Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

O Ouriço

MENU

Suponhamos que somos gerentes de um estabelecimento comercial que tem uma dívida de 43800 euros aos vários fornecedores. Descontando as despesas que temos mensalmente com os nossos funcionários, assumamos que o lucro anual ronda os 36500 euros.

Como estamos empenhados em cumprir com os nossos compromissos, de forma a garantir que os nossos fornecedores nos continuem a fornecer, decidimos pagar parte da dívida anexada aos lucros diários, dando uma média de 100 euros de lucro/dia para abater aos 120 euros/dia em dívida. Isto é, a dívida que temos com os nossos fornecedores é cerca de 120% do lucro que produzimos, isto é, mesmo cumprindo com os fornecedores, ficamos com 7300 euros de dívida a juntar à dívida que vamos pagar durante o próximo ano.

Assumindo que no próximo ano, os nossos lucros se manterão constantes, teremos de abater uma dívida de  51100 euros (43800 deste ano + 7300 euros em dívida do ano transacto) face aos 36500 euros de lucro, teremos de pagar aos nossos fornecedores não 120 euros/dia mas 140 euros/dia. Em termos percentuais, a dívida que temos com os nossos fornecedores passará dos 120% para os 140%-40 euros/dia de dívida acumulada.

Para evitar esta espiral de dívida, uma solução que nós, gerentes, faríamos passaria ou por despedir pelo menos um funcionário, ou por reduzir o salário a todos os funcionários do estabelecimento.

E se agora tentássemos transladar a realidade deste [nosso] estabelecimento comercial para a realidade portuguesa, cuja dívida ronda os 120% da riqueza produzida a.k.a PIB? Funcionaria? 
Pelos vistos não, pois esta tem sido a política a que os nossos credores nos obrigam desde que aterraram na Portela em Maio 2011. 

 

Também publicado em Caleidoscópio.

Autoria e outros dados (tags, etc)

4 comentários

De Luís Caldas a 12.01.2013 às 23:23

Lamento informa-lo, mas as suas contas estão erradas... Ou então é o seu argumento que está errado.

se tem lucro anual de 7 mil euros, ao fim de 7-8 anos pagará a totalidade da sua dívida...

se está a falar de receitas em vez de lucro, então a sua empresa comercial é completamente inviável.

De Faust Von Goethe a 13.01.2013 às 12:18

Caro Luís,

O argumento, embora baseado num pressuposto abstracto, retrata a dinâmica da dívida. Para manter o seu estabelecimento aberto, precisa de se "endividar" para garantir ter produtos em stock. Supõe-se que os fornecedores-isto é, quem nos "vende fiado", não alteraram as condições de fornecimento (p.e. produtos mais baratos,descontos, etc).
O Luís, ao dizer que a dívida será paga num prazo de 7/8 anos, está a assumir que a dívida da sua lógica é estanque, o que é não faz sentido.

De Luís Caldas a 13.01.2013 às 15:12

Caro Faust,

Mas o pressuposto só pode ser esse... A dívida da empresa é sempre pagável nesse período de tempo a não ser que se decidam fazer novos investimentos (com recurso ao endividamento), que o negócio passe a ser deficitário e portanto o lucro baixe. Mas se os pressupostos se mantém anualmente o stock de dívida chega a zero ao final do 8 ano.

Explique-me como é que se obtém lucro anual e está a afectar 100 €/dia para pagar o stock de divida, chega ao fim do ano com 1 valor de dívida mais alta como você disse...

Quis fazer 1 exemplo que se assemelhasse ao Estado Português, mas o Estado Português é deficitário, no seu exemplo onde diz que tem lucro de 38000, tem é receitas e as despesas do estado são 43000... Logo é impossível reafectar rendimentos para pagar stock de dívida, pois não existe lucro. Esse é o problema do Estado Português.

Agora voltemos ao seu exemplo, caso tivesse 43000 de despesas e 38000 de receitas o que faria para que a sua empresa fosse viável?




De Faust Von Goethe a 14.01.2013 às 09:46

Eureka!

Estamos a chegar ao busilis da questão. No caso de empresas, o procedimento é simples e segue nos moldes que elucidou. Como estamos a falar de um estado que é constituído, para além de algumas empresas públicas/público-privadas, envolve pessoas, o procedimento deixa de ser linear. A menos que o factor de humanismo não interesse para o efeito.

Mais uma vez, obrigado pelos seus contributos.

Comentar post

Pesquisar

Pesquisar no Blog

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

subscrever feeds