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Blogosfera que Pica
Jack Soifer 23 Jun 14

Jack Soifer 21 Jan 13
Nos seminários da CCDR em Faro que assisti, ficou claro que se fala muito e pouco se faz de inovação. Uma das razões é a limitada divulgação das boas práticas no exterior com resultados para os agentes económicos do trade. A outra é a estrutura arcaica de uma empresa pública central que gasta muito em acções inúteis. E regiões de turismo onde dominam os construtores e os políticos e não os mais importantes do turismo, as PME que garantem o bom atendimento e inovam.
Fala-se de informática em inovação, mas esta apenas a facilita. É vital conhecer o sonho implícito de um turista quando ele procura informação ou faz uma reserva. Isto implica interactividade onde se mede os nanosegundos em que ele permanece em cada slide do portal, quais as preferências de cada clique, e muito mais. Cada slide é feito no mais moderno neuromarketing para, consoante os primeiros cliques, levar-nos a conhecer as preferências de cor, imagem, movimento, palavra, ritmo, linguagem, tonalidade sonora, e muito mais.
O marketing individualizado, para optimizar a recepção do turista e surpreendê-lo, só pode ser feito por uma equipa multidisciplinar, não basta um webdesigner e um marketeiro. Ritmo, retenção, emoção, tudo deve levar o interessado a informar-nos sobre o seu íntimo e só depois confirmar a reserva e pagar. Pois o que o turista deseja é ser tratado pelo seu nome, realizar um sonho, ter as suas expectativas superadas. Temos que oferecer o que ele quer e não impor o que pensamos que ele quer.
Este mix de ciência e arte em turismo não está nos burocratas que falam de inovação e têm euros, nem nos boys metidos no turismo. É para quem já foi guia, vendeu vinho no restaurante gourmet, ajudou uma idosa com a mala e um jovem gay a voltar ao hotel. Numa estrutura big enough to cope, small enough to care.
Jack Soifer 27 Nov 12
Sou um otimista por natureza, sem ser sonhador. Baseio-me em cálculos cujas fórmulas são sempre atualizadas. E em valores duplamente controlados e submetidos à apreciação de investido-res e empresários do setor, especialmente no exterior.
Aprendi cedo a diferença entre teorias vs prática. E a avaliar as consequências de decisões - se atingirão ou não os resultados esperados. E aprendi a ler alertas e avaliar probabilidades.
Em 20/out tive uma palestra/debate com os afetados pelo terrível incêndio em São Brás e Tavira. Ouvi detalhes de estarrecer, do inadequado funcionamento de quem os devia e deve apoiar, não só dos bombeiros. Haviam alertas deste risco, nada se fez.
Há dias ofereci 4h de trabalho voluntário após a destruição na fre-guesia de Pereiras, concelho de Odemira. Ali não houve tornado, só chuva torrencial, prevista há semanas pela NASA e pelo Meteo 3 dias antes. Não se alertou a população. Não se tomaram medi-das de precaução nos concelhos. Ninguém da CM Odemira foi de imediato foi ver os estragos. Sou engenheiro: uma barragem mal feita pela CM provocou a destruição de um olival e muito mais. Exatamente o mesmo ocorreu há seis anos.
Os proprietários deste olival fazem o azeite extra-virgem que ga-nhou três prémios internacionais! É uma empresa familiar que exporta o dobro do que vende cá. Ela é alemã, casada com um português. Ela é presidente de um clube de empresários algar-vios e muito ativa em outros grupos. Ele participa de 4 grupos informais de empresários.
Olival destruído no sentido inverso do declive comprova que a onda veio da barragem
Palha na oliveira, há 1,60 do solo,
comprova a rápida onda que inundou o olival
Após um contato com a realidade e falar com muita gente, deci-diu-se escrever aos amigos no Frankfurter Allgemeine, Zürcher Zeitung, Der Spiegel, Expressen (sueco) e contar como mini-investi-dores alemães/suecos são tratados por alguns funcionários públi-cos e os seus chefes por cá. Penso que o governo não sabe do que está a acontecer no mundo real cá no Sul de Portugal.
