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O Ouriço

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O grande ausente do congresso do CDS

Artur de Oliveira 13 Mar 16

É que não habia nechechidade...

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O retrato do presidente

Mendo Henriques 8 Mar 16

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Estou a observar o retrato presidencial do prof. Cavaco Silva por um pintor de sucesso. O retrato é convencional, fotográfico nos pormenores e fotogénico no personagem. O ex-presidente tem na sua mão direita uma caneta que vai escrever não sabemos o quê e a mão esquerda assenta sobre A Constituição da República Portuguesa (1976) e A Riqueza das Nações, de Adam Smith (1776). Um tinteiro antigo e valioso dá uma nota de compostura estética burguesa enquanto uma gigantesca bandeira nacional forma um fundo que o isola do mundo. Nação, Constituição, riqueza, caneta e tinteiro. O poder é discreto mas presente. Tudo o mais – a realidade internacional, a língua como cultura, o ar livre e a natureza, e sobretudo os outros que justificam que haja estado e coisa pública, esses não são representados. São literalmente obscenos.

Não tenho dúvidas que o prof. Cavaco Silva, cinco vezes eleito pelo povo e uma vez derrotado, assumiu a revolução do 25 de Abril. Em 1974, Portugal pluricontinental poderia ser rico mas a esmagadora maioria dos portugueses era pobre. Contra a guerra, a pobreza, o analfabetismo, a falta de infraestruturas, a emigração galopante e a mortalidade infantil veio o programa dos 3 D’s, descolonizar, democratizar e desenvolver. Foram integrados quase 1 milhão de portugueses de África; cessou a emigração; ergueu-se um sistema de saúde, democratizou-se o ensino, terminaram os complexos africanos e convergiu-se com a Europa. Foram os 10 anos do General Eanes.

Foi neste quadro benéfico que o prof. Cavaco Silva rodou para a Figueira da Foz em 1984. Nos X, XI e XII governos, continuou a construção de equipamentos: saneamento, redes de água e energia, escolas e hospitais, equipamentos culturais e sobretudo autoestradas. A adesão à União Europeia em 1986 parecia incontornável mas impôs um padrão de especialização económica a Portugal — como o Tratado de Methuen — promovendo sectores à custa da destruição de outros. Foram-se as pescas, a marinha mercante, parte da agricultura, muito da indústria tradicional, e a reparação naval agonizou.

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Retrato Oficial da autoria de Carlos Barahona Possollo. Fonte: PR

Os fundos europeus PEDIP I e PEDIP II, FEOGA chegavam. Surgiu a reforma fiscal de 1989. Vieram as privatizações que repartiram por grupos nacionais os bens nacionalizados em 1974-5. A promessa de bem-estar do 25 de Abril redundava na obstinada política do betão que, à data, teve um efeito multiplicador sobre a economia. A ponte Vasco da Gama, o C.C.Belém, o ANTT, TagusPark, a organização da Expo’98, tudo muito lisboeta, seria o culminar desta política. O algarvio Cavaco Silva serviu bem a capital do país.

Após o prof. Cavaco Silva deixar de ser primeiro-ministro em 1995 e perder as presidenciais de 1996, começou a deixar avisos sobre o que chamou o “monstro” que ajudou a criar: a administração demasiado grande num país em que a sociedade civil e as empresas nacionais eram demasiado exíguas. Começou a deixar avisos que estávamos a divergir da Europa em riqueza, sempre a riqueza que é um meio, e não a prosperidade e a justiça que são finalidades e que exigem horizontes mais largos.

Os governos do Eng.º Guterres (XIII e XIV) seguiram políticas pró-cíclicas, aumentando o investimento em obras públicas, mas já sem efeitos multiplicador benéfico. Quando emergiu o iceberg da corrupção, o eng.º Guterres foi-se embora, desiludido com o pântano e acabou “exilado” num cargo internacional em 2005. O Dr. Durão Barroso (XV governo) declarou o “estado de tanga” nacional e aumentou os impostos mas depois deixou o seu posto para aceder ao cargo de presidente da Comissão Europeia, em 2004. Após o curto governo do Dr. Santana Lopes (XVI) foi eleito o Eng.º Sócrates (XVII) que replicou as políticas do betão, aumentando o endividamento, com aumento exponencial de despesas.

