado, depende  da mediação do próprio Marx, intérprete dessa missão escatológica.

Groz de acordo com a escola crítica dos valores não aceita o mito de que graças o proletariado, o reino do ser humano será cumprido.

"O desenvolvimento do capitalismo produziu uma classe operária que não é capaz de dominar os meios de produção e cujos interesses não coincidem com a racionalidade consciente socialista. (...) A superação do capitalismo, só pode vir de camadas que representam a dissolução de todas as classes, incluindo a classe trabalhadora.''

Enquanto prevalece a racionalidade capitalista que vê o aumento da produção como um fim em si mesmo, a classe operária continua dependente da lógica produtivista transmitida pelo Estado. Os partidos que a dizem representar são homólogos em estrutura à estrutura do Estado que querem derrubar; apenas o reproduzem.

A tomada do poder pela classe trabalhadora é a tomada da classe trabalhadora pelo poder do Estado.

Os únicos que não reproduzem esta lógica são os que estão á margem do processo de produção: os precários, "a não-classe dos proletários pós-industriais" potencialmente o novo sujeito histórico da sociedade moderna

'Esta não-classe, ao contrário da classe trabalhadora, não é produzida pelo capitalismo; é produzida pela crise capitalista e as novas relações sociais de produção capitalista. (...) Esta classe inclui todas as pessoas que são expulsas do processo de produção pela abolição do trabalho, ou subempregados nas suas capacidades pela industrialização ( automação e informatização) do trabalho intelectual. A não-classe inclui todo o excedente de produção social que estão desempregados virtuais, permanentes, temporários, totais ou parciais. É o produto da decomposição da sociedade com base no trabalho: a dignidade, valor, utilidade social, e desejo de trabalhar. Estende-se a quase todas as camadas da sociedade.''

Esta massa é maioria. Somente ela pode trazer um projeto de transformação social que vai ser "comunista", como definido por Marx, porque prefigura a abolição do trabalho assalariado.

Mas para este novo proletariado ser o portador de um futuro político, tem de viver. O trabalho não é abolido: permanece submetido à necessidade.

Há duas esferas na vida social: a heteronomia, que inclui o trabalho socialmente necessário e  a autonomia em com a livre atividade, individual ou coletiva. O aumento gradual da esfera da autonomia não irá remover a esfera da heteronomia, mas é preciso regular esta para repartir de forma equitativa entre todos o trabalho socialmente necessário.

Esta é uma tarefa política que pertence ao Estado. "A separação entre a necessidade e a autonomia (4) é uma condição de expansão máxima desta. "A política é o lugar de tensão entre a autonomia e os requisitos técnicos. O Estado "Bom" é necessariamente um mal menor e a atribuição de um rendimento social garantido para todos é uma das suas tarefas.

Estas são as principais teses de “Adeus ao proletariado”, que abandona a ideia de um desenvolvimento positivo inerente ao processo de produção. O socialismo é um projeto de liberdade humana; não faz parte da lógica das coisas.

"De que precisamos? O que queremos? Que nos falta para comunicar com os outros de modo mais fraterno? "Estas são as perguntas a que a economia política não sabe responder. É a partir deles que as políticas devem traçar objetivos.

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Passos para trás

Jack Soifer 4 Jan 13
















A recessão vai piorar. O pior ano será 2013. Durante 20 anos, demos passos para trás.

Consumir mais do que produzir, sistémica fuga de lucros para offshores, privilégios a grupos corporativos, intransparências, "posso, quero, mando", (in)justiça lenta e inusitada, grandes grupos a não pagar as faturas às PME, são algumas das razões da fuga dos investimentos.

A nossa crise aguda é estrutural, mas só atacam a financeira. Ignoram os alertas de quem quer o melhor para Portugal. No dia em que Passos Coelho aumentou o IVA da restauração, a Suécia baixou-o, após décadas de perder empregos e receita. Há 25 anos, tínhamos 60% de economia paralela, hoje temos 35% (o valor menor divulgado obteve-se por um método ultrapassado). A ciência prova que, quando a população considera taxas e impostos inequitativos, duplica a economia paralela. Demorou-se 25 anos a baixar a fuga ao fisco em 25%, e este poderá subir em 50 dias. A receita vai cair, não subir, como no caso das Scuts!

Vários econometristas já disseram que Portugal precisa de dez anos e uns 160 MM€ para sair da recessão. Por que ignorar isto, como negar despedir 100 mil burocratas, vender ou ceder a empreendedores imóveis públicos mal usados, impor a lei igual para todos?

Resta ao empreendedor produzir para exportar, entrar na economia paralela, emigrar - como já recomendaram - ou tornar-se amigo da corte. A crise é uma oportunidade para mudanças estruturais. Quem as promete e não faz está a aldrabar-nos, como tentaram com o mercado, o que fez os juros de longo prazo subirem, e não cairem. Empreender sim, mas num mundo real!

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BPN nunca mais

Artur de Oliveira 4 Jan 13

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Para que o caso BPN não se volte a repetir convém nunca esquecer o que se passou, ainda por cima quando aparentemente o governo está em vias de nacionalizar o BANIF.

 

 É bom que tenhamos todos (governantes, partidos, sociedade civil) em conta que os maus exemplos por vezes são bons para não voltarem á vida noutros moldes. 

 

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