Bem sei que não deveria empenhar-me, não fui chamado a isso. Mas desejo apoiar este povo maravilhoso. Sugeri a quem devia ver e ouvir diretamente os afetados, sem os funcionários das autarquias e dos ministérios. Quadros da Segurança Social, da Agricultura, da Justiça. Pois já há investidores estrangeiros que muito perderam nos fogos e nas cheias, mais de uma vez, a pensar processar autarquias e até o governo, lá fora.
O melhor para todos é o governo ouvir diretamente os que têm sugestões concretas de como melhorar. Para a sugestão não se tornar indignação. O filósofo/jornalista António Gramsci definiu como crise: “quando o velho ainda não desapareceu e o novo ainda não nasceu”. Não será hora de agir?
Jack Soifer 7 Nov 12
Vimos na TV as chamas no quase novo centro comercial de Portimão. Não deveria arder! Uma construção nova deve seguir as estritas regras de materiais, distâncias, etc, que mesmo que uma das lojas comece a arder, sprinklers, portas blindadas, tudo impede a sua propagação às vizinhas. “Há algo de podre no reino da Dinamarca”, dizia Hamlet. E se calhar, não só lá.
O pior ainda vai acontecer. Pois as grandes superfícies, em especial as que pertencem ao que se diz ser o maior grupo empresarial do país, após a construção arrenda espaços nos corredores, inicialmente calculados e aprovados pelos bombeiros sem esses stands, para permitir a rápida evacuação dos clientes, num caso de incêndio com elevada propagação.
Seja em Portimão, em Albufeira, Guia e até no Alentejo, de onde é a foto, vê-se temporários arranjos de bicicletas, prendas, brinquedos, produtos de beleza, etc que dificultam a evacuação do local. Como o proprietário sabe de antemão quando haverá a inspeção dos bombeiros, atravanca quando eles lá não estarão.
Em Gotemburgo, Suécia, há uns 18 anos, morreram uns 200 jovens quando num incêndio, viu-se a porta de emergência bloqueada. Todo o sistema de controlo foi alterado e hoje qualquer pessoa pode telefonar para um número central no país, que envia um fiscal sem uniforme em poucas horas. Após a primeira multa, a grande superfície perde para sempre o seu alvará naquele município.
Na Índia e no Paquistão fazia-se o que se faz por cá. Após a morte de 300 em cada país, há novas regras de controlo. Parece que estamos pior do que eles, nada aprendemos com os desastres e as regras só aplicam à inauguração.
Se o incêndio daquela madrugada, em Portimão, tivesse ocorrido num sábado à tarde teríamos 300 não só desempregados, mas já mortos.
É ao ver este “posso, quero, mando” que os estrangeiros do Algarve estão a ir-se e nenhum investidor tecnológico, que poderia aumentar o emprego aqui, tem a coragem de cá investir. Porquê? Leia no Como Sair da Crise, Algarve!
Jack Soifer 3 Jul 12
Há dias os jornais publicaram uma notícia bombástica. São 1600 empregos, 232 milhões de investimentos, meio milhão de turistas! Um verdadeiro milagre! Há semanas publiquei dados que informei ao Sr. Ministro da Economia, obtidos após extenuante trabalho de muitos experts, a mostrar que em 2014 teremos 26% de desemprego, um brutal aumento da criminalidade, continuado desinvestimento, aumento da economia paralela, etc. com a atual política económica. Como então este súbito otimismo em Silves? É a coincidência de uma série de milagres!
O primeiro milagre foi conseguir que uma enorme área protegida como santuário de aves e também pela NATURA 21 na lagoa de Salgados, transformada em zona urbanística pela CCDR do Algarve. Como é que o saco verde da lagoa tornou-se zona azul?
O segundo milagre foi alguém na marinha ter permitido isto numa zona que precisa de aprovação daquele nobre corpo da defesa nacional, que tem entre os mais conceituados técnicos do país e verdadeiros defensores dos valores pátrios. Quem permitiu? O ministro sabe? A publicidade diz “praias privadas”!