Foi então Cavaco Silva eleito presidente em 2006. A despesa pública subira mas o crescimento descera. Os resultados eram frustrantes: investigava-se sem criar patentes: produzia-se sem aumentar as exportações; educava-se sem ligação com a formação profissional; cresciam os direitos mas degradava-se a justiça. Entretanto a crise mundial desencadeou a grande recessão em 2008.

No final do XVIII Governo de José Sócrates e após sucessivos investimentos mal formatados, regressávamos aos 70% da média do PIB per capita europeu de 1974. As riquezas foram engolidas por um endividamento penoso das famílias, das empresas e do Estado. O Eng.º Sócrates exilou-se para Paris, tal como o seu homólogo da I República, o Dr. Afonso Costa.

Esperava-se neste ambiente que o prof. Cavaco Silva apontasse caminhos, criasse pontes, chamasse pessoas, projectasse o país na lusofonia e na Europa. Nada disto se passou. Apenas discursos de contingência e de circunstância. A caneta ficou na mão direita sem nada escrever. A promessa de riqueza não foi acompanhada de qualquer visão de humanidade, de cidadania, de Justiça, de sonho para um povo. O prof. Cavaco foi caindo numa monumental insignificância. Não o critico propriamente a ele: critico o Cavaco ou o cavaquismo que existe em cada um de nós e de que temos de nos libertar.

De tal modo o endividamento cresceu que os partidos do famigerado arco da governação assinaram com a Troika, em Maio de 2011, o Memorando de Entendimento. O governo do Dr. Passos Coelho (XIX) foi o desastre que se sabe de austeridade. Continuaram os escândalos da corrupção e surgiram mais bancos rotos, BES, e Banif. E após um interlúdio governamental da PÁF em 2015, o governo do Dr. António Costa (XXI) com o apoio do BE e do PCP, está a tomar tímidas medidas de reposição dos rendimentos. Ponto importante: não cultiva ódios, pois convidou o prof. Cavaco Silva para o conselho de ministros sobre o Mar no dia 3 de Março.

A 9 de Março de 2016 o prof. Cavaco Silva deixa o cargo de presidente. Não deixa Portugal como o Titanic que se afundou com a orquestra a tocar mas deixa-o como o Tollan, encalhado, mais pobrezinho, mais nosso, mais encavacado. É o que sucede a quem só pensa em meios sem cuidar dos fins.

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Congregar, de novo, Nós.

Anabela Melão 13 Ago 15

A malta do PSD diz que aquilo já não é o PSD.
A malta do PS diz que aquilo já não é o PS.
E até a malta do CDS diz que o CDS se finou.
O Ribeiro e Castro explica isto. Diz que o óbito ocorreu logo a seguir ao 10 de Junho. A 11, foi apresentada à imprensa a Comissão Política Nacional da coligação Portugal à Frente. “A PàF tem uma CPN?” – foi a primeira dúvida. 'Onde estava ela prevista? E regulada? Como fora designada? Como foram escolhidos os 13 membros de cada partido, PSD e CDS, e como foram designadas as 6 personalidades independentes?
A dúvida não era para menos: as comissões políticas nacionais, CPN para os íntimos, são os órgãos máximos de direcção política dos partidos; são eleitas em Congresso; e têm alto relevo estatutário, onde estão estabelecidas e reguladas. E esta CPN da PàF? Não sendo brincadeira cosmética, vai substituir as CPN dos partidos da coligação? Os membros destas delegaram funções na da coligação? Ou como se articula tudo? E qual o seu instrumento regulamentar? Quem o aprovou? Quando? Como?'
Liminarmente, com mais umas explicações pelo meio, Ribeiro e Castro concluiu pela morte do CDS. Foi a apresentação pública de uma Comissão Política da coligação, superando órgãos eleitos em Congresso. Foi a nomeação deste órgão sem que ninguém saiba como ocorreu, em processo clandestino. Foi a constituição de uma Comissão Política conjunta com base estatutária ou regulamentar inteiramente desconhecida. Foi o facto de as normas que regerão a respectiva existência não terem, em momento algum, sido apresentadas e aprovadas no Conselho Nacional do CDS. E, mais foi o facto de ninguém esboçar uma crítica, nem sequer os membros da Comissão Política eleitos no Congresso do CDS e assim preteridos e distratados. 'Só numa organização defunta isto é possível.' conclui.
Já parecera a RC que o mesmo tinha acontecido nas eleições europeias de Maio 2014, em que o CDS coligado na Aliança Portugal, averbou uma derrota histórica (27,7%), quase 7 pontos abaixo mesmo dos piores resultados de 1975, com as eleições constituintes disputadas debaixo de coacção em pleno PREC. «Ninguém reagiu grande coisa a esse cataclismo, nem se interrogou sobre o que fazer para recuperar a confiança. O que me levou a comentar que só há uma explicação para um corpo levar uma estocada mortal e não esboçar a mais leve reacção: é já estar morto.»
O óbito do CDS estaria agora confirmado por dois factos recentes: a forma como os conselheiros nacionais do CDS protestaram contra a forma como o Presidente do CDS escolheu e ordenou todos os futuros deputados indicados pelo partido, mas aprovaram por esmagadora maioria (135 votos em 141) essas listas; e a ausência do CDS dos debates televisivos eleitorais e 'a triste forma, de algum modo autoinfligida, como aí se chegou.'
«É claro que existe o partido do Presidente do CDS-PP. Mas não é a associação política, não é uma instituição em sentido próprio, não é o CDS. O partido do Presidente que, blindado na coligação, tudo decide, tudo aprova, tudo escolhe é o sobrevivo. Que o CDS descanse em paz. Quando existiu, prestou grandes serviços a Portugal.» [entrevista ao Observador]
Convenhamos, uma parte significativa dos militantes dos partidos do bloco central opina exatamente o mesmo: que os partidos que militam faleceram. Parece que o tempo será o de os cidadãos se consciencializarem de que outras formas de agregação partidária, transversais, são necessárias. Porque se todos os grandes partidos declaram óbito, a Democracia pode mesmo correr o risco de, já tão ferida, vir a falecer, também.

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Uma semana absolutamente surrealista para a Justiça, ou que (pouco ou nada) sobra dela!

Primeiro, o sucateiro Godinho leva um golpe de rins que sugerem que a sua visão possa ter a forma de quadradinhos por mais de uma década. Vara, à custa de robalos e alheiras, fica-se por um par de anos, mas em pena suspensa, com certeza, que as alas VIP dos estabelecimentos prisionais ainda não servem tais iguarias. Maria de Lurdes Rodrigues é apanhada por causa de uma coisita de nada, um ajuste directo com adjudicação para um trabalho que uns dizem que não chegou a ser feito e outros dizem que nem foi pago. Vara e Maria de Lurdes Rodrigues até podem nem ser farinha do mesmo saco, mas com agravantes para um e atenuantes para outro, a semana foi uma dor de cabeça. Contudo, parece-me que com Maria de Lurdes Rodrigues há aqui qualquer coisa que soa a caça às bruxas e é bom deixar aqui as palavras de Francisco Proença de Carvalho: «... Condenando ou absolvendo, é fundamental que o sistema de Justiça mantenha um percurso sereno e alheio aos circos mediáticos e ao contexto de crise que assola a sociedade portuguesa. A Justiça deve sempre tomar apenas e só em conta o caso concreto, os factos, as provas e o Direito. E deve evitar cair na tentação de entrar no campo da moral, da opinião e das sentenças "exemplares".»

Saiu o novo livro do jornalista Gustavo Sampaio, “Os Facilitadores” – o mesmo que escreveu “Os Privilegiados” em que este dá conta de como se fazem os negócios mais poderosos do país nas sociedades de advogados? Parcerias Público-Privadas(PPP), contratos ‘swap', ajustes directos e sem concurso no Estado, privatizações de grandes empresas públicas, grandes concessões. Passa tudo pela mãozinha e pela cabecinha das grandes sociedades de advogados, representantes dos interesses dos maiores grupos económicos e financeiros. Todos os grandes negócios passam por estes influentes ex-políticos e políticos no activo em regime de acumulação, provando que os advogados das grandes sociedades são uma espécie de "vasos comunicantes, fornecedores de contactos, intermediários de relações, facilitadores de negócios, produtores de blindagem jurídica, depositários de informação sigilosa, gestores de influências, criadores de soluções" numa espécie híbrida de "lobbycracia".