O terceiro milagre foi, no meio desta brutal crise financeira que assola meio-mundo, algum banco ter prometido financiamento para este projeto megalómano - ou não prometeu? Qual é o banco?
O quarto milagre foi convencer alguém nalgum mi(ni)stério (quem, qual?) que as 30mil camas vazias nos atuais hotéis e aldeamentos e outras tantas privadas não bastam para os próximos 10 anos. Já temos 100 mil autorizadas no Algarve e os empresários reclamam que estão a perder dinheiro. E, contrariar todas as previsões das associações de empresários do turismo, não só de Portugal, de que o fluxo turístico vai cair.
O quinto milagre foi convencer a imprensa que isto não é mágica nem milagre. Ou será que o “capital” inicial é para a publicidade que permitirá a alguns jornais sobreviver mais uns meses com a esperança da austeridade, também por milagre, acabar?
O sexto milagre é o Grupo Galilei, envolvido no escândalo do BPN ser o beneficiário destes milagres.
Só mesmo em Silves ocorrem tantos milagres! Em breve teremos uma nova rota turística religiosa para lá. Pois até em Inglaterra já se conhece a milagreira.
Jack Soifer 7 Mai 12
Os dados publicados pelos Energy Institute, Center for Offshore Safety e American Petroleum Institute provam que o contrato celebrado em fins do ano passado por um Secretário de Estado que veio de uma empresa e já desapareceu da cena, é péssimo para Portugal.
Os acidentes e incidentes nas plataformas offshore aumentam a medida que os custos de exploração crescem. O risco é menor ao retirar gás sem crude.
Acompanhei algumas plataformas e refinarias pelo mundo. Quando Patrik Monteiro de Barros propôs um pipedream de refinaria, publiquei no Jornal de Negócios dados concretos que fizeram o governo de Sócrates travar aquele possível engodo.
Um dos acidentes com mais mortos neste setor foi quando uma plataforma norueguesa no Mar do Norte foi destruída por uma onda gigante, há uns 30 anos. Os danos ambientais não foram graves, mas ceifou umas 100 vidas e perderam-se quase 1 MM€.
Um dos acidentes mais caros foi a gradual queda de uma plataforma no Brasil, sem vítimas mortais, mas onde a Petrobrás perdeu uns 2 MM€, há uns 9 anos.
O acidente mais comentado foi no Golfo do México há anos, com um incrível desastre ambiental, que ainda não se conseguiu pagar.
Há provas que 90% dos acidentes e incidentes (sem mortes e com limitados prejuízos) são causados por falhas humanas, apesar da formação recebida. São características pessoais que oferecem maior ou menor risco. Assim, para limitar os riscos, as empresas que exploram as plataformas pagam muito bem para os ases do equilíbrio emocional, das reações psicomotoras, força física, interpretação de indícios, etc. Não arriscam.
Durante muitos anos as plataformas de Cabinda e do Brasil tinham trabalhadores americanos e ingleses e uns poucos trolhas locais para a limpeza e o transporte. O mesmo nas explorações norueguesas do Mar do Norte. Após uns 5 a 8 anos é que se dá oportunidade a alguns destes de trabalhar com os equipamentos.
Pela mesma razão o outsourcing é feito com empresas com enorme experiência, em geral que já tenham trabalhado com as exploradoras em outros sítios. Só há uns 12 anos que a Petrobrás, criada em 1950, contrata empresas locais. Não arriscou por 50 anos!
Assim, o contrato celebrado com a Repsol não trará emprego para portugueses ou empresas locais nas próximas décadas e de nós levará tudo, deixando o risco de um desastre ecológico e humano.
Artur de Oliveira 26 Abr 12
Artur de Oliveira 20 Abr 12
Vejam aqui o artigo sobre as jornadas em que se irá debater sobre a situação do território algarvio, a economia local e nacional e a questão das energias na região. Um evento que irá contar com figuras sonantes da política algarvia e nacional e da sociedade civil, que terá lugar no Hotel Porto Bay Falésia nos dias 28 e 29 de Abril conforme o programa.
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