Segue-se uma fantochada em que o  tribunal absolveu Oliveira e Costa e Dias Loureiro. Aleluia! A juíza - que deve ser pessoa atinada e de bom senso! - considerou o tribunal comum incompetente para apreciar a acção do BPN contra Oliveira e Costa, Dias Loureiro e outros ex-responsáveis do grupo, anuindo à argumentação da defesa de que a acção seria da competência dos tribunais do comércio (tese que já fora apresentada pela defesa dos réus, e absolveu na primeira instância Oliveira e Costa, Dias Loureiro e outros antigos responsáveis do Grupo BPN/SLN). O despacho da juíza da 11ª Vara Cível de Lisboa, é categórico: "julgo procedente a excepção da incompetência das varas cíveis em razão da matéria quanto aos pedidos de condenação dos RR [réus] a pagar à A [BPN] indemnização e, consequentemente, absolvo da instância os RR [réus].", "a acção da responsabilidade de membros da administração para com a sociedade é da competência dos tribunais do comércio." Estão em causa, segundo o despacho que separou os processos cíveis do criminal, um pedido de indemnização do BPN de 42 M€. A decisão diz respeito a 6 ex-responsáveis do Grupo BPN/SLN: Oliveira e Costa, ex--líder do BPN, Dias Loureiro, Luís Caprichoso e Francisco Sanches, ex-administradores da SLN e do BPN, SGPS, Jorge Jordão, ex-administrador da SLN, e António Franco, ex--administrador do BPN. O BPN já apresentou um recurso no Supremo Tribunal de Justiça. Entretanto, a juíza também recusou o pedido do BPN para que fosse declarada "a nulidade, por simulação, da separação de bens e de partilha" entre Oliveira e Costa e a mulher. salvando-o de pagar a indemnização pedida pelo BPN. Uma juiza com muito "juízo" pariu uma sentença (des)ajuizada! Que extraordinário espectáculo teatral! Uma trágico-comédia digna da falência do sistema judicial a que se assiste, do balcão às galerias!

Segue-se, quer se queira quer não, o primeiro passo para a legalização do lobbying, com a conclusão do despacho de arquivamento do Departamento de Investigação e Acção Penal de Coimbra relativamente ao caso Tecnoforma que envolve Pedro Passos Coelho, Miguel Relvas e Paulo Pereira Coelho. No despacho, o procurador do DIAP de Coimbra refere que, feita a investigação, "não pode afastar-se" que os responsáveis da Tecnoforma "não tenham tido um acesso facilitado (ou próximo dos decisores políticos) a toda a informação para assegurar o sucesso da iniciativa" e que "através de processos ou termos não completamente esclarecidos, poderão ter influenciado" o estabelecimento das condições de um Protocolo celebrado entre as secretarias de Estado da Administração Local e a secretaria de Estado dos Transportes. Não obstante, o MP entende que a terem existido tais contatos prévios entre responsáveis da Tecnoforma e governantes, "essa atividade não tem que ter um enquadramento necessariamente ilícito do ponto de vista penal (que não é ético ou moral), sendo susceptível de ser tratada no quadro de uma atividade legítima de participação dos administrados nas decisões da administração". Ou seja, "lobbying". Já nos tinha fugido o chão debaixo dos pés agora voou o telhado. Faça-se tudo a céu aberto na paz dos anjos.

Só para descansar os meus amigos laranjas, clementinas, tangerinas, toranjas e outros afins informo que os crimes de que o primeiro-ministro é acusado já prescreveram. Os tais "alegados" 150 mil euros que Coelho recebeu da Tecnoforma quando era deputado, em regime de exclusividade, que fariam dele um suspeito do crime de fraude e falsificação de documentos, crimes que as más línguas denunciaram, são um inconseguimento jurídico, porque ocorreram entre 1997 e 1999. Ora, como graças aos santinhos luciferianos, tudo está devidamente prescrito, a investigação nem o chega a ser e Passos nem tem de se incomodar a levantar o dito cujo da cadeira para prestar declarações, nem terá sequer que pagar o imposto em falta porque essa obrigação caduca ao fim de quatro anos. Bem que eu ontem dizia que isto nem lhe tiraria uma horita de sono no fim de semana. Coelho está felicíssimo por ser o Primeiro nesta terra de Alices.

E nós, estupefactos ou talvez já nem por isso, a ver o circo passar, atirando pão a quem assiste à morte da Justiça numa arena romana em qualquer viela deste nosso Portugal!

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Genocídio religioso

Helder Luis 6 Set 14

Nos últimos 11 anos a população cristã do Iraque, assim como de outras pequenas minorias, tem sido dizimada, há 11 anos eram 4 milhões, hoje são apenas 300 mil e estão perto de ser extintos. Os únicos que os protegem são os muçulmanos curdos que também têm sido tão atacados desde há tantos anos.

 

Os EUA são os maiores culpados, pois quando derrubaram Hussein deixaram o Iraque num caos aonde imperam os radicais islâmicos.

 

Os outros grandes culpados são obviamente os muitos milhares de radicais islâmicos, gente que não merece o oxigénio que respira, são tudo menos seres humanos.

 

Agora a pergunta que se impõe, porquê um silêncio tão grande do Vaticano em relação a este massacre? Porquê o silêncio da Europa? Porque não movem influências para proteger a população cristã do Iraque?

 

 

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O nada admirável novo mundo

Helder Luis 21 Ago 14

...e é este o nada admirável mundo em que vivemos

 

Ainda que em alguns dos casos a causa seja boa, poderia ser feita de outro modo

 

 

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Seguro, o alegado lider da oposição, esteve ontem em São Bento a conversar com o alegado primeiro-ministro da Nação, sobre a escolha do português a indigitar para a Comissão Europeia. Foi 1,5 h bem passada. Os scones não estavam no ponto. O café parecia ter surgido dos restos de uma maquineta de cabaret. Mas foi ao Palácio e isso é sempre uma forma interessante de alguém completamente desinteressante começar o dia. Seguro alimenta o desejo de pisar aquelas carpetes já numa outra posição, que, seja ela qual for, jamais será vertical. Não é homem de costas direitas, muitos anos a lamber botas deixam marcas irreversíveis e hoje Seguro tem uma coluna entre a de uma alforreca e a de um caracol. Mas voltando ... à saída da reunião, o alegado secretário-geral do PS dispôs-se a responder às perguntas dos jornalistas. Entre um e outro scone, garantiu que, na linha da sua verticalidade já definida, afirmou que não se discutiram nomes, nem perfis, apenas a definição das «pastas importantes», pelas quais o Governo deveria lutar. Adiantou ainda que foi analisada a «agenda europeia», sem especificar o seu conteúdo.
Foi um dia em cheio, depois de são bento, seguiu-se a sua aparição diária na televisão, mas sem pastorinhos - esses degladiam-se com os lugarzitos que vão vagando no Parlamento e lá vão rezando para que morra um deputado de vez em quando para a voltinha rotativa da listinha de deputados que ficaram de fora do poleiro se dar, como prometido por Seguro. Caramba, a Isabel Moreira, tinha-se esperança que "aguentasse" uns mesitos mas a pequena tem calibre e não dobra nem cai!.
Seguro, enfim, para além do café queimado e dos scones mal cozidos, tinha-se prestado a ir a são bento, para se ir acostumando aos ares (nos delírios dele, aquilo é muito medicamento à borla lá em casa!), supostamente teria de ter falado da «agenda europeia». Que ele crê ter sido um livrinho cor-de-rosa que a sua margarida comprou numa viagem a uma terriola lá para os lados dos nuestros hermanos. Miss Swaps rejeitara, na véspera, ao lado dos países do Norte da Europa, a flexibilização das regras do euro. Tinha aqui José Seguro uma oportunidade única para mostrar as ideias que, por certo, serão brilhantes, mas de que ainda não viu amostra do seu tão querido Laboratório de Ideias. Por exemplo, que alianças procuraria fazer na Europa para travar o empobrecimento dos países periféricos?
Mas Seguro, o bonequinho sempre em pé do PS, preferiu brincar às escondidas -- que é algo que se faz muito pelo Rato! - sem nada dizer sobre nomes, perfis e pastas! Quanto à posição do Governo (assumida pela da Miss Swaps), e que outros paises já classificaram de anti-patrótica, nem uma palavra. Ouve-se sempre de Seguro aquele silêncio ensurdecedor que fere de morte o velho PS reivindicativo! Em que consiste a «agenda europeia» de Seguro? Então não é aquele livrinho cor-de-rosa que margarida, sua empenhada e esforçada esposa, usa para registar um a um os contactos do seu Cordeiro? O tal de Cascais, imposto ao aparelho, por razões que todos entendemos, e muito bem! Agenda cor-de-rosa?! Será o livro de receitas estrategicamente colocado ao lado do fogão pela sua margarida? É muita informação, p****, e o rapaz nunca foi de grande inteligência. Aquilo que fez toda a sua vida foi, como a alforreca e o caracol, moldar-se às "paredes" de encosto! Valeu pelo cafezinho e pelos scones, se bem que não chegam aos calcanhares dos da sua margarida! Está tudo nas receitas da agendinha! Afinal, scone é receita europeia! AM

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Algarve, Finlândia e o Futuro

Jack Soifer 23 Jun 14









Há 20 anos, a Finlândia estava como Portugal. Como nós, num extremo da Europa e muito dependente de dois mercados, o seu grande vizinho russo e o pequeno sueco.

Como nós, exportava riquezas naturais, pescado, cobre e celulose, e produtos de limitada tecnologia, calçados, têxteis, cristais e reparação naval.

Como nós, grande parte da agricultura era de subsistência, dispersa e sem boas estradas. Havia poucas grandes empreiteiras que faziam grandes obras no exterior; muita corrupção. O Marco finlandês era sustentado também pela remessa de emigrantes para as suas famílias.

Como foi o milagre finlandês? Como no resto da Europa, total descentralização do Ensino Básico para os concelhos. Formação profissional prática, energias alternativas, empreendedorismo, controlo de cartéis, automação na administração pública, fisco proativo.

Jack Welch disse: “do Estado, é necessário apoio para (…) reforço da educação técnica em proximidade com as empresas, garantia de qualidade em todos os níveis de ensino, pedagogia da responsabilidade”.

Sobre inovação, quer valorizar “o profissionalismo, desenvolvimento tecnológico para resultados concretos, e verdadeiro venture-capital que permita experimentar e concretizar novas ideias e projetos”.

O ensino profissional aqui, como todo o demais, é “muito teórico, embasado em oratória, com poucos laboratórios”, dizem.

O sucesso da Finlândia, está na força do empresariado local no comando de todo o ensino do país. Lá não perguntam “quem é ou quem apresentou o Jack”, mas sim “em que pode ele contribuir a curto e longo prazos”.

Lá não se lucra ao falar rebuscado, mas ao fazer e inovar. Linux, Nokia, Enso são produtos simples, baratos, confiáveis; focam na real necessidade do cliente, sem anúncio na TV.

Temos mais recursos naturais do que a Finlândia: mar muito mais rico, floresta que pode crescer mais rápido, bom solo, sol para energia e turista, vinhos.

Temos o povo mais simpático da UE. Falta-nos dar-lhe o que precisa para passar a Finlândia: reais oportunidades de trabalho, prático e bom ensino profissional, respeito ao humilde mas competente, controlo e justiça atempada para coibir abusos dos “amigos da corte”.

Podemos estar na cabeça da UE em 2030. É implantar uma verdadeira democracia educacional e económica. Regionalizar as estatais, ficar perto do cliente. Introduzir “conselhos de utentes” em todos os Institutos e DGs. Dar poder à DECO e à Quercus de fechar lojas e travar obras enquanto a lenta justiça julga.

Democracia não é só poder votar. É igualdade de oportunidades e, sobretudo, dar voz e poder ao consumidor. Pôr no Conselho das escolas empresários, os que precisam de mão-de-obra e bons cidadãos. Usar melhor os recursos, integrar, para que 2 e 2 não seja só 4, mas um 8, deitado, um infinito de bons resultados para o povo Português.

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O seu nome é Vitório Cardoso, macaense, assessor da CPLP e membro do conselho nacional do PSD

 

Este "senhor" que dizem estar ligado à extrema direita em Macau, afirmou que Aristides de Sousa Mendes é um traidor, elogiou a PIDE e considerou o 25 de Abril como um "dia de luto"

 

De acordo com a Visão, é próximo do secretário de Estado José Cesário, entra e sai dos gabinetes do Governo com facilidade. Em Macau dizem-no "incapaz". Por cá elogiam-lhe a diplomacia económica.

Temos assim presente no conselho nacional do PSD alguém que defende a ditadura do anterior regime e que considera traidor um Herói português que salvou milhares de judeus quando era consul de Portugal em Bordéus. E o PSD o que tem a dizer sobre isto? Não vão fazer nada?

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Que PS vai sobrar depois disto? pergunta a Ana Sá Lopes.
«Nem a "traição" é um argumento político nem serve para conquistar corações.»
Só passaram 19 dias desde que Costa se anunciou candidato a SG do PS e o ambiente dentro do partido já está irrespirável. É impossível manter alguma racionalidade naquela que é já dada como uma das maiores guerras intestinais dentro do PS (e mais durável: contando o tempo que já vinha com o que há-de vir). "Calhaus, insultos, insolências, trocas de tiros virtuais, tudo a contribuir para que uma batalha que deveria ser estritamente política se aproxime a passos largos de um romance de cordel. Se o objectivo for o de rebentar com o partido mesmo antes das próximas legislativas, é capaz de estar a ser conseguido: se sobrar alguma coisa do PS depois do que se tem visto nos últimos dias, será uma alegria."
..... "é insustentável para o PS esperar até 28 de Setembro para o desenlace da guerra civil. O que se está a passar é uma versão aproximada de "irregular funcionamento das instituições". .... Há um problema político: o PS não funciona nem vai funcionar enquanto maior partido da oposição e partido mais votado nas eleições europeias pelo menos até Novembro (no caso de Seguro perder as primárias). E todos os dias os socialistas disponibilizam bom material de propaganda futura para os tempos de antena da coligação governamental - além de contribuírem vivamente para alegrar os discursos de Marinho e Pinto.
Já se sabia que isto ia correr mal, pelo menos tão mal como em 1991. Mas está a ser pior: felizmente para o PS, em 1991 não existiam redes sociais. Agora, a exposição pública do "debate" entre militantes é confrangedoramente triste.
... António José Seguro sente-se (é?!) frustrado e "traído", e como uma peixeira da ribeira (sem ofender as ditas) chama oportunista a Costa. Como se Seguro alguma vez na vida soubesse ser alguma coisa senão isso. Foi até hoje o político mais oportunista (retirando o calculismo de Portas mas esse estratégico, calculado, direccionado), queimando dentro da JS e já fora dela todos os que lhe pareciam susceptíveis de se perfilar como futuros opositores. Nunca um lider se rodeou de tantos compadrios e yes-man à sua volta, afastando qualquer massa crítica dos órgãos do partido. Tudo e todos os que lhe podiam fazer mossa foram colocados, um a um, de lado, em banho-maria, tal como lhe fizeram anos a fio a ele. Não sirvas a quem serviu .... Nem a "traição" é um argumento político nem serve para conquistar corações. Seguro pôs as garras de fora, apoiado por Maria de Belém, e, desprezando a tal politica dos afectos que tanto apregoou e que captou os apoios de algumas balzaquianas dentro do partido, joga o factor de sedução do "traído". De nada lhe serve. Tem até perfil de traído embora em muitas situações tenha sido ele o traidor. Um sonso. Olhos vazios e inexpressivos a esconder a ambição desmedida que alimentou anos a fio quando ainda todos o viam como um aprendiz de polichinelo.
Seguro sempre usou o truque dos ambíguos e dos sobreviventes: as meias-palavras. Se visa pressionar Costa a falar e a identificar-se com o passado do PS, enquanto número 2 do PS nos governos Sócrates, dispare com questões concretas e discuta a gestão dos anteriores governos. Enfim, talvez dessa discussão pudesse nascer alguma luz para o PS. "De discursos de faca e alguidar, mais habituais em processos de divórcio litigioso, não nasce nada." Mas, é precisamente nestas situações, que se revela a falta de perfil para lider, pódio a que chegou para desventura do PS e inglória da oposição. Perdeu-se muito com Seguro como SG: o partido fragmentou-se, os vendilhões já se vendem por menos do que um prato de lentilhas, os troca-tintas vomitam nas redes sociais sapos de "apoio" a Costa. Um partido que depois de Seguro nunca mais será o mesmo. Pelo caminho terão ficado socialistas de primeira linha e gente competente que muita falta faziam na construção de uma oposição sólida e credível. No melhor pano cai a nódoa. E por muita lexívia que se use, Seguro causou estragos irreparáveis dentro do PS. Resta a Costa entrar e começar com uma valente sabonária, ainda que leve à frente umas quantas sopeiras e controleiros que, até agora, lhe foram muito úteis. AM

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